CAMPANHA DE SOLIDARIEDADE

sábado, 30 de abril de 2011

Entrevista com membro da equipe do blog sobre a Coréia do Norte

Há alguns dias atrás, Alexandre Neves Rosendo, membro da equipe do Solidaiedade a Coreia Popular. teve a oportunidade de dar uma entrevista a um amigo jornalista por ocasião de nossa viagem à RDP da Coréia. Postamo-la aqui para os interessados.

Da redação


Aurelio Moraes: Como surgiu o convite para vocês visitarem o país e quanto tempo durou a visita?

Alexandre Neves: Fomos convidados para visitar a RDP da Coréia em setembro do ano passado, durante uma cerimônia na qual participamos para comemorar os 62 anos da fundação da República democrática e popular na parte norte da Coréia. Todos os gastos da viagem ficaram por conta da Associação Coreana de Cientistas Sociais: Alimentação, gasolina, hotel, etc. etc. Entramos na Coréia do Norte no dia 9 de abril de 2011 e saímos no dia 19 de abril de 2011 (10 dias). Foi uma viagem que valeu muito a pena pelo fato de termos tido a liberdade de ver o que a totalidade dos turistas não poderia ver: Fábricas, granjas cooperativas, o campo, escolas, universidade, hospitais, estabelecimentos, etc.

A. M.: Quais foram suas primeiras impressões ao chegar na Coréia do Norte?

A. N..: A primeira impressão que tivemos quando pisamos pela primeira vez na Coréia é de ver um país que passa por dificuldades e se esforça com todo o ímpeto para superá-las. A falta de fertilidade do solo coreano e o simples fato de ele se encontrar congelado durante a maior parte dos anos leva a população a aproveitarem cada cm² de terra fértil. Mesmo no meio do aeroporto, nas pistas onde passavam os aviões, encontravam-se pequenas plantações de arroz. Porém, mesmo com todas as dificuldades, pudemos presenciar um país de se orgulha de ter a capital mais limpa do mundo. O sistema universal e gratuito de educação compulsória de 11 anos, estabelecido em 1972, além de um dos mais modernos sistemas de saúde do mundo também é motivo de orgulho para seus cidadãos. Um país no qual se conta nos dedos a quantidade de pessoas sem moradia em pleno bloqueio deve ser um exemplo a ser seguido.

A. M.: É bem conhecida uma série de reportagens da jornalista Ana Paula Padrão, para o Jornal do SBT, sobre a Coréia do Norte. Você percebeu diferenças entre a realidade que viu lá e o que foi mostrado nas reportagens?

A.N..: Sinceramente, não pudemos perceber muita diferença entre a realidade mostrada naquele documentário e o que percebemos no país. O documentário feito pela jornalista Ana Paula Padrão mostra uma Coréia muito bonita, com um povo bem-vestido, alegre. O grande problema é que uma visão preconceituosa e idealista faz com que a mesma enxergue pêlo em ovo. Tudo vira motivo para se falar em “totalitarismo”. Fala-se no “totalitarismo” no sorriso das pessoas, no “totalitarismo” presente nas danças de ginástica de massas... É melhor focar na realidade objetiva do que se apegar a conceitos vazios, abstratos.

A.M.: A imprensa brasileira na sua opinião distorce a realidade norte-coreana?

A.N.: A imprensa brasileira, subserviente aos ditames da imprensa sul-coreana e norte-americana, não só distorce como também mente de forma aberta acerca da Coréia Socialista e da situação na Península Coreana. Creio que se passarmos analisando cada mentira que a imprensa publica sobre o país, não sairia daqui tão cedo. De qualquer forma, tentarei ser sistemático: No ano passado, foi publicada uma matéria na Folha de São Paulo segundo a qual as mulheres norte-coreanas teriam sido proibidas de usar calças. Mentira, praticamente todas elas usavam quando estivemos lá; A mentira mais famosa, creio eu, foi aquela segundo a qual a Coréia do Norte teria falsificado o resultado do jogo do Brasil e teria sido posta como vencedora. Mentira. Todos os norte-coreanos sabiam que o Brasil tinha ganhado e aquele vídeo que circulou pela Internet era falso – afinal, a tal jornalista coreana que supostamente anuncia a “vitória" norte-coreana, na prática, não fala nada relacionado a futebol. Mentiras como essas divulgadas em larga escala (que apareceram inclusive no jornal das 8) são de grande desgosto para qualquer pessoa que tenha compromissos com a verdade.

A.M..: Quais os costumes da sociedade de lá mais curiosos e mais diferentes dos nossos?

A.N..: A cultura coreana é diametralmente diferente da cultura brasileira. Talvez isso explique o porquê de a maioria da dita ‘esquerda’ nutrir um ódio pequeno-burguês pela Coréia do Norte, mesmo que esta tenha realizado as tarefas fundamentais de um Estado Proletário: A industrialização pesada, a mecanização da agricultura e o conseqüente avanço no desenvolvimento das forças produtivas, etc etc.

No mais, em termos culturais, o que me chamou mais atenção é o respeito que todos têm pela figura da ‘liderança’. A Coréia, tendo sido por milênios uma sociedade que tinha como base a família e, no centro desta, a figura paterna ou materna, explica historicamente essa reverência. Lembro-me que, quando chegamos em Pyongyang, nosso camarada anfitrião So Ryun So disse-nos que seria necessário um líder à frente da delegação. Como não tínhamos pensado nisso antes, botamos o camarada Gabriel à frente da delegação por questões meramente formais, além de ser o mais velho entre nós. Para nosso amigo Ryung So, não fazia sentido a forma arbitrária como a liderança tinha sido escolhida. Enfim, foram coisas que pudemos perceber ao longo do convívio com camaradas coreanos.
Outra coisa que pude perceber é a forma camaradesca, familiar e respeitosa como os coreanos se tratam. Na presença de nosso anfitrião-guia, o que mais ouvíamos eram palavras como “So Dongji” (camarada So, em português). Os coreanos também dão muita atenção à questão das boas maneiras mais do que os outros povos. Lembro-me que, no nosso primeiro dia no hotel, foi feito um jantar de confraternização entre todas as delegações. Enquanto todos se portavam como verdadeiros gentlemen, fazíamos questão de mostrar a todos nossas maneiras vikings de nos comportar à mesa, como quem come um churrasquinho de gato num clássico Corinthians X Palmeiras ou como a peãozada que bota dois quilos de arroz e feijão no mesmo prato.

Por uma questão de respeito, um camarada sempre serve cerveja ao outro quando está à mesa. Se bem que isso poderia ser aplicado aqui no Brasil também... Não seria tão distante culturalmente como venerar um líder.

A.M.: Como está a questão do embargo econômico ao país? Vocês sentiram isto na prática?

A.N.: O bloqueio é uma forma de estrangular o sistema democrático-popular estabelecido na parte norte da Coréia. Consiste em realizar o bloqueio total no setor tecnológico e de telecomunicações. Congelou todos os fundos que o país tinha depositado em bancos estrangeiros e pessoas de outros países que visitam a Coréia do Norte não podem sacar dinheiro em moedas estrangeiras. Nos anos 90, quando o país passou por desastres naturais gravíssimos que destruíram boa parte da agricultura (e, também, não tinham como importar os alimentos como forma de suprir a demanda interna, haja visto que havia perdido quase todos os mercados depois da queda da URSS) e foi obrigado a recorrer a organismos internacionais, boa parte da ajuda foi sancionada pelos imperialistas sob o pretexto de que a Coréia estaria levando a cabo um programa nuclear (ironicamente, os norte-americanos até hoje não foram sancionados pelo fato de mais de metade dos gastos mundiais com armamentos vir por parte de seu país).

O bloqueio também afeta diretamente o setor de telecomunicações. Não é possível, por exemplo, realizar ligações internacionais diretamente da Coréia do Norte. Para passar por cima disso, o governo foi obrigado a fazer um acordo com uma empresa tailandesa e, através dela, possibilitar a comunicação com outros países. Todo esse processo, porém, encarece muito as ligações. Quando ligamos para o Brasil e falamos por menos de três minutos com nossos familiares, tivemos que pagar US$30,00 pelas ligações.

A.M.: Tecnologia: O norte-coreano medio tem acesso à celular, internet, computador etc?

A.N..: A Coréia do Norte pôde ter acesso à tecnologia dos celulares 3G pela primeira vez em 2008, através de uma joint-venture com uma empresa egípcia. Em termos proporcionais, é o país do mundo com maior acesso à tecnologia. Porém, em termos brutos, o número de usuários ainda é pequeno. Porém, a tecnologia está se espalhando. De acordo com estatísticas de 2010, o número de usuários na RDP da Coréia inteira era de 302 mil. A tendência é que esse número aumente, como pudemos perceber em nossa viagem vários coreanos nas ruas usando celulares avançados. A internet existe mas, por conta do bloqueio, ainda é muito precária (não existe banda larga para internet, apenas discada). A tecnologia mais comum nesse sentido lá é a Intranet, semelhante à Internet mas restrita ao território norte-coreano. Como forma de evitar espionagens ou ações de elementos subversivos, a Intranet só pode ser acessada em locais públicos, como estabelecimentos que possuam tal tecnologia.

A.M.: A liberdade de imprensa lá é bastante criticada. As críticas procedem? Lá existe imprensa pluralista como a nossa?

A.N.: É muito complicado falar em “liberdade de expressão” usando termos positivistas, sem definir o que seria “liberdade” ou o que seria “expressão”. A imprensa norte-coreana é controlada pelo governo, em contraste com a imprensa de países capitalistas que está concentrada em conglomerados. Não é possível especular se existiria ou não a possibilidade de se criar um jornal contra o governo ou contra o comunismo, já que não existe nenhuma lei que o proíba. De qualquer forma, a ideologização de toda a sociedade já foi levada a cabo há décadas lá e não encontramos qualquer oposição contra o governo (o que não impede que esta exista, de qualquer forma).

A.M.: Muita gente costuma falar sobre a pobreza na Coréia do Norte. Existe miséria no país, como costuma sair na mídia ou na sua opinião é uma interpretação equivocada da realidade norte-coreana?

A.N.: É necessário, antes de tudo, destacar que “pobreza” é um conceito relativo. Durante os dez dias que estivemos em Pyongyang, não encontramos um único morador de rua e/ou semelhantes. No campo, encontramos cidades sem sombra dúvidas muito menos desenvolvidas que Pyongyang, mas em nenhuma existia “miséria” nos termos como estamos acostumados a tratar em nosso país. Pode-se até falar em pobreza, mas jamais em miséria. O que vimos no máximo de pobreza foi algumas casas no campo, mal-pintadas e visivelmente degradadas. Todas, porém, tinham plantações de arroz, maiz, batata ou criação de galinhas, por exemplo. Não que essa vida simples seja o norte maior que o socialismo pode alcançar. Porém, para um país que tem boa parte do desenvolvimento de suas forças produtivas freado por conta do bloqueio, é muito impressionante. Sem palavras para descrever.

A.M.: Como é a indústria da Coréia do Norte? Visitaram alguma fábrica?

A.N.: Já no início dos anos 70, a Coréia do Norte possuía um dos maiores parques industriais do mundo. Tratava-se de um países socialistas que mais exportavam (a partir de 1965 já possuía uma balança comercial favorável em relação à URSS, a maior economia do antigo bloco soviético) e cumpriam papel de relevo no abastecimento desse mesmo bloco. Logo após a Guerra civil, o Partido do Trabalho da Coréia levou a cabo o Primeiro Plano Trienal 1954-1956 para reconstruir a economia não da forma unilateral como ela se encontrava antes da guerra (quer dizer, uma economia colonial voltava para o abastecimento da metrópole, que possuía ramos muito desenvolvidos em contraste com vários outros atrasados, caracterizando uma economia muito deformada), mas para dar a ela novas bases para a construção de uma nova economia socialista. Kim Il Sung, principal líder da RDPC, sugeriu que fosse levado a cabo o projeto de incrementar o desenvolvimento da indústria leve e rápida tendo como base o incremento, também, da indústria pesada. Rendendo agradecimentos às democracias populares que ajudaram na reconstrução econômica e sendo beneficiada por bilhões de toneladas de recursos minareis fundamentais na industrialização (a Coréia do Norte possui metade das reservas mundiais de carvão), a partir de 1970 a Coréia do Norte já configurava-se como um país industrial-chave em siderurgia, indústria química, indústria de bens de consumo, de materiais de construção, etc. Depois do triste retrocesso pelo qual passou nos anos 90, a indústria já está se recuperando e está recheada de metas para o ano de 2012. Visitamos uma fábrica de alimentos em Pyongyang e pudemos ver uma indústria altamente mecanizada e que atendia às demandas internas (já que, em termos de distribuição, dedicava-se ao abastecimento apenas da capital, Pyongyang). Produzia 2 mil garrafas de refrigerante por dia; 10 mil litros de licor por mês; 2500 picolés por hora; 3 toneladas de balas por dia e 3 toneladas de pão por dia.

A.M.: Fala-se muito da impossibilidade de consumo no país. Pelo o que você viu, o norte-coreano médio pouco consome?

A.N.: Creio que isso demanda uma análise mais radical de como se encontra o estado da economia norte-coreana nos dias de hoje. É difícil falar do consumo do cidadão médio tendo como base de análise a produtividade de uma única fábrica que sequer produz todos os bens necessários para a existência do indivíduo. Porém, levando em conta o salário mínimo norte-coreano (2 mil wons) e os baixos preços dos produtos e dos aluguéis (estes últimos não ultrapassam 1% do salário nominal dos trabalhadores), além da não-existência de qualquer tipo de imposto e de serviços como educação e saúde 100% gratuitos, podemos especular mais ou menos como se encontra o poder de consumo do norte-coreano regular. Aceito sugestões.

A.M.: Ainda falando sobre cultura, como ela é valorizada no país?

A.N.: A cultura é, de longe, o que o povo coreano mais valoriza. É usada como uma forma de educar os cidadãos e as novas gerações no espírito do socialismo e do comunismo para que se tornem trabalhadores que lutem pelo progresso do país. O coletivismo está presente entre os coreanos mesmo das formas mais simples: É comum ver todos se dedicarem a plantar flores ou decorar a cidade nos dias de descanso, ou limpá-la a qualquer momento. Todos se tratam de forma camaradesca, como uma família. Talvez isso explique a importância que a Idéia Juche dê ao aspecto ideológico na construção socialista.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Solidariedade à Coreia Popular abre canal no Youtube

Aos camaradas e amigos leitores do blog, informamos que abrimos recentemente um canal no Youtube com a intenção de divulgar vídeos acerca da luta do povo coreano. De início, tínhamos como idéia criar um canal no Youtube apenas para postamos os vídeos de nossa visita ao país, porém tal ferramenta também será mais usada por nós dentro de breve. Será de grande importância para o crescimento do prestígio da RDP da Coreia no Brasil. Todos os vídeos de nossa viagem já estão disponíveis e no futuro postaremos mais vídeos relacionados:

http://www.youtube.com/user/coreiapopular


Da redação

domingo, 24 de abril de 2011

As relações entre o PT e o Partido do Trabalho da Coréia e os lamentos de um social-democrata.


O texto é antigo e foi publicado no portal do Partido dos Trabalhadores em 24/06/2009, com a pretensão de ser uma resposta bem fundamentada a um texto do então secretário de Relações Internacionais do PT, Valter Pomar, que havia visitado a RPD da Coréia. O texto foi escrito por um militante petista do Rio de Janeiro chamado Vinicius Wu e está carregado de preconceitos ideológicos típicos daqueles que adoram falar sobre o que desconhecem. 

Sabemos que, quando o assunto é a Coréia, muitos adoram dar o seu palpite, mas poucos sabem o que realmente se passa no país.


Vinicius Wu começa o texto perguntando quais as razões que teriam levado o PT a estabelecer relações com a Coréia do Norte, que segundo ele seria um “regime proto-fascista”. O temor de Vinicius Wu em ver o seu querido partido mantendo relações, mesmo que mínimas, com um “governo totalitário” chega a ser risível, lembrando-nos o antigo temor que os políticos burgueses nutriam em relação à antiga União Soviética e a “terrível” China comunista.

Como se não bastasse, o autor do texto, ou mostrando a total falta de conhecimento do que acontece na península coreana, ou quem sabe apenas reproduzindo o que os meios de comunicação do imperialismo propagam, diz que Kim Jong Il “patrocina uma corrida armamentista na península” e que “contraria a comunidade internacional”. 

Sentimos muito caro Wu, mas não é porque vocês social-democratas subestimam o papel agressor do imperialismo e adoram ser bem vistos pelo mesmo, que os coreanos precisam agir da mesma maneira. Os coreanos não confundem as vontades da “comunidade internacional” com as vontades do imperialismo e precisam se defender de suas ameaças reais.

Óbvio que para liberais de diversos matizes, e aí incluímos você Vinicius Wu, os norte-coreanos se “isolaram” do mundo ocidental por vontade própria e que os gastos que o governo possui com assuntos militares, principalmente na área de defesa, são meros caprichos do “ditador” Kim Jong Il, comunista malvado que come criancinhas e que quer dominar o mundo com suas bombas atômicas. 

Lembrando que o imperialismo sabe muito bem se aproveitar das ingenuidades alheias. Subestimar o caráter agressor do imperialismo é uma especialidade de certos setores de uma chamada “esquerda” brasileira.

Sabemos que as opiniões de Sr.Wu não são as opiniões oficias do PT e que nem todos os militantes de seu partido compartilham de suas opiniões reacionárias, mas por acaso o Sr.Wu conhece alguma coisa sobre a história da Coréia e o seu partido revolucionário, ou seja, o Partido do Trabalho da Coréia?

Se o Sr.Wu não se identifica com as lutas travadas pelo povo coreano, sob a direção do PTC, em especial a Luta Anti-Japonesa e a Guerra Nacional contra os EUA então podemos concluir que sob o disfarce de um democrata defensor dos direitos humanos existe um reacionário, que mesmo de maneira sutil, legitima a agressão imperialista contra a Coréia.

Em um trecho do texto o Sr.Wu tenta se passar de grande defensor do marxismo-leninismo, mesmo que ironizando aqueles que ele chama de “órfãos do bolchevismo vulgar”, e sentencia que o “Juche” se tornou em doutrina oficial do estado em novembro de 1970, portanto, teriam abandonado o marxismo-leninismo. 

Como o objetivo de seu texto é ridicularizar a opção de seu partido em manter relações com a Coréia e não expor os princípios filosóficos da chamada Idéia Juche, Wu apenas se limita a tecer suas opiniões pessoais delirantes sobre o que seria a Idéia Juche. Segundo ele, trata-se de uma “doutrina teológica” e que uma de suas “lendas” afirma “uma estrela de brilho intenso e um duplo arco-íris apareceram nos céus do Monte Paekdu”.

Ora, o Sr.Wu por acaso não sabe diferenciar folclores populares, que em certa medida acabam servindo como propaganda, dos princípios filosóficos de uma determinada teoria? Se souber diferenciar, desafio Vinicius Wu apontar em qualquer livro teórico ou documento político do PTC, trechos e passagens onde se atribua qualquer referencia divina aos “grandes líderes” e a episódios como, por exemplo, o nascimento de Kim Jong Il.

Sabemos que Vinicius Wu possui total desprezo pelo socialismo científico, ou seja, pelo marxismo-leninismo e que citou o fato de a Idéia Juche ter se tornado ideologia oficial da coréia apenas para levantar falsas polemicas, afinal, mesmo que a Coréia ainda se dissesse “marxista-leninista” e não “juche”, Vinicius Wu manteria da mesma forma suas opiniões reacionárias sobre o país. Mas, de qualquer forma, também gostaríamos que Vinicius Wu apontasse de que modo a chamada Idéia Juche nega o marxismo-leninismo.

Para terminar o seu ridículo texto, Vinicius Wu recomenda a Valter Pomar que assista um documentário chamado “Welcome to North Korea” que provavelmente, segundo a mente de Wu, detém o monopólio absoluto da verdade sobre o que ocorre na Coréia do Norte. Segundo ele, assistindo tal documentário Pomar saberia o porquê dos coreanos utilizarem broches com o retrato do Presidente Kim Il Sung. Triste, mas são essas figuras que costumam dizer que os coreanos sofrem “lavagem cerebral”. 

Gabriel Martinez - editor do Blog de Solidariedade à Coréia Popular


Para ler o texto de Vinicius Wu: http://www.pt.org.br/portalpt/noticias/geral-8/nao-em-nosso-nome-239.html

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Relatos de nossa viagem à RPD da Coréia

Nos últimos dias, tivemos a grande oportunidade de visitar a República Popular Democrática da Coréia, localizada ao norte do paralelo 38° na Península Coreana. Pudemos presenciar a transformação decisiva de um país que optou pela via do socialismo, da democracia, da soberania e da independência nacional. Mesmo esbarrando numa série de dificuldades que pudemos também presenciar, e submetida também ao bloqueio mais estrangulador do mundo, a RDP da Coréia pôde manter as conquistas de sua revolução democrática-popular e superar em grande parte a crise que destruiu mais de metade de sua economia em meados dos anos 90. 

Delegação do blog em frente ao Arco do Triunfo

O povo da RPD da Coréia consegue desfrutar, à base do bloqueio, de uma educação universal e compulsória de 11 anos, já estabelecida em 1972. Desde 1949, os coreanos do norte desconhecem a palavra “analfabetismo”. Um em cada 4 coreanos do norte é estudante. Seu sistema de saúde configura-se como “uma meta para todos os países desenvolvidos” nas palavras da diretora-geral da Organização Mundial da Saúde, Margharet Chan. Desde meados dos anos 60, a RDP da Coréia configura como um país industrial-chave nos principais setores: possui modernas indústrias metalúrgica, química, siderúrgica, de materiais de construção, etc. A mecanização agrícola resolve o problema da crescente demanda por alimentos em contraste baixíssima fertilidade do solo norte-coreano.
Nos próximos dias, estaremos escrevendo nossas impressões da viagem a esse fantástico país que só nos deixou convencidos que não existe outro caminho para o Brasil e para a humanidade que não seja o caminho da democracia, da independência e do socialismo.

domingo, 17 de abril de 2011

RPDC festeja aniversário de Kim Il Sung


A República Popular Democrática da Coreia prepara-se para festejar na próxima sexta-feira (15) o 99º aniversário de nascimento de seu líder e "presidente eterno", Kim Il Sung.
Kim Il Sung é proveniente de uma família de longa tradição revolucionária. Seus pais foram perseguidos por se rebelarem contra o domínio japonês na Coreia. Com apenas 14 anos de idade, funda a "União Para Derrotar o Imperialismo" - mais tarde denominada União da Juventude Comunista.

Destacando-se na luta antijaponesa desde 1932, em 1945 Kim Il-Sung e seu exército revolucionário marcham vitoriosos sobre Pyongyang, sob o incentivo da população local.

Nos dias em que desenvolvia a luta armada por liberar o país que estava sob a ocupação militar de Japão (1905-1945) ele apresentou uma original linha da construção do poder popular e estabeleceu um governo revolucionário.

As experiências e os vitórias acumuladas nesse período serviram de base para a instauração do poder popular na Coreia depois da liberação, que aconteceu em 15 de agosto de 1945.

Kim Il Sung publicou varias obras, como "Sobre a construção do Partido", "O Partido, o Estado e as forças armadas na Pátria liberada", "Sobre a democracia progressista" e "Sobre a construção de uma nova Coreia e a Frente Unida Nacional", nas quais delineia o caráter e a tarefa da revolução coreana, apresentando uma linha política original.

Esta linha resultou na fundação em 9 de setembro de 1948 do primeiro Estado democrático popular no oriente, a República Popular Democrática da Coreia, com a qual o povo coreano, outrora apátrida, passou a viver em um país soberano e independente.

Em 1956 resiste ao revisionismo imposto pela direção do soviético Nikolai Khruchov na URSS. A partir dos anos 70, a Coreia, sob sua liderança, passa a integrar o Movimento dos Não Alinhados.

Durante o conflito sino-soviético dos anos 1960, Kim Il Sung, ao manter neutralidade na questão, desenvolve a ideologia Juche, definida por ele como a "principal fórmula política socialista". Praticada de forma integral, dessa forma desenvolveu-se a "defesa fidedigna do socialismo coreano", apesar das péssimas adversidades dos últimos anos do século 20.

Kim Il Sung colocou como meta a construção de uma potência socialista próspera. Sua orientação resultou em construções monumentais e a transformação em grande envergadura de sua terra.

Kim il Sung faleceu em 1994 aos 82 anos e seus restos encontram-se em um mausoléu em Pyongyang, dedicado pelo povo norte-coreano a seu eterno presidente.

Fonte: Portal Vermelho

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Delegação do blog "Solidariedade à Coreia Popular - Brasil" visita Coreia do Norte


O povo coreano, desde o início do século XX, vinha empreendendo sua revolução democrática, popular e antifeudal contra o colonialismo japonês. A vitória da Revolução Russa de 1917 e a conseqüente penetração das idéias avançadas do marxismo-leninismo na Coreia – outrora colônia japonesa – fará com que a Revolução Coreana tome novo impulso. Destaca-se aqui a figura lendária de Kim Il Sung como líder da Revolução democrática e antiimperialista, e como fundador do Exército Popular Revolucionário da Coreia (1932).


Com a derrota da Alemanha Nazista na Segunda Guerra Mundial em 1945, a União Soviética declara guerra ao Japão. É o início da vitória da Revolução democrática na Coreia – o Exército Vermelho soviético, em conjunto com o Exército Popular Revolucionário da Coreia, golpeia o exército imperialista japonês na Coreia e, com apenas seis dias de batalha, o Japão se rende e a Coreia é libertada.


Sobre isso, Kim Il Sung escreveu:  


“Há cinco anos os soldados soviéticos, combatentes do exército de libertação, penetraram no território da península coreana derrotando em seu avanço as divisões de elite do exército de Kuantung. Quinze de agosto de 1945 ficou assinalado como o grande dia de libertação da Coréia. Durante a sua multi-secular historia, a Coréia foi, por varias vezes, invadida por forças inimigas. Mas habitualmente invadiam a terra coreana usurpadores que atentavam contra a liberdade e a independência de nosso país. E eis que pela primeira vez na sua historia o povo coreano teve oportunidade de se achar na presença de soldados libertadores, e não escravizadores.


Os coreanos foram oprimidos, durante cerca de quarenta anos, pelos imperialistas japoneses, que os privaram de liberdade e dos direitos políticos elementares. Proibia-se ao povo coreano a criação de partidos e organizações democráticas. Sob o ponto de vista econômico a Coréia fora transformada em apêndice fornecedor de matérias primas da indústria japonesa. Os japoneses exploravam avidamente todas as riquezas naturais. O povo vivia na indigência e na ignorância. Quase quatro quintos de toda a população da Coréia era constituída de analfabetos.


Os habitantes de nosso país afirmaram, em carta endereçada a Josef Vissarionóvitch Stálin, após a libertação: 


"Durante quarenta anos o povo coreano não viu o sol. As trevas do inferno obscureciam os horizontes de nossa Pátria o essa noite nos parecia infinita..."


Quinze de agosto de 1945 foi o dia da libertação de nossa terra sofredora o dia da mais grandiosa felicidade de nosso povo. Eessa data é solenemente comemorada, todos os anos, na Coréia. Surgiram novas fábricas e novas usinas, construíram-se novos clubes e novas escolas. Por toda parte — nas cidades e nas aldeias — o povo conhecia uma vida nova e feliz que se manifestava em sua intensa alegria.”


Em 1948, é fundada a República Democrática Popular da Coreia na parte norte da Península Coreana. Mal é fundada, e em apenas dois anos depois a jovem República é submetida a uma invasão perpetrada pelos EUA estacionados na Coreia do Sul, e por seus vassalos sul-coreanos.


Em 1953, com o cessar fogo e com a assinatura do armistício, a povo norte-coreano reinicia sua construção socialista. Rendendo agradecimentos à ajuda financeira, técnica e logística dada pelas democracias populares da URSS, China, RD Alemã, Tchecoslováquia, Bulgária etc., em menos de 20 anos da República Democrática Popular da Coreia já configura-se como um país indústrial-chave em todos os ramos da economia: siderurgia, indústria química, materiais de construção, transporte, e entre vários outros. O padrão de vida da população é constantemente incrementado pela constante queda dos preços e pela elevação cada vez maior do salário real. São construídos mais de 100 mil novos apartamentos por ano, com aluguéis que não ultrapassam 1% do salário nominal dos trabalhadores.


Apartamentos de Pyongyang
É esse país, que há muito e com grande sucesso empreendeu sua Revolução democrática, antiimperialista, antifeudal e socialista, que teremos a oportunidade de conhecer dentro de alguns dias. No mês de abril, uma delegação do blog “Solidariedade à Coreia Popular – Brasil” estará visitando a República Popular da China e a República Democrática Popular da Coreia a convite do governo da RDPC, por intermédio de sua embaixada no Brasil. Todos os custos da viagem serão cobertos pela Associação de Cientistas Sociais norte-coreana e a delegação estará noticiando toda a viagem por meio de artigos, fotos, crônicas e vídeos. 


Agradecemos aos nossos amigos Ri Hwa Gun, Ri Jong Ho, Ma Kyong Ho e Kim Song Il, funcionários da embaixada da RDP da Coreia no Brasil, pelo convite em conhecer seu país. Agradecemos também aos amigos Pedro Oliveira, José Reinaldo Carvalho, Elias Jabbour, Rosanita Campos pela ajuda a nós prestada em termos de informações e experiência, como pessoas que já visitaram a Coreia do Norte.


Agradecemos também a todos os leitores pelo apoio que nos foi dado e por acompanharem sempre as matérias que postamos. O Brasil precisa entender a realidade da Coreia do Norte, ocultada por meio da imprensa controlada por meia dúzia de magnatas. É um dever de qualquer pessoa que tenha compromisso com a verdade conhecer a realidade da Coreia do Norte. Contamos também com a ajuda de todos os leitores na divulgação de nossos textos e das informações de nossa  viagem.


Da redação