CAMPANHA DE SOLIDARIEDADE

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Reinaldo Azevedo e a desinformação em massa

Por Alexandre Rosendo - Editor do blog Solidariedade à Coreia Popular


No dia 21 de dezembro de 2011, um colunista da Revista Veja, Reinaldo Azevedo, publicou uma coluna com o título “PCdoB supera o melhor site de humor da política brasileira”. Em tal coluna, são feitos ataques de cunho sarcástico ao PCdoB (Partido Comunista do Brasil) por conta de sua nota de condolência à morte do Dirigente Kim Jong Il. Apesar de já esperarmos ataques de cunho reacionário, por serem veiculados no maior meio de comunicação fascista do Brasil, não esperávamos, entretanto, tamanho baixo nível e tamanha falta de conhecimento por parte do pseudo-intelectual Reinaldo Azevedo. Vejamos:


 “O elogio feito pelo partido brasileiro a Kim Jong-Il, ditador da Coréia do Norte morto no sábado, deixa no chinelo qualquer ironia, qualquer galhofa, qualquer piada. Esquerdistas mundo afora já disseram quase tudo da Coréia do Norte, mas a ninguém ocorreu chamar aquele país de “próspero” ou afirmar que a ditadura comunista tentou a reunificação das duas Coréias, lutando pela paz.”

Ou seja, pela interpretação do colunista (sic!) Reinaldo Azevedo, é “irônico” dizer que a “ditadura comunista” luta pela paz e pela reunificação da Península Coreana. Sob a pena de o mesmo ter ataque cardíaco por conta da história que se desenvolveu independente do que ele ou qualquer outra pessoa pense, ensinemo-la, pois:


A Coreia, após 1905, passou a ficar sob o protetorado japonês. Com a anexação em 1910, o país torna-se oficialmente uma colônia e deixa de existir enquanto Coreia, passando a ser parte do Império Japonês. Após uma luta armada liderada pelo Exército Popular da Coreia, tendo o revolucionário Kim Il Sung à frente, em agosto de 1945 a Coreia conquista sua independência através da expulsão conjunta dos japoneses pelo Exército Popular da Coreia e pelo Exército Vermelho da URSS (que entra na Coreia algumas horas após declarar guerra contra o Japão).  A Coreia, que há décadas viu sua soberania arrematada pelas potências estrangeiras, por fim, após uma sangrenta guerra de libertação, conquista sua independência. Sobre tal acontecimento, Kim Il Sung diz:

“Há cinco anos, os soldados soviéticos, combatentes do exército de libertação, penetraram no território da península coreana derrotando em seu avanço as divisões de elite do exército de Kuantung. Quinze de agosto de 1945 ficou assinalado como o grande dia de libertação da Coréia. Durante a sua multi-secular historia, a Coréia foi, por varias vezes, invadida por forças inimigas. Mas habitualmente invadiam a terra coreana usurpadores que atentavam contra a liberdade e a independência de nosso país. E eis que pela primeira vez na sua historia o povo coreano teve oportunidade de se achar na presença de soldados libertadores, e não escravizadores. Os coreanos foram oprimidos, durante cerca de quarenta anos, pelos imperialistas japoneses, que os privaram de liberdade e dos direitos políticos elementares. Proibia-se ao povo coreano a criação de partidos e organizações democráticas. Sob o ponto de vista econômico a Coréia fora transformada em apêndice fornecedor de matérias primas da indústria japonesa. Os japoneses exploravam avidamente todas as riquezas naturais. O povo vivia na indigência e na ignorância. Quase quatro quintos de toda a população da Coréia eram constituídos de analfabetos.

[...]

Quinze de agosto de 1945 foi o dia da libertação de nossa terra sofredora o dia da mais grandiosa felicidade de nosso povo. Essa data é solenemente comemorada, todos os anos, na Coréia. Surgiram novas fábricas e novas usinas, construíram-se novos clubes e novas escolas. Por toda parte — nas cidades e nas aldeias — o povo conhecia uma vida nova e feliz que se manifestava em sua intensa alegria.”


Apesar disso, tal euforia não iria durar muito. O proletariado coreano, que no decorrer de sua Revolução ia erguendo seu novo governo democrático-popular, tendo os comitês populares como forma de exercer seu poder político, se vê tendo que confrontar uma nova luta de libertação. No início de setembro de 1945, os Estados Unidos ocupam a parte sul da Península Coreana e formam lá um regime fantoche pró-imperialista. Os norte-americanos dissolvem à força os comitês populares e prendem, fuzilam, torturam etc. as lideranças patrióticas, democráticas e revolucionárias, tão importantes na guerra libertadora contra o Japão. Dissolvem partidos políticos, sindicatos e organizações democráticas. Arrastam à força jovens estudantes para morrerem numa nova guerra aventureira e imperialista contra a República Popular Democrática da Coreia. Começa o drama da divisão nacional que dura até nossos dias.


Após o fim da Guerra da Coreia, um dos pontos levantados no Tratado de Armistício assinado em Pan Mun Jon, em 27 de julho de 1953, era de retirar todas as tropas estrangeiras da Península Coreana para que as duas partes (norte e sul) da Coreia pudessem se reunificar pacificamente. Até fins de 1958, a China retira suas tropas do Norte da Coreia, ao passo que os Estados Unidos as mantêm no Sul da península até os dias de hoje. Vemos, pois, que o “agressor” da História não parece ser a Coreia do Norte, mas sim os militaristas norte-americanos.


A política invariável defendida pela República Popular Democrática da Coreia no que tange à reunificação da Pátria pode ser sintetizada na obra de Kim Il Sung no seu texto “Programa de Dez Pontos para a Reunificação da Pátria”:


“1) Fundar um Estado Unificado independente, pacífico e neutro mediante a grande unidade pan-nacional. A estrutura desse Estado seria confederativa com igual participação dos governos regionais do Norte e do Sul, e um Estado neutro, independente, pacífico e não-alinhado que não se incline a nenhuma potência.
 2) Conquistar a unidade baseada no patriotismo e no espírito de independência nacional. Ou seja, independente de abordagens particularistas.

3) Coexistência, coprosperidade e interesses comuns.
4) Fim de todas as batalhas políticas que promovam a divisão e o enfrentamento entre os compatriotas.
5) Confiança mútua, fim do medo da agressão mútua e fim da perspectiva da “vitória sobre o comunismo” ou a “comunistização”.

 6) Democracia.
7) Reconhecer as propriedades estatais, cooperativistas e privadas e proteger o capital e os bens individuais e coletivos, e as concessões comuns ao capital estrangeiro.
8) Compreensão e confiança mútua mediante contatos, viagens e diálogos entre os agentes sociais de ambos os lados.

9) Solidariedade e maior unidade entre a população do Norte, no Sul e exterior para lograr a reunificação.
10) Reconhecimento especial àqueles que contribuíram com a luta pela grande unidade nacional e pela reunificação da Pátria”


Testemunhamos, portanto, que nada há de irônico em dizer que a República Popular Democrática da Coreia luta pela paz e pela reunificação nacional. Ao contrário, é um fato objetivo que se acontece independente do que pense o senhor Reinaldo Azevedo. É muito vergonhoso, entretanto, que o mesmo pense que possa contagiar seus leitores e outras pessoas com sua ignorância sobre a história da Coreia. Da nossa parte, lançamos nossos maiores protestos.


2 comentários:

  1. Não tem debate? Excluem meu comentário assim, de forma sumária? Ok então, isso é uma boa amostra de como agem os comunistas.

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  2. Pedro Almeida, todos os comentários de caráter provocador, como os que foram feitos por você, serão sumariamente excluídos do Blog. Só daremos espaço caso o argumento seja alguma crítica consistente e honesta, não comentários imbecis do tipo "se você gosta da Coréia, então por que não vai morar lá". Neste ano visitei a Coréia do Norte e tudo o que é publicado neste blog é escrito por pessoas que estudam e conhecem o tema. Sobre como nós agimos, apenas estamos dentro da nossa linha editorial. Algum texto apoiando a Coréia do Norte foi publicado na Folha de São Paulo, Estadão, Veja, etc? Acho que não, né?

    Abraço!

    Gabriel Martinez - Editor do blog Solidariedade á Coréia Popular

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