sexta-feira, 3 de julho de 2020

Rodong Sinmun: "Fracassará a tentativa de pressão dos EUA contra a China"


Pyongyang, 2 de julho (ACNC) - No último mês de maio, os Estados Unidos oficializaram em seu informe a pressão aberta e total como sua estratégia sobre a China.
O mais grave neste caso é que o país nega totalmente o regime socialista da China, liderado pelo Partido Comunista, qualificando-o como ditatorial.
Adianta assim o diário Rodong Sinmun em um comentário individual divulgado hoje e continua:
Os Estados Unidos elevam em todos os aspectos o antagonismo com a China, considerando o crescimento e desenvolvimento desta nação como uma “ameaça” a sua hegemonia e “liderança mundial”.
Recrudesce a pressão contra o Partido Comunista e o regime socialista da China, visando desintegrar o povo chinês e produzir uma “revolução colorida”.
O socialismo é a opção estratégica do povo chinês. O partido e o governo chinês mantém uma inabalável vontade de defendê-lo e desenvolvê-lo constantemente.
Sob a liderança do PCCh, o povo chinês alcançou mudanças e conquistas que chamam a atenção de todo o mundo. A margem de sua orientação, não se pode pensar nos êxitos notáveis obtidos na campanha profiláctica contra a transmissão da pandemia mundia.
Acossar um país pelo fato de este ter uma diferente ideologia e regime e estar logrando avanços e prosperidade, é uma violação flagrante da soberania e um insulto a dignidade de seu povo.
O povo coreano seguirá apoiando a luta do povo chinês para manter a liderança do Partido Comunista da China, defender as conquistas do socialismo e lograr assim a grande prosperidade da nação chinesa.

terça-feira, 23 de junho de 2020

Che Guevara e sua viagem à Coreia Popular



Dos países socialistas que visitamos pessoalmente, a Coreia é um dos mais extraordinários. Talvez o que mais nos impressionou. Tem somente dez milhões de habitantes e tem o tamanho de Cuba, um pouco menos, uns 110 mil quilômetros quadrados. A mesma extensão territorial que a parte sul da Coreia, porém com a metade de população. Foi assolada por uma guerra tão assustadoramente destrutiva que nada ficou de suas cidades, e quando digo nada, é nada. É como os pequenos povoados de guano que Merob Sosa e Sánchez Mosquera e essa gente queimava aqui, e dos quais não restavam nada mais do que cinzas. Assim ficou, por exemplo, Pyongyang, que é uma cidade de um milhão de habitantes. Hoje não se vê nenhuma reminiscência de toda aquela destruição, tudo é novo. A única recordação que fica é, em todos os caminhos, em todos as estradas e em todas as ferrovias, os ocos das bombas que caíam uma atrás da outra.

Eles me mostraram muitas das fábricas, todas elas reconstruídas e outras recém construídas, e cada fábrica dessas havia suportado entre 30 e 50 mil bombas. Se nós fazemos ideia do que eram 10 ou 12 bombas atiradas ao nosso redor na Serra, que significava um bombardeio terrível, e era necessário ter sua dose de valor para resistir a essas bombas, o que significavam 30 mil bombas atiradas em um espaço de terra, as vezes menor que uma cavalaria!

A Coreia do Norte saiu da guerra sem uma indústria em pé, sem uma casa em pé, até sem animais. Em uma época em que a superioridade área dos estadunidenses era tão grande, e já não tinha o que destruir, os aviadores se divertiam matando o gado, matando o que encontravam. Era, pois, uma verdadeira orgia de morte o que cobriu a Coreia do Norte durante apenas dois anos. No terceiro ano apareceram os Mig-15 e a coisa mudou. Mas esses dois anos de guerra significaram, talvez, a destruição sistemática mais bárbara que já existiu.

Tudo o que se pode contar da Coreia parece mentira. Por exemplo, nas fotografias se vê pessoal com ódio, esse ódio dos povos que alcança a mais profunda parte do ser, quando se assassinam ali com fogo e em outras vezes com gás. Os esquartejamentos das pessoas, matar mulheres grávidas com golpes de baioneta para tirar o filho das entranhas, queimar feridos com lança-chamas... As coisas mais inumanas que se pode imaginar a mente foram realizadas pelo exército norte-americano de ocupação. E chegou quase até a fronteira da Coreia com a China, e ocupou, em determinado momento, quase todo o país. Somado a isto o fato de que na retirada destruíram tudo, podemos dizer que a Coreia do Norte é um país que se fez de mortes. Naturalmente, recebeu a ajuda dos países socialistas, sobretudo a ajuda da URSS, de forma generosa e ampla. Mas o que mais impressiona é o espírito deste povo. É um povo que saiu de tudo isso após uma dominação japonesa de trinta anos, de uma luta violenta contra a dominação japonesa, sem ter sequer um alfabeto. Ou seja, era um dos povos mais atrasados do mundo neste sentido. Hoje possui uma literatura e uma cultura nacionais, uma ordem nacional e um desenvolvimento ilimitado, praticamente, da cultura. Tem ensino secundarista, que lá vai até o nono grau, obrigatório para todos.

Tem em toda a indústria o problema que oxalá nós tenhamos dentro de 2 ou 3 anos, o problema da falta de mão de obra. A Coreia está mecanizando aceleradamente toda a agricultura para conseguir mão de obra e poder realizar seus planos, e também está se preparando para levar aos irmãos da Coreia do Sul o produto de fábricas de tecidos e outras, para ajudá-los a suportar o peso da dominação colonial norte-americana.

É, realmente, o exemplo de um país que graças a um sistema e a dirigentes extraordinários, como é o Marechal Kim Il Sung, pode sair de uma desgraça das mais grandes para ser hoje um país industrializado. A Coreia do Norte poderia ser para qualquer um aqui em Cuba, o símbolo de um dos tantos países atrasados da Ásia. Entretanto, nós vendemos para eles um açúcar semi-elaborado com é o açúcar cru, e outros produtos primários, como o sisal, e eles nos vendem tornos, todo tipo de maquinaria, máquinas de minas, ou seja, produtos que necessitam de uma alta capacidade técnica para ser produzido. Por isso é um dos mais que mais me entusiasma.

Informe de uma viagem aos países socialistas, de 31 de dezembro de 1960
Páginas 57 e 58 das Obras Completas de Ernesto Guevara

Entidades internacionais assinam declaração conjunta


Uma declaração internacional conjunta está sendo assinada em apoio à República Popular Democrática da Coreia diante da nova onda de agressões externas contra a Revolução Coreana.
A declaração, escrita em conjunto pela Associação de Amizade com a Coreia do Reino Unido e o Centro de Estudos da Política Songun do Brasil, condena as ações hostis do regime fantoche da Coreia do Sul que tem provocado a RPDC nas últimas semanas e acabou rompendo todos os compromissos de paz e diálogo na Coreia ao ser cúmplice do lançamento de balões na fronteira da Coreia no início do mês.
A declaração foi aprovada em uma reunião online no último dia 19 e logo em seguida foi assinada por várias organizações de várias partes do mundo.
A declaração é reproduzida a seguir.
DECLARAÇÃO INTERNACIONAL CONJUNTA
Nesse momento, a República Popular Democrática da Coreia está sofrendo mais uma série de agressões de forças externas contra a sua soberania. Tais agressões e ações hostis praticadas pelo governo fantoche da Coreia do Sul estão em desacordo com a Declaração de Phanmunjom de 2018 e são graves violações da paz na Península Coreana. A RPDC sempre se manteve em uma posição diplomática e em busca de diálogos amistosos, mas as autoridades da Coreia do Sul abusaram da paciência e recentemente tomaram ações tolas.
Nossas organizações condenam veementemente as autoridades da Coreia do Sul por conivência com as ações hostis anti-RPDC dos chamados “desertores” na Coreia do Sul, que foram corretamente denunciadas pelo povo da RPDC como escória humana.
O regime sul-coreano é o único culpado pela deterioração das relações inter-coreanas que formou o plano de fundo para a demolição do escritório de ligação inter-coreano. O regime sul-coreano foi conivente nas operações anti-RPDC dos chamados “desertores” da RPDC enquanto fingia que não tinha nada a ver com eles. Sob acordos inter-coreanos que foram assinados em 2018, ambos os lados concordaram em encerrar ações hostis em áreas de linha fronteiriça. No entanto, os “desertores” lançaram folhetos anti-RPDC das áreas da linha de frente contra a RPDC. Este foi um ato de guerra psicológica e, de fato, uma reminiscência dos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. De fato, a guerra psicológica é frequentemente o prelúdio da agressão física real. Se a Coreia do Sul levava a sério os acordos inter-coreanos, por que ela permitiu que “desertores” operassem em seu território? Na verdade, ela sustenta os “desertores” e oferece uma recompensa financeira para as pessoas que desertam da RPDC.
Portanto, apoiamos a ação da RPDC em demolir, por uma explosão controlada, o escritório de ligação inter-coreano em Kaesong e apoiamos as declarações da camarada Kim Yo Jong, Primeira Vice-diretora de Departamento do Comitê Central do PTC e de Jang Kum Chol, Chefe do Departamento da Frente Unida do PTC e de Estado Maior. Parabenizamos a RPDC pela firme determinação de romper relações com a Coreia do Sul.
Essa declaração conjunta está sendo assinada por várias organizações internacionais de estudo e apoio à Revolução Coreana. Nós condenamos veementemente as ações hostis da Coreia do Sul e a quebra dos acordos de paz. Não aprovamos de forma alguma os ataques de “desertores do Norte” e apoiamos completamente as ações da República Popular Democrática da Coreia para defender o seu orgulho e dignidade.
Os ataques e conspirações anti-RPDC das autoridades sul-coreanas são intoleráveis e causam instabilidade na região, quebrando o clima de paz da Península Coreana e causando grandes obstáculos na causa da Reunificação coreana!
Convidamos todas as organizações de amizade e solidariedade da RPDC a intensificarem o seu apoio à RPDC e a fazerem mais para expôr a natureza dupla e corrupta do regime sul-coreano.
Assinado
Várias organizações dos povos livres de todo o mundo
Associação de Amizade com a Coreia – Brasil
Associação de Amizade com a Coreia – Reino Unido
Associação de Amizade com a Coreia – Sérvia
Associação de Estudo da Política Songun – Reino Unido
Centro Brasileiro de Estudos sobre a Coreia Popular
Centro de Estudos da Ideia Juche – Brasil
Centro de Estudos da Política Songun – Brasil
Grupo Britânico de Estudo da Ideia Juche
Grupo de Estudos da Ideia Juche – Irlanda
Grupo de Estudos da Política Songun – Bangladesh
Instituto Latino-Americano de Estudo da Ideia Juche
Fonte: CEPS

domingo, 21 de junho de 2020

Rodong Sinmun comemora 25° aniversário de publicação de obra de Kim Jong Il




KCNA - No dia 19 de junho, o jornal Rodong Sinmun divulgou um artigo individual por ocasião do 25° aniversário da publicação da obra do Dirigente Kim Jong Il “Priorizar o trabalho ideológico é requisito indispensável para o cumprimento da causa socialista”.

O trabalho, que apareceu em 19 de junho de 84 da era Juche (1995), aclara a via para resolver satisfatoriamente todos os problemas surgidos na revolução e construção e realizar com sucesso a causa socialista com o poderio da ideologia, afirma o articulista e prossegue:

Ao priorizar o trabalho ideológico está garantia da existência e do futuro do socialismo.

Nosso Partido insiste que a atual arremetida frontal deve ser uma campanha de mobilização ideológica.

A ofensiva ideológica de caráter revolucionário constitui a chave para fortalecer por todos os meios a unidade monolítica, símbolo do socialismo ao nosso estilo, e formar a todos os habitantes como defensores resolutdos da pátria e construtores competentes do socialismo.

Nosso Partido sempre prestou muita atenção a educação e autoconfiança tomando-a como tarefa importante do trabalho ideológicos, graças a qual nosso povo pôde lograr grandes transformações nunca antes vista em nossa milenar história nacional.

Armar a todos os membros da sociedade com a única ideologia revolucionária e alcançar a identidade ideológica baseado nega, aqui está o requisito ingênito da sociedade socialista.
Durante o aprofundamento dos trabalhos para estabelecer o sistema de ideologia única em toda a sociedade, se fortalecerá as ideias e as convicções, assim como será mais sólida a unidade ideológica e política de nosso Estado.

Rodong Sinmun reitera que será eterna a amizade entre Coreia e China





Pyongyang, 20 de junho (ACNC) – O periódico Rodong Sinmun divulgou hoje um artigo individual em homenagem ao primeiro aniversário do encontro entre o Máximo Dirigente Kim Jong Un e Xi Jinping, Secretário-Geral do Comitê Central do Partido Comunista da China e Presidente da República Popular da China, que realizou uma visita de Estado a República Popular Democrática da Coreia.

Essa reunião em Pyongyang é um marco importante para aprofundar a amizade entre os dignatários de ambos países e desenvolver as relações bilaterais, apontou o diário, e continuou:

Durante um longo tempo, os partidos e povos dos dois países vizinhos fortalecem o apoio e a cooperacão na luta conjunta pela independência anti-imperialista, a paz e o socialismo, oferecendo o sangue e a própria vida.

O socialismo é a grande bandeira que liga os dos líderes supremos com os povos de ambos os países na base da confiança e obrigação mora.

Hoje em dia, os dois partidos e países juntam suas almas e forças na vida de defender e desenvolver o socialismo superando o despotismo e os atentados desesperados das forças hostis.

Continua a histórica tradição de amizade entre Coreia e China que respaldam fortemente uma a outra em meio a uma complicada situação internacional.

Se consolidará e se desenvolverá também no futuro essas relações amistosas sob a profunda atenção dos mandatários e avançará triunfantemente nos dois países a construção socialista. -0-

sábado, 20 de junho de 2020

Mensagem do Centro de Estudos da Ideia Juche - Brasil enviada ao CC do Partido do Trabalho da Coreia


Por ocasião do 56° aniversário do início dos trabalhos do camarada Kim Jong Il no Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia, o Centro de Estudos da Ideia Juche – Brasil publica a seguinte mensagem de felicitação ao povo coreano:

Hoje o povo coreano comemora o 56° dos inícios do trabalho do Dirigente Kim Jong Il no Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia.
Ao iniciar os seus trabalhos no Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia, o camarada Kim Jong Il defendeu firmemente a ideologia revolucionária do Presidente Kim Il Sung e desenvolveu importantes atividades para que o Partido afirmasse o seu caráter revolucionário e jucheano. Graças ao camarada Kim Jong Il, o Partido do Trabalho da Coreia, aderindo firmemente a Ideia Juche, fortaleceu sua unidade militante como um Partido kimilsunista. Em junho de 1964, Kim Jong Il afirmou que: “O que importa no trabalho e nas atividade de nosso Partido é estabelecer estritamente em todas as suas fileiras o sistema ideológico do Líder”.

Quando o camarada Kim Jong Il iniciou os seus trabalhos no Comitê Central do Partido, o movimento comunista e revolucionário internacional atravessava um período bastante delicado, devido às atividades fracionistas dos revisionistas contemporâneos. O camarada Kim Jong Il soube analisar tal situação complexa e formular corretas orientações políticas que fortaleceram o caráter revolucionário do Partido do Trabalho da Coreia, desmantelando assim grupos revisionistas e dogmáticos aduladores das grandes potências. Kim Jong Il deu decisivas contribuições ideológicas, ao explicar o conteúdo e o desenvolvimento histórico da ideologia precedente da classe operária, e de que modo o kimilsunismo representava uma nova ideologia, que herdava os princípios revolucionários das ideologias precedentes, ao mesmo tempo em que seria uma teoria nova e original, baseado na ideia Juche. Esse correto entendimento foi fundamental para demarcar campo com os revisionistas contemporâneos e os dogmáticos de “esquerda” e assim estabelecer o sistema de ideologia única do Partido.

Kim Jong Il também deu valiosíssimas contribuições no campo da defesa nacional, para fortalecer o poderio defensivo da pátria socialista e assim fortalecer o socialismo contra as manobras imperialistas, que sempre buscam lançar novas guerras de agressão.

Kim Jong Il dirigiu uma profunda revolução no campo da arte e da literatura, promovendo assim um renascimento artístico e literário de caráter socialista; inúmeros novos livros, filmes, pinturas e obras arquitetônicas foram surgindo, refletindo brilhantemente o caráter da nova época onde as massas populares são donas da sociedade.

As brilhantes vitórias e conquistas do povo coreano nos dias atuais, são produto direto de todo um legado deixado pelos líderes revolucionários Kim Il Sung e Kim Jong Il. Atualmente, sob a liderança do camarada Kim Jong Un, o Partido do Trabalho da Coreia dirige o povo coreano em sua luta pela construção e consolidação do socialismo centrado nas massas populares. Temos a certeza de que o caminho traçado pelo Partido do Trabalho da Coreia é correto, e reflete as demandas das massas populares em sua luta por independência nacional e social. Também no futuro seguirá o Partido do Trabalho da Coreia levantando alto a bandeira do Kimilsunismo-Kimjongilismo, defendendo a bandeira vermelha do socialismo, marchando em conjunto com todos os povos do mundo que lutam por sua libertação.

CENTRO DE ESTUDOS DA IDEIA JUCHE – BRASIL

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Publicada declaração de Kim Yo Jong, primeira subchefa do departamento do CC do Partido do Trabalho da Coreia


Camarada Kim Yo Jong


Pyongyang, 17 de junho (ACNC) – A primeira sub-chefa do Departamento do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia, Kim Yo Jong, publicou no dia 17 a seguinte declaração:

Quando as relações Norte-Sul chegaram a pior conjuntura irremediável, o governante sul-coreano finalmente quebrou o silêncio.

No último dia 15, ele pronunciou seguidamente dois discursos prolixos na reunião de secretários superiores e assistentes da Chongwadae e uma mensagem em vídeo enviado ao “ato comemorativo do 20° aniversário da Declaração de 15 de Junho”.

Usava a mesma gravata que o ex-mandatário no momento da assinatura da Declaração Conjunta de 15 de Junho de 2000, e apareceu na mesma tribuna usada durante a publicação da Declaração Conjunta de Phanmunjom de 2018. Apesar do simbolismo e significado, o seu discurso foi repugnante.

Em uma palavra, seus pronunciamentos foram cínicos e atrevidos do começo ao fim.

Senti náuseas ao ouvir o chamado discurso do “presidente”, repleto de justificações de si mesmo, tentativas de fugir de sua responsabilidade e profundo servilismo às grandes potências, na qual não se pode apreciar nenhuma responsabilidade e vontade assumida diante da nação, e os remédios para reparar a situação atual.  

É uma retórica que inverte as coisas.

É um fato conhecido por todos que a grave situação atual se deve ao lançamento de balões anti-RPDC por escórias humanas e a tolerância e cumplicidade das autoridade sul-coreanas.

Portanto, o governo sul-coreano deveria expressar em seu discurso a desculpa e uma reflexão dando firme garantir para prevenir que tais atos provocadores se repitam.

Porém, ele apenas deu desculpas e palavras bonitas para não assumir sua culpa, tais como que a paz não chega em uma manhã, que se deve ter convicção otimista como o curso de um rio que chega ao mar, e que é necessário avançar passo a passo, ainda que fosse devagar.

Parece que lhe custou muito trabalho para colher as expressões e assim ser um “atrativo orador”com sua peculiar linguagem e modo coloquial. Gostaria de perguntar se ele conhece a essência da situação atual.

Não se pode ignorar com abstração retórica florida o lançamentos de panfletos anti-RRPDC cometido pelos desperdícios biológicos e sua cumplicidade com as autoridades coreanas.

A parte Sul tratou de vulnerar o princípio de respeito mútuo e confiança que constituem o fundamento e ponto de partida das relações Norte-Sul. Aqui está a gravidade do problema.

Caluniou atrevidamente a nosso companheiro Presidente do CE, máxima dignidade que santificamos mais do que ninguém, e ao mesmo tempo, insultou a todo nosso povo.

Como isso pode ser qualificado como conduta de “algumas pessoas” e de “assunto incomodo e difícil”, tratado como um mero “pesar”?

Reitero que o insulto atrevido ao companheiro Presidente, representante da nossa dignidade, significa a ofensa ao núcleo espiritual de nosso povo e não podemos tolerar de nenhum modo. Este é o sentimento ideológico de todo o povo e nosso estilo estatal.

Há pouco, Chongwadae reconheceu oficialmente que o lançamento de balões anti-Norte é um ato nocivo e inútil, declarando que tomaria contra-medidas rotundas, o que mostra que parte Sul conhece muito bem a gravidade de seu crime.

Porém, o governante sul-coreano não reconhece sua culpa, nem reflexiona e não toma nenhuma correspondente.

A imputação da responsabilidade do próprio pecado é uma prática dos covardes.
Produz grande consternação o discurso caracterizado pelo cinismo e repugnância, pronunciado pela máxima autoridade que representa o Sul da Coreia.

Ele insiste tanto no avanço contínuo das relações intercoreanas, porém não reconhece francamente sua culpa, o que constituiria um primeiro passo. Sem apresentar nenhuma medida para frear as feitorias das escórias humanas, disse estar preocupado pela possibilidade de se envolver em um turbilhão não desejado.

Sua verdadeira intenção está em dissimular o seu crime e evadir a crise atual com charlatanice. É então uma ideia simplista e estúpida.

Como se poderá mudar as relações intercoreanas com algumas palavras sedutoras, já que se rompeu a raiz e a confiança mútua e se chegou ao extremo da aversão?

Sofismas cínicos para evitar assumir responsabilidade.

O mandatário sul-coreano é o responsável por levar adiante as relações intercoreanas.
É muito natural que ele assuma a atitude e a responsabilidade total pelos vínculos N-S, queira eles marchem bem ou não, porque foi ele que assinou a histórica Declaração de Phanmunjom e Pyongyang, prometendo o destino e o futuro da nação frente 80 milhões de coreanos.

Porém, em seu discurso, ele atribuiu a fatores externos o estancamento das relações N-S.

Em tom de queixa, disse que a política sobre o Norte perdeu sua constância devido a mudança do “poder” e não se desenvolveu de maneira reta as relações entre ambas partes coreanas devido aos auto e baixos da situação internacional.

Teria sido melhor se ele tivesse dito sem rodeios que para eles não havia nada que pudesse ser feito desde o princípio para a implementação das declarações conjuntas.

Suas palavras querem dizer que o vínculo N-S não deu um passo adiante devidão a situação interna no Sul da Coreia e por falta de apoio dos Estados Unidos e da sociedade internacional. Então, essas não passam de desculpas que tira a razão da “teoria do condutor” de que falavam tanto no passado.

Além disso, ele disse que “é uma grande lástima que as relações N-S não tenham avançado como o esperado”. Não é uma atitude e posição para um chamado “chefe de Estado” ficar se expressando somente sobre esperanças ambíguas e lástimas.

O que não se pode passar por cima é que ele teme que nossa parte regresse a época de confrontação do passado criticando a parte Sul e cortando toda a comunicação pelo incidente de lançamento de balões por parte dos “fugitivos do Norte” e que deseja resolver o problema mediante o intercâmbio mediante troca de opiniões e cooperação.

Parece que suas palavras cheiram a cinismo.

Quem traiu a confiança e deixou de cumprir a promessa desobedecendo nossos conselhos de retornar a posição de autor das relações N-S?

Como se fosse pouco, o governante sul-coreano tenta cinicamente e insolentemente tentar nos culpar pelo presente caso engendrado por sua parte.

A primeira cláusula do segundo artigo da Declaração de Phanmunjom estipula o cessar da radioemissão com auto-falantes, o lançamento de balões e todas as demais formas de atos hostis na Linha de Demarcação Militar.

É evidente que para todos que a responsabilidade do lançamento de panfletos anti-RPDC, que teve lugar no Sul da Coreia durante logos dois anos, recai sobre as autoridades sul-coreanas que o toleraram em silêncio.

O cinismo das autoridades sul-coreanos chegou ao seu auge quando falaram como se estivessem realizando imensos esforços para executar o acordo N-S.

Então, qual é o artigo da Declaração de Phanmunjom e a Declaração Conjunta de Pyongyang que foram cumpridas devidamente pelas autoridades sul-coreanas?

O que elas fizeram foi ter mendigado ajuda para a sociedade internacional, deixando se levar pelo estado de humor de seu amo, longe de desempenhar o papel de protagonista.

Não obstante, as astutas autoridades sul-coreanas a descreveram descaradamente como “esforços constantes” e “linha de comunicação”.

O mesmo mandatário sul-coreano havia confessado que tratou com muita cautela sobre o tema das relações N-S, como se estivesse pisando em ovos. Pois, ele que vacilou sem poder executar até o que pode ser feito entre ambas as partes.

Não se pode imputar o evitar a responsabilidade da história.

Um homem deve ter pelo menos a postura de assumir a responsabilidade que lhe corresponde.

Baixeza e submissão manifestadas

Ao dizer que as “declarações N-S constituem um princípio firme que não deve ser afrouxado”, o mandatário sul-coreano se pronunciou como se fosse fazer algo para as relações intercoreanas, ainda que não existam as “condições propícias”.

Não obstante, se revelou claramente o seu inalterável atributo servi às grandes potências ao escutarmos sua retórica entendiante de que a “situação atual não permite que ambas as partes coreanas marchem com vontade própria” e de que “realizará esforços constantes para conseguir o consentimento da sociedade internacional ainda que isso demore muito”.

Conhecemos assim sua situação miserável de viver coibido de acordo ao estado de ânimo de seu amo. Porém, sua conduta demasiada servil é como mendigar a ajuda para um gangster que destruiu sua casa, até na atual conjuntura catastrófica das relações Norte-Sur.

Como é reconhecido por todos, os excelentes acordos N-S não deram um passo adiante para sua implementação devido o jugo do servilismo aos Estados Unidos, que tomou para si a parte sulina.

As trágicas consequências de hoje foram provocadas pelo fato de que ele remeteu a consideração da Casa Branca todos os assuntos surgidos nas relações intercoreanas, chegando a aceitar de boa vontande a proposta do “grupo de trabalho Coreia do Sul-EUA”, que foi imposto pelo seu amo, ainda antes de se assinar o acordo Norte-Sul.

Sabem as autoridades sul-coreanas que eles violam flagrantemente o acordo N-S e suas ações imbecis são feitas sob mando de seu amo, tais como realizar exercícios militares e comprar armas sofisticadas com somas astronômicas recolhidas por meio do imposto.

Conduzem o Sul da Coreia pelo caminho da submissão prolongada e traição cínica da sua confiança cega em que antes do acordo essa “aliança” e o seu poder podem lhe assegurar a paz.

Durante os últimos anos, as autoridades sul-coreanas recorrem a política estranha de “circulação primeira” das relações N-S e as entre RPDC-EUA, em lugar de preconizarem a independência nacional. Mesmo quando expuseram a vontade, ainda que tardiamente, a vontade de “ampliar o escopo de ação”, colocam como condição absoluta que ela seja “dentro dos marcos da sanção”.

Hoje em dia, as relações intercoreanas se converteram em uma matéria manipulada pelos Estados Unidos, resultado trágico do obstinado e crônico servilismo e submissão das autoridades sul-coreanas.
O problema é que até em este momento delicado, o governante sul-coreano mostre sua imagem penosa insistindo em não se separar das forças estrangeiras.

Se diz que até um animal não cai duas vezes na mesma armadilha.

Porém, ele repete orações estúpidas cada vez que pronuncia um discurso, fato que me faz pensar com preocupação se esse homem, aparentemente normal, não sofreria de algum tipo de transtorno mental.

O servilismo as grandes potências e a submissão são o prelúdio da autodestruição.
É nossa convicção invariável que não podemos discutir mais as relações intercoreanas com uma contraparte tão covarde.

Em caso de um político, o seu ideal é importante, porém não deve faltar o temperamento de fazer com ousadia aquilo que deve ser feito.

É certo que há homens que preferem mais a palavra do que a ação.

Cada vez que se coloca em frente de uma câmera ou microfone, se porta como uma criança ingênua dizendo palavras cheias de esperanças, como um apóstolo da paz que advoga por tudo que é justo. Então, me dá pena ver sozinha essa horrível cena, portanto preparei essa bomba verbal para que conheçam um pouco como pensam nossos habitantes.

Em todo caso, as autoridades sul-coreanas não poderão fazer nada com a nossa parte.

O único que poderão fazer no futuro é se arrepender e lamentar.

Sentirão na própria carne com o passar do tempo quão caro lhes custaria a traição à boa fé alheia. -0-


sábado, 23 de maio de 2020

40 anos do Levante de Gwangju: breve histórico da resistência do povo sul-coreano



Na data de 18 de maio de 1980, o heroico povo sul-coreano pegou em armas para se opor ao morticínio do regime militar-fascista de Chun Doo Hwan, patrocinado pelo imperialismo ianque. Sob pretexto de “combater o comunismo” e as chamadas “rebeliões pró-Coreia do Norte”, o regime de Chun Doo Hwan enviava suas tropas, tanques e até mesmo aviões militares para ocupar os campi das principais universidades da Coreia do Sul, reprimindo o combativo movimento estudantil sul-coreano que se mobilizava em defesa da plena democratização da Coreia do Sul, pela revogação das leis fascistas, e parte expressiva deste movimento estudantil compartilhava de uma visão consequentemente anti-imperialista, reivindicando a retirada das tropas ocupantes norte-americanas do país e a reunificação nacional com o Norte socialista.

Na cidade de Gwangju (província de Cholla do Sul), as hordas do regime de Chun Doo Hwan, insanas e descarregando o ódio mais animalesco por meio de prisões, espancamentos de estudantes até a morte, fuzilamentos indiscriminados contra a população comum, invasão de casas e propriedades, estupros, abortos forçados contra mulheres grávidas, dentre demais barbaridades, os fascistas logo tiveram a resposta do povo: enquanto, inicialmente, o perfil dos manifestantes contra os arbitrariedades das tropas de Chun Doo Hwan era composto basicamente por estudantes, pouco a pouco a população comum passa a compor a esmagadora maioria nos protestos, que assumem um caráter cada vez mais radical. As massas de Gwangju não aceitam passivamente as humilhações e assassinatos diários de seus pais, mães, filhos e amigos queridos. A partir de manifestantes que já haviam servido no exército reacionário sul-coreano, não foi difícil para que o povo invadisse em massa depósitos de armas do governo – dado que as tropas se encontravam mobilizadas em sua esmagadora maioria para a repressão nas ruas –, rendendo e executando oficiais, expropriando armas para a formação do que viria a ser o Exército Civil.

A luta armada em Gwangju duraria cerca de dez dias. Neste meio tempo, as massas armadas lograriam expulsar as tropas de Chun Doo Hwan e manter o controle da cidade, construindo um quartel-general no que era anteriormente a Prefeitura Municipal de Gwangju. Estando as massas de Gwangju, porém, isoladas, sem uma perspectiva política unificada entre os diferentes setores do movimento popular, sem o apoio e a organização das massas no restante do país e sem a experiência militar devida, o cerco do regime de Chun Doo Hwan sobre a cidade, bloqueando-a e esgotando-a por meio do corte de fornecimentos de alimentos, combustíveis e demais suprimentos, termina por impor uma derrota à heroica resistência de Gwangju, num massacre cujos números são altamente controversos, com muitos avaliando em pelo menos dois a cinco mil mortos pelo regime.

Parece curioso usarmos termos como “fascismo”, “mortes”, “espancamentos”, “luta pela democracia” ou demais para caracterizarmos o regime sul-coreano, numa época em que todas estas palavras são atribuídas à Coreia do norte socialista. É possível que a esmagadora maioria da esquerda brasileira, em quase sua totalidade, jamais tenha ouvido falar do que foi o Levante de Gwangju, uma verdadeira Comuna de Paris do povo sul-coreano, que se levantou em armas contra seus exploradores e opressores. Fazemos parte de uma geração à qual foi negada o direito de conhecer a história de luta dos povos do mundo, as guerras de resistência e a verdade sobre quem se coloca realmente ao lado do fascismo, e quem se põe pela democracia e o progresso social. Isso é particularmente verdadeiro no caso de Gwangju, o massacre esquecido do fascismo sul-coreano.

Ademais, a luta do povo sul-coreano nem de longe se limita ao Levante de Gwangju. Ao contrário, desde sua fundação no ano de 1948 pela criminosa ocupação dos Estados Unidos, o sul da Península foi e é palco de intensas lutas populares contra a repressão política criminosa, que acompanha toda a sua história.

Portanto, na data em que se marca os 40 anos do início da resistência de Gwangju, pensamos ser pertinente, como forma de homenagear as massas sul-coreanas em luta, traçar um breve histórico de sua resistência contra o imperialismo norte-americano e a reação local. Esperamos contribuir para que os brasileiros desenvolvam ainda mais seus sentimentos internacionalistas para com as lutas de libertação nacional.

A ocupação dos Estados Unidos na Coreia do sul e o estabelecimento de um regime fantoche

Antes de entrarmos propriamente no Levante de Gwangju, traçaremos uma apresentação do desenvolvimento do regime neocolonial vigente na Coreia do Sul, que viveu durante anos sob a tutela de um regime militar fascista apoiado pelos Estados Unidos.

Desde a libertação da Coreia do jugo do imperialismo japonês, no ano de 1945, a parte sul da península vive sob a ocupação militar dos Estados Unidos, que, no contexto da Guerra Fria, promoveu o anticomunismo e o fascismo, como forma de conter a ascensão das lutas operárias e populares do povo sul-coreano, e que inspirado no exemplo do que ocorria na Coreia do norte, exigia a construção de um Estado democrático, progressista e soberano.

Após uma longa guerra de libertação contra o Japão, o norte da península coreana foi libertado do imperialismo japonês pelas ações conjuntas do Exército Popular Revolucionário da Coreia, dirigido por Kim Il Sung, e do Exército Vermelho soviético. Os Estados Unidos esperavam que, com a rendição do Japão, poderiam assim passar a ocupar todo o território coreano. Vendo o avanço fulminante das forças guerrilheiras, junto com o Exército Vermelho, os imperialistas norte-americanos propuseram o estabelecimento do Paralelo 38, que cortou a península coreana ao meio e viria a sacramentar, em breve, a histórica divisão entre “Coreia do Norte” e “Coreia do Sul”.

Os Estados Unidos estacionariam suas tropas no sul da península apenas algumas semanas após a libertação do país, sem terem fornecido qualquer contribuição efetiva para a expulsão das forças japonesas da Coreia. Uma das primeiras medidas tomadas pelos militares ianques foi a dissolução forçada dos comitês populares, colocando à frente do poder político figuras ligadas à antiga administração colonial e até mesmo ao imperialismo japonês. Na parte norte da península, a revolução democrática, anti-imperialista e antifeudal avançava com ímpeto, servindo como sólida base para o estabelecimento de um Estado unificado, democrático e próspero.

É importante destacarmos que os Estados Unidos, desde que chegaram no sul da península coreana, jamais cumpriram qualquer papel minimamente progressista. Antes mesmo da chegada dos ocupantes norte-americanos, as massas sul-coreanas haviam estabelecido a República Popular da Coreia: tentativa de construção de um novo Estado, que se apoiava nos comitês populares locais. A política de repressão e supressão praticada pelos Estados Unidos no sul da Coreia foi completamente diferente daquela aplicada pelos soviéticos no Norte, onde os comitês populares foram reconhecidos, e as atividade dos partidos democráticos eram realizadas normalmente.

Ao chegar no país, os Estados Unidos logo trataram de acabar com tal experiência, dissolvendo a República Popular da Coreia, prendendo e perseguindo seus principais líderes.

Desde o começo, os Estados Unidos trataram de impor ao país uma administração de tipo militar e neocolonial, passando a controlar a Coreia do Sul política, cultural e economicamente. No ano de 1946, para tentarem legitimar sua administração militar, trouxeram dos Estados Unidos aquele que seria o primeiro ditador da futura república fantoche: Syngman Rhee (ou Ri Sin Man). Syngman Rhe era uma figura historicamente pró-norte-americana, que havia se exilado nos Estados Unidos no ano de 1904, sendo nomeado posteriormente como presidente de uma autoproclamada “Assembleia Democrática da Coreia do Sul”, em 1947, seria renomeada como “Assembleia Legislativa Interina”.

Durante certo período, os Estados Unidos a União Soviética realizaram diversas conversas para estabelecerem uma solução para o problema da divisão da Coreia. De acordo com a jornalista Anna Louise Strong:

“Por dois anos, essas conversas só contribuíram para aumentar a amargura. Os americanos insistiram em incluir no governo provisório os colaboradores pró-japoneses e os exilados que regressaram. Os russos recusaram. Os russos insistiram em incluir representantes dos sindicatos, das organizaçõs camponesas e outras semelhantes. Os EUA não quiseram ouvir falar sobre isso.

Por fim, os soviéticos acabaram por propor que ambos os países se retirassem da Coreia – o que foi cumprido pela parte soviética em dezembro de 1948 – proposta obviamente rechaçada pelos imperialistas norte-americanos.” [1]

Em 1948, os Estados Unidos promoveram um processo eleitoral farsante, que iria culminar posteriormente na fundação da “República da Coreia”, um Estado fantoche controlado pelos Estados Unidos. Os Estados Unidos, ainda em 1947, aproveitaram-se de sua hegemonia nas Nações Unidas para aprovar uma resolução que desse guarida a realização de eleições. Dessa resolução, surgiu a chamada Comissão Temporária das Nações Unidas para a Coreia, que se encarregaria de organizar a farsa eleitoral. A parte norte da península coreana, obviamente, não tomou parte no processo.

A realização de eleições separadas foi alvo de intenso repúdio por amplos setores das massas coreanas, que viam na medida uma tentativa de perpetuar a divisão da península. Mesmo antes da realização do processo eleitoral farsante, já havia o entendimento de que os Estados Unidos e os reacionários sul-coreanos visavam realizar eleições de tal tipo. Em todo o território da Coreia do Sul, eclodiram revoltas contra o imperialismo norte-americano.

Em 1 de maio de 1947, vastos setores da população da Ilha de Jeju saíram às ruas para denunciar as manobras para a realização de eleições separadas. As forças da repressão dispararam contra a população desarmada, resultando na morte de cerca de seis pessoas. Por se tratar de uma ilha situada ao sul – portanto um território separado da parte continental da Coreia – Jeju possuía uma dinâmica política própria. De acordo com o historiador Bruce Cumings:

“A liderança política efetiva de Jeju, até o começo de 1948, era exercida por poderosos comitês populares de esquerda, que emergiram pela primeira vez em agosto de 1945, e continuaram operantes sob a ocupação americana (1945-1948). A ocupação americana preferiu ignorar Jeju, ao invés de dar razão aos comitês; aquela apontou uma liderança continental formal, mas deixou o povo da ilha administrar seus próprios assuntos.” [2]

As manobras dos reacionários sul-coreanos e dos imperialistas norte-americanos para fundar um país em separado, mediante realização de eleições farsantes, desencadeou um profundo ódio na população de Jeju, que conduziu luta armada contra o imperialismo norte-americano e suas marionetes. Grandemente dirigidas pelo Partido do Trabalho da Coreia do Sul, as massas da ilha lançaram enfrentamentos armados, incendiaram centros de votação e delegacias de polícia. A classe operária realizou importantes greves, que chamavam atenção por sua radicalidade.

Para reprimir as manifestações da população de Jeju, os imperialistas norte-americanos recrutaram para o trabalho sujo os “serviços” da chamada “Liga da Juventude do Norte”, organização paramilitar de tipo fascista, formada em sua grande medida por elementos reacionários que escaparam do norte da Coreia. A Liga da Juventude do Norte era conhecida por sua crueldade contra a população. Assim disse o historiador George Katsiafikas: “estes assassinos não pagos viviam dos saques da guerra, estuprando e assassinando de aldeia em aldeia, sujeitando os indefesos nativos da ilha – particularmente as mulheres – a torturas e humilhações.” [3]

O Levante Popular de Jeju foi uma das primeiras grandes revoltadas do povo sul-coreano contra a opressão do imperialismo norte-americano e dos reacionários sul-coreanos. O Levante Popular de Jeju foi afogado num mar de sangue, deixando entre 30 mil e 60 mil mortos, com cerca de 40 mil pessoas buscando exílio no Japão. Nessa mesa época, ocorrem outros levantes importantes que também podem ser lembrados, tais como o Levante de Yo Su. Na cidade portuária de Yo Su, um contingente de tropas que aguardavam para reprimir o povo de Jeju se recusaram a servir de bucha de canhão no massacre de seus compatriotas, e se rebelam contra o governo, passando para a luta armada. Como podemos ver, o povo sul-coreano, desde o princípio, resistiu bravamente contra as maquinações do imperialismo norte-americano. Somente após diversas campanhas repressivas e um verdadeiro massacre contra a população, a República da Coreia – Estado fantoche até os tempos atuais na parte sul da península – pôde ser fundada. Durante a Guerra da Coreia, inúmeros massacres seriam também cometidos pelo regime fantoche em conluio com o imperialismo norte-americano, de modo que poderíamos escrever dezenas de artigos sobre cada um deles.

O Levante de Abril de 1960

A primeira etapa da República da Coreia foi comandada por Syngman Rhee. Após as eleições fraudulentas realizadas em 10 de maio de 1948, Syngman Rhee governaria a Coreia do Sul deste ano a 1960. Durante a época em que esteve no poder, Syngman Rhee encabeçou o país com mão de ferro, perseguindo milhares de patriotas que lutavam contra a dominação do imperialismo norte-americano. Um dos casos mais emblemáticos de repressão política contra lideranças pró-reunificação foi a prisão (1956) e execução (1959) de Cho Pong Am, que havia sido candidato à presidência da Coreia do Sul pelo Partido Progressista e recebido dois milhões de votos no pleito eleitoral realizado em 1956. Cho Pong Am, como a maioria dos opositores políticos ao regime marionete, seria acusado de “espião da Coreia do Norte”.

Do ponto de vista econômico, o país foi igualmente colocado sob completo domínio e dependência do “auxílio” financeiro norte-americana que, em 1953, representava 14% do Produto Nacional Bruto do país, e que em 1957 chegaria a aproximadamente 23%. Uma parte significativa desse montante parava nos bolsos de uma nova classe de capitalistas burocráticos que se formava, bem como dos próprios correligionários de Syngman Rhee e seu bando. A corrupção atingia níveis gigantescos e contribuía para aumentar a insatisfação popular contra o regime, que nunca gozou de real legitimidade entre as massas populares. Em 11 de março de 1960, a população da cidade de Masan vai às ruas protestar contra as eleições fraudulentas realizadas por Syngman Rhee. Em 15 de março de 1960, tais protestos se alastram para outras cidades da Coreia do Sul e são violentamente reprimidos. A repressão contra o movimento só fez com que a rebelião das massas aumentasse em adesão. Em Seul, manifestantes cercaram e incendiaram edifícios do governo, do Partido Liberal (que se encontrava no governo) e da “Associação da Juventude Anticomunista da República da Coreia”. Apesar das manifestações se dirigirem inicialmente contra o governo Syngman Rhee, havia um forte sentimento anti-imperialista por trás das motivações dos estudantes. O Departamento de Estado dos Estados Unidos, hipocritamente, dando-se conta de ter a imagem do país ligada ao governo de Syngman Rhee, publicou uma nota exigindo que o governo sul-coreano tomasse “necessárias e efetivas ações para proteger o direito democrático de expressão, reunião e liberdade de imprensa”, além de ter “criticado” as medidas repressivas do governo.

Usando uma tática que seria repetida em outros episódios – tais como no próprio Levante Popular de Gwangju de 1980 –, os Estados Unidos procuravam passar para o povo sul-coreano e a opinião pública internacional uma imagem de “distanciamento” em relação ao governo Syngman Rhee, como se o regime reacionário vigente na Coreia do Sul não fosse em si uma criação ianque. Conforme observou um editorial do Diário do Povo, publicado em 25 de abril de 1960, “sem as baionetas norte-americanas, o regime de Syngman Rhee não teria durado um dia sequer”. Syngman Rhee acabou renunciando, terminando sua lamentável trajetória de lacaio dos Estados Unidos num exílio no Havaí.

O regime de Pak Chung Hee

Depois da queda de Syngman Rhee, a Coreia do Sul viveu um curtíssimo período de “democracia” burguesa. A administração do Estado marionete passou às mãos de setores mais liberais das classes dominantes sul-coreanas, o Estado foi reorganizado em bases parlamentaristas e Chang Myon foi eleito Primeiro-Ministro do país. Em 16 de Maio de 1961, Chang Myon é vítima de um golpe de Estado liderado pelo militar reacionário Pak Chung Hee. O golpe de Estado inaugura uma nova fase na vida política da Coreia do Sul, que seria igualmente marcada pela brutal exploração dos trabalhadores e repressão dos movimentos de massas, em especial aqueles de caráter revolucionário. Pak Chung Hee instaura uma ditadura militar de tipo fascista.

Pak Chung Hee foi um antigo colaborador japonês. Durante sua juventude, alistou-se no Exército Imperial Japonês e estudou na Academia Militar de Tóquio. Seu nome japonês era Okamoto Minoru. Ainda no começo de seu governo, instalou uma chamada “corte revolucionária” que ficou encarregada de prender e executar alguns nomes do período anterior. O golpe de Estado perpetrado por Pak Chung Hee buscou se apresentar para as massas como a real culminação do espírito das revoltas de abril de 1960 que derrubaram Syngman Rhee. No começo, adotou uma postura hostil aos chamados chaebols, conglomerados estatais sul-coreanos que haviam começado a prosperar ainda época de Syngman Rhee, graças à sua política de “substituição de importações”. Os chaebols eram vistos pela opinião pública sul-coreana como fontes de corrupção. Pak Chung Hee, junto a seu colaborador político Kim Jong Pil, criaria a KCIA, uma agência de espionagem anticomunista, que ficaria conhecida por sequestros internacionais de professores e estudantes sul-coreanos que viviam no estrangeiro. Promove uma política de hostilidade aberta contra os países socialistas. Os imperialistas norte-americanos avaliavam que, sob Pak Chung Hee, a Coreia estaria avançando corretamente.

Com a Guerra do Vietnã, a capacidade dos Estados Unidos em financiar a economia sul-coreana for enfraquecida (na época, 80% dos investimentos de capital fixo provinham dos Estados Unidos). Assim, Par Chung Hee propôs, com apoio ianque, a normalização de relações e uma maior aproximação com o imperialismo japonês. Em março de 1964, frente às negociações entre Japão e Coreia do Sul, as massas populares sul-coreanas novamente se levantam, gritando abertamente “Morte ao imperialismo japonês!”.

Em junho de 1964, o governo reacionário declara a Lei marcial e o Comando de Forças Combinadas dos Estados Unidos autoriza o deslocamento de duas divisões de combates para reprimir os protestos. Nessa mesma época, o governo fantoche aprova o envio de soldados sul-coreanos para lutar ao lado dos invasores ianques na Guerra do Vietnã. Chun Doo Hwan, que viria a ser uma figura central na supressão do Levante Popular de Gwangju, cumprira a função de comandante de uma divisão do exército fantoche sul-coreano no Vietnã. A participação no conflito do Vietnã foi também uma oportunidade para que os reacionários sul-coreanos lucrassem às custas dos sofrimentos e massacres do povo vietnamita. Empresas sul-coreanas de transportes de suprimentos, construção civil e entretenimento obtiveram gigantescos lucros durante esse período.

Para aprofundar a sua dominação reacionária sob o regime político fantoche da Coreia do Sul, Pak Chung-hee promove em outubro de 1972 um autogolpe, dissolvendo a Assembleia Nacional e elaborando uma nova constituição, que seria conhecida como “Constituição Yushin”. A constituição de Yushin representa um fechamento ainda maior de um regime que já era brutalmente ditatorial e fascista. A “nova era”, fortemente inspirada no período da Restauração Meiji no Japão, alçaria os níveis de exploração da classe operária sul-coreana a níveis alarmantes.

Na época em que serviu ao exército imperial japonês, Pak Chung Hee recebeu bastante influência ideológica que formaria sua visão de mundo em prol de um modelo de organização social fortemente baseados na hierarquia, forte controle estatal, nacionalismo e anticomunismo. A partir desse período, os chaebols começam a despontar como a coluna vertebral da economia sul-coreana, o que garantiu que o setor mais significativo dos capitalistas sul-coreanos apoiasse decididamente o regime.

Contra a intensificação da exploração capitalista, os operários foram buscando formas de se organizar e lutar pelos seus direitos. Denunciando as extenuantes jornadas de trabalho a que eram submetidos – oficialmente a legislação laboral previa 8 horas de diário de trabalho, algo quase nunca respeitado –, os trabalhadores começaram a enviar cartas para os mais diversos órgãos governamentais. Suas demandas eram recebidas com desprezo ou repressão pura e simples. Em 1970 – dois anos antes da instauração do regime ditatorial de Yushin – Chun Tae Il, jovem ativista operário, cometeria suicídio ateando fogo ao próprio corpo, visando chamar atenção para o problema da violação dos direitos trabalhistas na Coreia do Sul. A KCIA exercia um rígido controle contra a atividade sindical no país, permitindo apenas o funcionamento da central sindical alinhada ao regime.

Em 1974, o governo anuncia haver derrotado uma suposta conspiração conjunta com a Coreia do Norte para a derrubada do governo, organizado por um fictício “Partido Revolucionário Popular”. Seguindo esse episódio, milhares de pessoas foram presas e torturadas pelo regime. O governo organizou um julgamento farsesco de oito líderes, que supostamente pertenciam a este grupo, e que seriam posteriormente executados em 1975. Posteriormente, ficaria provado que esse episódio foi uma farsa montada pelo regime reacionário.

O número de protestos e revoltas contra o governo cresciam na medida em que este ia tomando formas mais reacionárias e repressivas. Entre setores importantes da pequena-burguesia urbana, crescia o descontentamento contra o regime.

Dada a repressão sistemática e aniquilação da oposição comunista revolucionária, novas ideologias e movimentos passam a dirigir as lutas de oposição contra o regime. Esses movimentos refletiam as aspirações de um setor da média burguesia e da pequena-burguesia, excluídas de representatividade dentro do regime pró-imperialista. Já fortemente influenciadas por ideias burguesas ocidentais e distantes do socialismo e comunismo, tal grupo buscou mais voz e participação política. Ao mesmo tempo, inúmeras organizações de trabalhadores, estudantes e mulheres seriam formadas em território sul-coreano.

No ano de 1979, novos protestos massivos voltam a sacudir a Coreia do Sul. Uma nova crise se abre no seio do regime, e Pak Chung Hee seria assassinado por um membro da KCIA. Hoje em dia, muitos economistas e sociólogos burgueses consideram o regime reacionário e anti-povo de Pak Chung Hee como responsável pelo “milagre econômico” da Coreia do Sul, e as políticas implementadas nesse período são apresentadas como “modelo” para países em desenvolvimento. Nesta época, Pak Chung Hee chegou ao poder falando em “autossuficiência econômica” e aprofundou a implementação de um programa de substituição de importações.
Pouco tempos após o assassinato de Pak Chung Hee, Chun Doo Hwan, elemento reacionário, conduz mais um golpe de Estado e dá origem a um novo regime militar na Coreia do Sul. Em 1980, seria já o chefão fascista sul-coreano, responsável principal pelos crimes contra a humanidade cometidos na cidade de Gwangju durante o mesmo ano.

O Levante Popular de Gwangju

Conforme falamos, a presente data de 18 de maio de 2020 marca o 40° aniversário do Levante de Gwangju. Este importante evento marcou o início da crise da ditadura militar patrocinada pelo imperialismo norte-americano, exercendo uma poderosa influência na luta das massas populares sul-coreanas. O Levante foi brutalmente reprimido pelo exército sul-coreano, deixando profundas marcas na sociedade sul-coreana. O grau de combatividade demonstrado pela classe operária e os estudantes da cidade é de grande inspiração não somente para os movimentos democráticos e progressistas da Ásia, mas também noutras partes do mundo.

A origem do Levante Popular de Gwangju remonta às manifestações massivas de estudantes, que começaram em Seul, 14 de maio de 1980, e logo se expandiram para outras regiões da Coreia do Sul, como Busan e Gwangju. Os estudantes protestavam contra a ditadura militar, reivindicavam a democratização da sociedade sul-coreana e o fim da Lei marcial. Campi universitários em todo o país foram ocupados. Sentindo as pressões do governo e preocupados com as consequências das manifestações, as lideranças estudantis cancelaram novos atos de rua. O governo não voltou atrás em suas oposições e enviou o exército para várias regiões do país, incluindo Gwangju, onde os estudantes haviam ocupado a Universidade Nacional de Cheonam. Em 16 de maio, os estudantes em Gwangju realizaram manifestações em frente ao Palácio Provincial, que foi renomeado como “Praça da Democracia” e saíram num desfile de tochas.

Em 17 de maio, muitos líderes do movimento em Gwangju foram presos, na medida em que o exército já havia deslocado sua inteligência para atuar na cidade. Em âmbito nacional, várias lideranças políticas foram presas. Autorizado por Washington, o general John Wickman havia liberado a utilização de forças paraquedistas, que foram deslocadas, por ordens de Chun Doo Hwan, para Gwangju. Ao chegarem em Gwangju, as tropas aterrorizaram e humilharam a população da cidade.

Em 18 de maio, reagindo às violações e repressão de que foram vítimas, os protestos em Gwangju adquirem um caráter mais radicalizado e evoluem para confrontos abertos contra o exército. Os estudantes começaram a utilizar amplamente coquetéis molotov, organizando equipes responsáveis para sua produção e arremessos durante os protestos. Pessoas dos mais variados estratos sociais começam a se juntar espontaneamente às demonstrações. Quando o proletariado entrou em cena, os militares voltaram a reagir com violência, atirando indiscriminadamente nas pessoas que participavam dos protestos. Os motoristas de ônibus e táxi também tomaram parte no movimento, usando seus veículos como escudos de proteção dos manifestantes, na medida em que pilhas de corpos iam se formando nas ruas e o resgate das pessoas era quase impossível, devido aos tiros frenéticos disparados pelos militares. As pessoas reagiam com o que tinham a seu alcance: pedras, bastões de beisebol, barras de ferro, bambu, etc. Em 19 de maio, os militares começaram a usar lança-chamas contra os manifestantes, incinerando dezenas de pessoas.

Em 20 de maio, é encontrado um corpo mutilado, o que contribuiu para enfurecer ainda mais a população de Gwangju. Milhares de pessoas se reúnem no centro da cidade e entoam a canção “Nosso desejo é a reunificação”. A marcha dos manifestantes reuniu cerca de duzentas mil pessoas e novamente foram recebidas com repressão indiscriminada. Num determinado momento, os manifestantes formaram grupos de ação que tomaram as instalações da Guarda Nacional, e vários presos foram libertados. A repressão prosseguia violentamente.

Em 21 de maio, a luta se intensifica com a entrada dos operários da fábrica Asia Motors. Muitos moradores de Gwangju se aproximaram da fábrica para pedir que os operários se engajassem na luta. Os trabalhadores da fábrica aceitaram o pedido, pararam a produção e forneceram vários veículos para os manifestantes. Cerca de 414 veículos militares foram doados para os manifestantes. Em seguida, uma coluna de operários, dirigindo os próprios veículos que haviam produzido, chega em Gwangju para participar do levante. Num determinado momento, os manifestantes formaram grupos de ação que tomaram as instalações da Guarda Nacional e vários presos foram libertados. Trabalhadores fabris, pescadores e mineiros de localidades próximas de Gwangju também se dirigiram à cidade, trazendo com eles armas e munições.

As milícias populares – chamadas de “Exército Civil” – tomaram conta da cidade, expulsando os militares, desempenhando um papel de “liderança” do levante. Com os militares fora da cidade, Gwangju se converteu numa espécie de “comuna”, com o surgimento de formas bastante embrionárias de novas relações sociais. O espírito de solidariedade que se criou na sociedade durante os dias do levante é algo bastante comentado e analisado em estudos sobre os acontecimentos em Gwangju. Kim Il Sung, então presidente da República Popular Democrática da Coreia (Coreia do Norte), chegou a afirmar que o Levante Popular de Gwangju “foi a primeira sublevação massiva do mundo depois da Comuna de Paris”. [4]

Precisamos ressaltar que o Levante Popular de Gwangju, apesar de ter sido classificado pelos militares sul-coreanos como uma “rebelião armada comunista organizada pela Coreia do Norte”, teve na espontaneidade uma de suas marcas principais. Como sempre, a bandeira do anticomunismo foi utilizada para justificar o massacre e os ataques contra as massas populares.

No dia 27 de maio, o governo desloca as tropas especiais que ficam estacionadas na Zona Desmilitarizada da Coreia (fronteira com a RPDC) para ocupar a cidade de Gwangju e esmagar militarmente a resistência armada das milícias populares formadas pelos estudantes e operários.

Envolvimento do imperialismo norte-americano no Massacre de Gwangju

O deslocamento de tropas para a cidade de Gwangju contou com a aprovação do general John Wickman, então comandante das Forças de Comando Combinadas da República da Coreia e Estados Unidos. Os politiqueiros e ideólogos do imperialismo norte-americano davam declarações públicas “condenando” qualquer violação dos direitos dos manifestantes, ao mesmo tempo em que, por debaixo dos panos, conspiravam e davam autorizações ao regime militar reacionário.  A gigantesca maior parte do armamento, munição e veículos utilizados na repressão contra o povo da cidade foram fornecidos ao Estado fantoche sul-coreano pelo imperialismo norte-americano. A repressão ao Levante Popular também contou com aval de Jimmy Carter, então Presidente dos Estados Unidos, Zbigniew Brzezinski, Conselheiro de Segurança Nacional e Richard Holbrooke, Secretário de Estado Adjunto.  A grande preocupação dos ideólogos do imperialismo era o de manter a “estabilidade” do regime fascista e, como não poderia deixar de ser, combater o fantasma do comunismo. Jimmy Carter, durante sua campanha eleitoral, chegou a defender a ideia de retirar as tropas norte-americana estacionadas na península coreana, mas passou à história como um personagem que colaborou com um dos episódios mais sangrentos cometidos pelo regime sul-coreano e o imperialismo.

Por que foi derrotada a resistência em Gwangju?

Como falamos anteriormente, o Presidente Kim Il Sung chegou a comparar o Levante Popular de Gwangju com a Comuna de Paris. De fato, existem várias semelhanças entre os dois acontecimentos. Os dois surgiram como insurreições armadas urbanas, que estabeleceram mecanismos novos de participação popular e desbarataram os mecanismos e forças repressivas do Estado burguês. Apesar de no caso da Comuna de Paris o caráter operário ser muito mais enfático, também em Gwangju os protestos contaram com participação essencial dos trabalhadores, que inclusive introduziram uma dinâmica mais combativa e radicalizada ao movimento.

As diferenças residem no fato de, politicamente, o movimento em Gwangju ser muito mais “confuso” e espontâneo do que a Comuna de Paris. Um participante do movimento em Gwangju chegou a afirmar que muitos participantes do Levante Popular tinham a ingênua esperança de que os Estados Unidos viriam salvar os estudantes, o que demonstra uma certa incompreensão da dinâmica política internacional e da própria situação em que estavam inseridos. Outro fato que diferencia Gwangju da Comuna de Paris é o fato de a primeira ter tido uma duração ainda mais incipiente que a segunda. O Levante Popular de Gwangju durou apenas dez dias, e apesar de ter instituído um comitê civil que começou a deliberar sobre os assuntos políticos da cidade, desbaratado os aparatos repressivos do Estado burguês em prol de uma nova estrutura militar surgida do povo, ainda não poderia ser considerado um novo poder na correta acepção do termo, dado o caráter bastante embrionário dessas novas formas organizativas. Os acontecimentos em Gwangju revelam, uma vez mais, que sem um movimento cujo núcleo principal seja a classe operária, e que além disso, esteja armado de uma ideologia orientadora correta, vitórias maiores são insustentáveis. Contudo, não podemos negar a importância histórica do Levante Popular de Gwangju e da experiência histórica das massas populares sul-coreanas. O Levante Popular de Gwangju mostrou que as forças do inimigo podem sim ser enfrentadas com decisão. O Levante também desnudou o verdadeiro caráter do regime militar reacionário e do imperialismo norte-americano. O exemplo dos milhares de combatentes que tombaram lutando contra a opressão reacionária serviu de impulso para a derrubada da ditadura militar fascista em 1987.

Notas

[1] Anna Louise Strong. In North Korea: First-Eye Report. Soviet Russia Today, New York: 1949

[2] Bruce Cummings. The Korean War – A History. The Modern Library, New York: 2011

[3] George Katsiafikas. Asia’s Unknown Uprisings – Volume I: South Korean Social Movements in the 20th Century. PM Press, Oakland: 2012

[4] Kim Il Sung. Selected Works – Volume 35. Foreign Language Press, Pyongyang: 1989

 Fonte: NOVACULTURA.info