CAMPANHA DE SOLIDARIEDADE

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Os crimes de guerra dos EUA contra o povo coreano.


Restos dos assassinados em Oesong, cidade de Pyongyang.

 O site norte-coreano “Naenara” disponibilizou um arquivo especial sobre os brutais crimes de guerra cometidos pelo imperialismo norte-americano durante a guerra da Coréia. Os leitores terão acesso a textos explicando os fatores que levaram ao inicio do conflito, bem como fotos do massacre perpetrado pelo imperialismo. Confiram em: http://www.kcckp.net/sp/event/2010-06-25/

terça-feira, 20 de julho de 2010

Comitê de Solidariedade lança livro sobre reunificação da Coreia

Dentro das comemorações pelo Centenário de nascimento do líder Kim Il Sung (fundador e libertador da RPD da Coreia), e como parte da Jornada de Solidariedade Internacional ao Povo Coreano (de 25 de junho a 27 de julho), o Comitê de Solidariedade com a RPD da Coreia realizará o lançamento do livro “A Reunificação da Coreia”, uma publicação do próprio Comitê.

Com o sub-título “Pela retirada das bases militares norteamericanas” o livro trata da “histórica necessidade da reunificação do país para colocar fim há mais de meio século de divisão e enfrentamentos, guerra e ameaças de agressão nuclear por parte do imperialismo norteamericano. O Presidente dos EUA, H. Truman ameaçou jogar a bomba atômica na Coreia durante a guerra (1950-1953). Anos atrás, o governo dos EUA refez essa ameaça”, afirma o livro em seu preâmbulo. “Atualmente existem 38 bases americanas na Coreia do Sul. Uma ocupação militar injustificável e inaceitável para os amantes da paz, completa”.

O evento acontecerá no próximo dia 21 de julho às 19 horas na sede do Jornal Água Verde, à rua Brasílio Itiberê, 3333 no Bairro Água Verde em Curitiba onde será oferecido um coquetel aos presentes.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Anistia Internacional mente sobre situação do sistema de saúde da Coréia Popular

No dia 15 de Julho a Anistia Internacional divulgou uma nota em seu site sobre o sistema de saúde norte-coreano. Na nota, a organização faz várias acusações, inclusive de que os hospitais coreanos realizam cirurgias em seus pacientes, sem utilizar anestesia. Como já esperávamos, não demorou para a mentira ser desmascarada através de um informe da Organização Mundial da Saúde. Confira a matéria da BBC sobre o assunto:


A Organização Mundial da Saúde (OMS) desmentiu o informe em que a Anistia Internacional (AI) as más condições do sistema de saúde da Coreia do Norte, assegurando que o mesmo era “pouco científico” e que se baseava em “casos anedóticos” e, alguns deles, há anos defasados.

Assim falava contundentemente um dia depois da publicação da investigação O calamitoso estado de saúde na Coreia do Norte, a diretora geral da OMS, Margaret Chan, que realizou uma visita oficial ao país asiático em abril.

O informe da AI se baseia em quarenta entrevistas com desertores que trabalhavam com coreanos, e denunciavam práticas como amputações sem anestesia, cirurgias à luz de velas e que muitos médicos atendiam com pagamento prévio dos pacientes.


Melhoras recentes


A OMS assegurou que a tal investigação se baseia em casos que aconteceram no ano de 2001, algo que não representa a realidade pois não leva em conta as melhorias feitas por projetos levados a cabo nos últimos anos. Entre tais projetos, explica o correspondente da BBC em Berna, Imogen Foulkes, “um programa para mães e crianças de trinta milhões de dólares e financiado pela Coreia do Sul”. Segundo Foulkes, depois de checar por três meses o estado de saúde da Coreia do Norte, Margaret Chan descreveu esse mesmo sistema de saúde como “o desejo de muitos países desenvolvidos” e sublinhou que “não há escassez de médicos nem de enfermeiras”.

Apesar de a OMS admitir que ainda existam grandes desafios no país, um porta-voz da organização assegurou que não se conquistará o aumento de saúde da população convertendo tal assunto numa arma política.


Assinado: Redação BBC Mundo

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Os Inquietantes exercícios navais de EUA e Coreia do Sul

A negociação, em vez das demonstrações de força, são a melhor solução para os conflitos entre as principais potências globais. Uma recente manobra naval efetuada em conjunto pelas marinhas de guerra dos EUA e da Coreia do Sul, no mar Amarelo, despertou preocupações entre as maiores nações da Ásia oriental, especialmente a China, sobre possíveis riscos para a paz e a estabilidade regional.


Por Li Jie, no Diário do Povo

A participação do porta-aviões estadunidense George Washington, de 97 mil toneladas, atraiu a atenção dos meios de comunicação. Sua presença constitui uma demonstração de hostilidade contra a China.

O recente incremento das atividades de porta-aviões dos EUA na região se soma a uma série de medidas hostis que a armada estadunidense está efetuando em águas do mar Amarelo desde os anos 1990.

Em 1994, uma frota encabeçada pelo porta-aviões Kitty Hawk penetrou em águas contínuas à linha de limite marítimo da China, em uma suposta missão de patrulhamento. Os navios de guerra dos EUA violaram as águas territoriais da China e inclusive seguiram de perto um submarino nuclear chinês que acabara de concluir uma missão de patrulha de longa distância.

Esta decisão imprudente mergulhou ambos os países num ambiente de confrontação por certo tempo.

Recentemente, o navio de vigilância estadunidense Victorious conduziu uma missão desautorizada na zona econômica exclusiva da China e inclusive se valeu de canhões de água para expulsar do lugar barcos de pesca chineses.

Oportunidade e desculpas excepcionais

Os atuais exercícios conjuntos EUA-Coreia do Sul, suspensos várias vezes no mês de junho, ultrapassam enormemente sua declarada condição de manobras militares dirigidas contra a República Popular Democrática da Coreia (RPDC), pelo suposto naufrágio da fragata sul-coreana Cheonan por um torpedo.

Por um prolongado período de tempo, a Marinha de Guerra dos EUA havia evitado levar a cabo exercícios militares provocativos no mar Amarelo, embora o país tenha várias bases militares na Coreia do Sul e no Japão.

De fato, muitas de suas esquadras navais, inclusive a sétima, estão ancoradas no porto japonês de Yokosuka.

O incidente da fragata Cheonan, entretanto, proporcionou uma oportunidade e desculpa excepcionais para que a força naval dos Estados Unidos, situada na República da Coreia e no Japão, intervenham ativamente nos assuntos regionais.

As manobras conjuntas com a Coreia do Sul em águas próximas a suas bases militares asiáticas ajudarão os EUA a alcançarem suas metas estratégicas na região da Ásia e do Pacífico.

Primeiro, com o exercício os EUA conseguirão manter um alto nível de pressão contra o que Washington qualifica de agressivo regime norte-coreano. Também pode ser um sinal explícito da postura que os EUA, como única superpotência mundial, adotariam com respeito a Japão e Coreia do Sul, seus dois aliados tradicionais na área, em caso de conflito militar entre Pyongyang e Washington.

Determinação e vontade

Além disso, um exercício militar bem planejado no mar Amarelo também facilitará aos EUA o recolhimento de informação geográfica e militar sobre alguns países asiáticos limítrofes.

O general Ma Xiaotian, vice-direitor do Estado Maior do Exército Popular de Libertação da China expressou "firme oposição" às manobras militares dos Estados Unidos e da Coreia do Sul.

A posição inequívoca de Ma reflete a determinação e vontade constante do país de salvaguardar seus direitos e interesses marítimos. É também um indicativo da crescente confiança da China em seus militares, no contexto de seu poderio nacional e capacidade militar, ambos em constante aumento.

O mar Amarelo é fundamental para proteger os interesses básicos da China, dado que não só se vincula a seus direitos marítimos e os interesses do país, mas também à sua segurança marítima.

Se os EUA e a Coreia continuarem empenhados em seus jogos de guerra, estarão planejando um desafio à segurança da China e provocariam um contra-golpe enorme e inevitavel dos cidadãos chineses.

A China de hoje já não é a de um século, que cedia diante das agressões imperialistas. Depois de décadas de desenvolvimento, especialmente após a adoção das políticas de reforma e abertura, a China se converteu na terceira maior economia do mundo e possui meios militares modernos, capazes de cumprir qualquer missão de autodefesa.

Porém, é preciso lembrar que o poderio militar dos Estados Unidos, especialmente a disponibilidade combativa de seu contingente de porta-aviões, também é muito mais elevada do que era há um século.

Otan do Pacífico

O raio de operações militares dos Estados Unidos se ampliaram para mais de 1.000 quilômetros, o que significa que uma missão militar dos Estados Unidos nas águas da República da Coreia pode constituir-se uma presença com enorme capacidade dissuassiva para a China e outros países, ao longo da linha costeira próxima, além do que seria capaz de alcançar alvos estratégicos situados muito profundos em seus territórios.

Com seu poderio militar inconteste, os EUA nunca renunciaram seus objetivos de longo prazo para alcançar um reajuste estratégico na região da Ásia e do Pacífico. Segundo esta estratégia, os EUA aumentaram gradativamente a presença e a atividade de seus vasos de guerra e força aérea na área marítima circundante da China.

E o que é ainda mais preocupante, os EUA aparentemente se sentem menos obrigados à moderarem sua busca de uma versão asiática da Organização do Tratado do Atlântico Norte (nome fantasia do pacto denominado Otan) com seus aliados na região.

Ao trabalhar assim, Washington deixa ao ar livre suas intenções estratégicas óbvias de conter a China — cuja influência econômica e estratégica continua aumentando na arena internacional — com o fim de cortar na raiz os possíveis contratempos derivados do acelerado crescimento da nação asiática.

No século 21, todos os países devem concentrar seus esforços em efetuar negociações, em lugar de pronunciar-se pelo uso da força, ou as exibições de poderio militar, para resolver conflitos.

Li Jie é articulista do Diário do Povo online e pesquisador da Academia Militar Naval da China.



Fonte: Portal Vermelho

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Kim Il Sung e a divisão das Coreias

Origem da divisão das Coréias


A Coréia é uma das nações mais antigas do mundo. Suas origens datam 3000 aC, ainda que o primeiro reino unificado por toda a península fosse um regime feudal, a dinastia Koryo, que governou os destinos da Coréia por 500 anos. No final do século XIV, uma nova dinastia - os Ri- tomaram o poder e governaram a Coréia durante 600 anos. Para entendermos esse longo período devemos examinar dois momentos históricos: uma no início e outra no final. O primeiro momento foi a invasão japonesa em 1592, conhecida na Coréia como Guerra Patriótica Imjin, que terminou com uma vitória sobre os invasores da Coréia, após sete anos de luta, mas que custaram a destruição completa do país.

A segunda fase ocorreu entre dezembro de 1884 e 1905. A Coréia era então um país predominantemente feudal e atrasado. Na Ásia, existia a disputa imperialista entre o velho império czarista e o Japão Meiji. Ambas as potências tinham ambições sobre a Coréia e a Manchuria. Em dezembro de 1884, ocorre um golpe de Estado na Coréia. O golpe reivindicava uma modernização capitalista das estruturas feudais do país. No entanto, o caos interno, foi usado pelo Japão como argumento para invadir a Coréia, a qual foi respondida por uma revolta camponesa que se espalha por grande parte do país. O Japão retirou suas tropas da Coréia, mas algum tempo depois (1905) volta a invadir definitivamente a Península, depois de derrotar militarmente o seu rival na região: Rússia. Começa então um brutal período de 40 anos de regime colonial.

O regime colonial japonês é um dos exemplos mais selvagens da destruição imperialista de uma nação. O Japão negou ao povo coreano o direito pela sua identidade nacional, mediante a destruição de qualquer evidência histórica que servisse para a construção de uma identidade nacional própria. Isso significava a destruição de templos coreanos, das tumbas dos reis coreanos mais importantes, etc.

A língua coreana foi marginalizada da vida pública e da educação e se iniciaram políticas de “renovação do sobrenome” (forçava a população coreana a “niponizar” o seu sobrenome) e de trocar os nomes da cidade do país. Toda a Coréia foi colocada a serviço do Império Japonês, transformando suas estruturas econômicas para torná-la dependente. Mais de 90% do intercâmbio comercial coreano se dava com o Japão. Além disso, milhões de coreanos foram levados em condições mais ou menos forçados a trabalhar no Japão nos trabalhos mais duros, enquanto toda a Península Coreana se transformava em uma gigantesca fábrica de armas para a invasão japonesa da China.

Os coreanos não só produziram as balas com que seus invasores executavam patriotas e revolucionários, eles também eram forçados a servir no Exército Imperial Japonês. Mulheres coreanas também foram forçadas a servir no Exército Imperial, mas não como soldadas, mas como prostitutas e escravas sexuais. Estima-se que em 40 anos de domínio colonial, cerca de 200.000 mulheres coreanas passaram pelos quartéis japoneses.

A expectativa de vida na Coréia era de 38,4 anos e a mortalidade infantil de 204%. O analfabetismo era generalizado e somente 4,6% das crianças em idade escolar estavam matriculadas. O acesso ao ensino secundário seguia critérios classistas, enquanto os coreanos estavam vetados do ensino superior. Em 1945, somente 9 pessoas em toda a Coréia possuíam um diploma universitário.

Frente a essa situação, existia uma oposição ativa, porém fragmentada. O imperialismo japonês fez manobras cuidados para invadir a Coréia. A velha elite coreana – a nobreza, os monarcas e os proprietários de terra – não lutaram contra os japoneses; os dois primeiros, acreditando que seus privilégios se manteriam sob novo regime (O Japão não eliminou automaticamente as instituições coreanas, mas sim tentou ganhar tempo com falsas negociações, enquanto suas tropas tomavam o controle da Península e desarmavam o Exército Coreano). Quando o Japão aboliu a monarquia coreana, já não existiam as tradicionais bases de seu poder, o que impediu que se exercesse algum tipo de resistência.

Os proprietários de terra, por outro lado, continuaram exercendo um grande poder sobre a agricultura coreana, ainda que as melhores terras foram expropriadas por latifundiários e oficias do exército japonês. Com as velhas elites fora do jogo, a oposição se dividiu em três pilares:

O nacionalismo, geralmente ligado a antigos militares do Exército Coreano. Seu poder foi se debilitando com o passar do tempo, pela falta de uma base social que a apoiasse.

A oposição burguesa, representada por um governo coreano no exílio (Shangai) e figuras como Sygmum Rhee, coreano que vivia na California. Ambas tendências representavam uma oposição que buscava a pressão internacional e a submissão a grandes potências, junto ao próprio Japão (um estatuto de autonomia) ou aos Estados Unidos. Não tinham uma presença na Coréia.

A oposição comunista e seus aliados, a única força com presença real dentro da Coréia. A guerrilha emcabeçada por Kim Il Sung era a vanguarda das forças comunistas dentro da Coréia, depois do desaparecimento do Partido Comunista da Coréia, em 1928.

A derrota definitiva do Japão se deu em 1945. Até o paralelo de 38, a guerrilha e as tropas soviéticas ocuparam as principais cidades. Quando os guerrilheiros e os soviéticos libertaram esses territórios, se depararam com um novo mecanismo de poder, que estavam sendo criados pelo próprio povo coreano: o comitê popular. Os guerrilheiros viram o potencial desse novo tipo de organização popular e começaram a estendê-lo por todas as cidades e vilarejos.

As tropas soviéticas estacionaram no paralelo 38, devido o acordo que haviam feito com os Estados Unidos para desarmar o Exército Japonês. Mas, até então, o exército norte-americano ainda estava longe da Coréia e só chegariam ao país três semanas depois de sua libertação.

Na teoria, a presença de ambos os exércitos (norte-americano e soviético) só tinha um sentido: libertar a Coréia, criar as condições para que os coreanos pudessem governar-se a si mesmos - através de um processo de democratização e eleições gerais para todo o país – e retirar-se.

No entanto, os Estados Unidos chegou à Coréia quando sua presença já era irrelevante para a libertação do país e seu propósito nunca foi a democratização da Coréia. Quando os norte-americanos chegaram, Coréia do Sul era um caldeirão social, aonde os comitês populares haviam-se estendido de forma autônoma e controlavam a situação. Os Estados Unidos reprimiu os comitês e devolveu a seus postos os antigos gendarmes do regime colônia. Uma nova ditadura havia nascido, na metade do país que queria ser independente e permanecer unido.

Enquanto a União Soviética retirava suas últimas tropas da Coréia em 1948, os Estados Unidos ainda continuam com suas tropas em território coreano até os dias de hoje. Coréia do Sul se mantém ainda hoje como um regime sem legitimidade histórica e produto da ingerência política imperialista na Ásia Oriental.

Portanto, a Revolução na Coréia – que nasceu como uma luta por independência – é um processo inconcluso: a metade do país ainda está ocupada pelo imperialismo; o socialismo está sendo construído, desde 1948, somente em uma parte do território.

Não podemos entender a origem da divisão da Coréia como resultado da existência de dois projetos políticos diferentes, cada um apoiado por uma parte do povo. A Coréia ficou dividida porque uma parte da mesma foi ocupada contra a sua vontade pelos Estados Unidos, abortando no sul o processo de libertação antiimperialista orientada ao socialismo que ocorria em todo o país.

A proposta do Norte

Desde 1945 a situação na Coréia se tornou bastante peculiar. Um país com quase 5000 anos de história comum, de repente se vê artificialmente dividido em duas zonas com sistemas políticos e econômicos antagônicos.

De uma perspectiva revolucionária, as tarefas na parte norte – onde o povo coreano alcançou a libertação – eram de uma revolução democrática que se orientava ao socialismo, enquanto que a luta na parte sul continuava sendo as de libertação nacional.

Ou seja, de uma perspectiva de classe, a revolução na Coréia do Norte – ao ter um caráter socialista – tinha como sujeitos fundamentais a classe operária, os camponeses pobres (a imensa maioria), os intelectuais e alguns setores populares da pequena-burguesia. Na Coréia do Sul, ao contrário, alguns setores da burguesia poderiam tomar parte na luta , já que não se buscava como tarefa prioritária a construção socialista, mas sim a libertação nacional.

Nesse sentido, a direção revolucionária encabeçada por Kim Il Sung tentou desde o início uma aliança antiimperialista em toda a Coréia, entre as forças revolucionárias do norte e as forças patrióticas do sul.

Em 1948, se convocou em Pyongyang a Conferência Conjunta dos Representantes de Partidos Políticos e as Organizações Sociais do Norte e Sul da Coréia. Nela, participaram todas as forças políticas que não estavam comprometidas com os Estados Unidos. Todos os partidos e organizações sociais da Coréia do Norte e a maioria das forças políticas da Coréia do Sul, incluindo figuras como Kim Gu, antigo líder do “Governo de Shangai” e férreo anticomunista. Ao retornar a Coréia do Sul, Kim Gu foi assassinado.

A Guerra da Coréia se origina a partir desse contexto: a luta entre dois projetos antagônicos; o de uma Coréia livre e unificada e o de tornar toda a Coréia submissa ao imperialismo norte-americano. A Guerra demonstrou a vontade do povo coreano de lutar até o fim por sua independência e pelo socialismo e somente o envio massivo de tropas norte-americanas poderia manter o regime neocolonial no sul, em clara decomposição e sem apoio popular.

Porém, a guerra também levou o imperialismo a posições mais radicais e a uma repressão brutal, que anulou as forças revolucionárias na Coréia do Sul.

Em 1972 houve uma primeira tentativa de negociação entre os “governos” do Norte e Sul. Kim Il Sung, como líder da delegação norte-coreana, propôs três princípios para a reunificação da Coréia. São os seguintes:

a) A Coréia deve reunificar-se de maneira independente, sem depender de forças estrangeiras nem tolerar suas intervenções. Traduzido ao contexto da Guerra Fria, nem Estada Unidos, nem a China, nem a União Soviética deveriam determinar algo na construção nacional da Coréia, que somente deveria ser fruto da decisão de seu povo. Tanto a China como a União Soviética, haviam ajudado em momentos cruciais a RPD da Coréia, porém seu governo revolucionário sempre foi muito zeloso no que diz respeito a sua própria independência e não permitiu que as tropas estrangeiras permanecessem na Coréia. Portanto, era a Coréia do Sul que deveria desfazer-se da presença estadunidense para levar a cabo o processo de reunificação.

b) Promover a grande unidade nacional acima das diferenças de ideologia, idéias e regime. Esse ponto deve ser entendido como uma forma de chegar a confiança mútua, contrapondo a posição sul-coreana (“agressão do norte para tornar vermelha toda a Coréia”) e buscar alianças antiimperialistas com forças não socialistas

c) Reunificação por via pacífica, sem utilizar a força das armas.

Essas conversas não chegaram a acordos, devido a natureza do regime sul-coreano, dependente dos Estados Unidos e dos grandes monopólios.

Com a contra-revolução no campo socialista, houve uma nova tentativa da Coréia do Norte de chegar a pontos de entendimento com as autoridades da Coréia do Sul, pretendendo chegar a acordos que permitissem o contato direto entre o povo do Norte e do Sul, o que contribuiria para dar uma firme base a reunificação.

Kim Il Sung formulou dez pontos:

1. Fundar um Estado Unificado independente, pacífico e neutro mediante a grande unidade pan-nacional. A estrutura desse estado seria confederativa com igual participação dos governos regionais do Norte e do Sul, e um Estado neutro, independente, pacífico e não alinhado, que não se incline à nenhuma potência.

2. Conquistar a unidade baseada no patriotismo e no espírito de independência nacional. Ou seja, independente de abordagens particularistas.

3. Co-existência, co-prosperidade e interesses comuns.

4. Fim de todas as batalha políticas que promova a divisão e o enfrentamento entre compatriotas.

5. Confiança mútua, fim do medo da agressão mútua e fim da perspectiva da “vitória sobre o comunismo” ou “comunistização”.

6. Democracia

7. Reconhecer as propriedades estatais, cooperativistas e privadas e proteger o capital e os bens individuais e coletivos, e as concessões comuns ao capital estrangeiro.

8. Compreensão e confiança mútua mediante contatos, viagens e diálogos entre os agentes sociais de ambos os lados.

9. Solidariedade e maior unidade entre a população do Norte, no Sul e exterior para conseguir a reunificação.

10. Reconhecimento especial a aqueles que contribuam a luta pela grande unidade nacional e a reunificação da Pátria.

Tudo esses pontos devem ser entendidos dentro de uma perspectiva dialética. Ou seja, em nenhum momento pode-se entender que o objetivo final dos revolucionários coreanos não seja o socialismo e a independência nacional. Porém, duas questões políticas fundamentais:

- Coréia do sul está – até hoje – submetida a uma das maiores ocupações imperialistas da era moderna e é necessário superar essa fase mediante a luta e a mobilização de todo o povo da Coréia do Sul. Os 10 pontos de Kim Il Sung são uma plataforma mínima para a unidade, mas levando em consideração o maior obstáculo, que leva a determinados setores da Coréia do Sul apoiar a ocupação dos Estados Unidos em detrimento de seus compatriotas do norte: o socialismo. A libertação nacional é uma tarefa que inclui mais forças que a construção do socialismo, ainda que, de forma natural, possa desembocar no socialismo.

- A Revolução na Coréia se fez em nome do socialismo, porém também em nome da independência. Para os coreanos, a independência nacional é quase tão importante como a construção do socialismo. Não devemos perder de vista esse aspecto na hora de analisarmos a revolução coreana.

A declaração conjunta e os acordos

A linha de abordagem do governo norte-coreano não pode materializar-se em acordos concretos até que existisse o primeiro governo social-democrata da história da Coréia do sul que não foi abortado por um golpe militar, encabeçado por Kim Dae Jung, antigo preso político.

No dia 15 de Junho do ano 200, se firmou a histórica declaração entre o Norte e Sul, que contém os seguintes acordos:

1. O norte e o sul concordam em resolver a questão da reunificação nacional de forma independente, baseando-se na união de esforços da nação coreana.

2. O norte e o sul reconhecem que existem pontos comuns entre a proposta da federação como ponto de partida (proposta pelo norte) e a proposta de confederação (impulsionada pelo sul), e concordam em trabalhar sobre estes pontos comuns no futuro.

3. O norte o sul concordam em começar a resolver assuntos humanitários antes do dia 15 de agosto de 2000, incluindo o intercambio de grupos familiares separados e a questão dos presos políticos.

4. O norte e o sul concordam em promover o desenvolvimento equilibrado da economia nacional, através da cooperação econômica e ativando o intercambio e ajuda mutua em todos âmbitos: sociais, culturais, desportivos, sanitários, meio-ambientais e outros.

5. O norte e o sul concordam em manter diálogos entre as autoridades de ambas as partes para tentar por em marcha os pontos acordados em um futuro próximo.

Tudo isso serviu para por em marcha numerosos encontros entre organizações populares do norte e sul, assim como abrir zonas de cooperação econômica, como na zona turística do monte Kumgang ou o complexo industrial Kaesong.

Lee Myong Bak e o caso Cheonan

A chegada ao poder de Lee Myong Bak significou um retrocesso histórico quanto ao processo histórico de reunificação iniciado em 15 de Junho de 2000.

Lee Myong Bak é um dos chefes máximos do monopólio Hyundai e foi prefeito de Seul. Seu mandato foi marcado por conflitos e foi investigado em duas ocasiões pela justiça, por numerosas irregularidades imobiliárias e de legalidade nos processos eleitorais.

Chegou ao poder devido ao desgaste econômico do governo social-democrata e incluiu em seu programa eleitoral propostas de grande impacto meio-ambiental e especulativo, como o Grande Canal Coreano (a proposta de unificar todos os rios navegáveis da Coréia do Sul por uma rede de canais). Esse tipo de proposta foi abandonado logo que chegou a presidência.

Porém, a política de Lee Myong Bak esteve em todo momento centrada na confrontação contra a RPD da Coréia. Recuperou grande parte da práxis política da época fascista da Coréia do Sul, como as acusações aos setores progressistas de estarem sendo organizados por “forças nas sombras” (ou seja, pela Coréia do Norte), a perseguição aos comunistas e seus aliados e a definição do Norte como o principal inimigo de Seul.

Reforçou a submissão da Coréia do Sul aos Estados Unidos. Lee Myung Bak foi o primeiro presidente, depois dos acordos de 15 de Junho, que não celebrou a perspectiva de reunificação em seu aniversário, optando por viajar aos EUA nessa data.

Quebrou acordos conquistados pelo governo social-democrata, como o que permitia a Coréia do Sul recuperar o controle sobre seu exército em tempos de paz, controle que agora recai sobre o Estado Maior Yankee.

Também derrubou a proibição de importar carne de vaca norte-americana, proibição que havia se realizado frente as suspeitas que ela poderia conter a doença da vaca loca. Tudo isso provocou manifestações massivas que foram duramente reprimidas.

O atual problema em torno do Cheonan deve ser entendido na dinâmica de confrontação do governo do Grande Partido Nacional. É uma fabricação dirigida para legitimar toda a política agressiva anterior e justificar a nova. De fato, os desencontros foram constantes desde que Lee Myong Bak assumiu o poder, muito antes do afundamento do Cheonan. Porém a atual crise serviu para terminar com todo tipo de comércio entre as duas Coréias (por exemplo, se rompeu unilateralmente as importações de areia da Coréia do Norte), os investimentos nas zonas conjuntas (ainda que já existam 120 empresas na zona mista de Kaesong), se congelaram os fundos norte-coreanos no Sul, Coréia do Sul está pressionando para que cessem todo tipo de acordo que inclua ajudas à Pyongyang, ao tempo que pede a China que proíba o turismo chinês uma das regiões mais belas da Coréia do Norte: o monte Kumgang, e, finalmente, vão tentar forçar novas sanções das Nações Unidas.


Assinado: Juan Nogueira, secretário-geral do Coletivo de Jovens Comunistas do Partido Comunista dos Povos da Espanha.

sábado, 3 de julho de 2010

Joe Dresnok - A história do soldado norte-americano na Coreia Socialista

Todos os dias, todas as semanas, todos os meses, somos bombardeados por informações que nos mostram supostas “fugas em massa” de países socialistas. Há 30 anos, ainda no auge da Guerra Fria, a propaganda anticomunista não poupava esforços: Fazia de tudo para mostrar o bloco socialista como um “inferno na Terra” do qual todos queriam fugir. Pois bem, mesmo depois de acabada a Guerra Fria e mesmo depois da queda URSS e do socialismo no Leste Europeu, a propaganda anticomunista promovida pelos meios de comunicação burgueses ainda persistem. Até hoje, faz parte do senso comum pequeno-burguês clichês como “Se Cuba é tão bom, por que todos fogem de lá?”, “Se o Socialismo é tão bom, por que não deu certo?”.

Tais clichês não resistem sequer à análise mais superficial, são fundamentos não em fatos concretos, mas sim em conteúdos completamente doutrinários e ideológicos, transmitidos também pelos meios de comunicação. Quem não se lembra da ridícula “reportagem” da Rede Globo ridicularizando a seleção norte-coreana com comentários preconceituosos e homofóbicos? Quem não se lembra da “fuga” dos quatro jogadores norte-coreanos, que em menos de setenta e duas horas depois foi desmentida pela própria Fifa? E o vídeo que vazou da Internet falando sobre a suposta “falsificação” do resultado do jogo de futebol entre o Brasil e a Coreia? Mesmo que estas mentiras tenham sido desmascaradas por nós mesmos aqui no Blog, o infeliz fato que devemos enfrentar é de que não existem forças contra-hegemônicas por parte da sociedade para fazerem frente a tais descompassos. Mesmo que nosso Blog tenha recebido mais de oitocentos visitantes, infinitamente maior é o número de pessoas que acessam o Youtube e assistem à Rede Globo.

O texto que será apresentado aqui por nós é daqueles do tipo que não aparecem nos meios de comunicação de massa como a Rede Globo ou a Veja. Esperamos que seja lido e que o leitor seja levado a refletir sobre certas “verdades absolutas” que aparecem constantemente nessas mesmas emissoras.


Pequena biografia de Joe Dresnok


James Joseph Dresnok (comumente conhecido como Joe Dresnok) nasceu em 1941 no estado da Virginia, nos Estados Unidos. É filho de Joseph Dresnok I (1917-1978) e teve um irmão chamado Joseph Dresnok II (1946-). Quando Joe Dresnok tinha apenas cinco anos de idade, a família se separou e o mesmo optou por viver com seu pai. Após a separação, mudou-se para a Pensilvania e perdeu contato com sua mãe e com seu irmão. Devido à má convivência com o pai, foi expulso de casa e depois se instalou num orfanato. Aos dezessete anos de idade, entra para o Exército. Logo após casar-se jovem com uma mulher norte-americana, é mandado para uma missão na Alemanha Ocidental durante dois anos.

Segundo seus comentários no documentário Crossing the Line, ele orgulha-se de ter amado-a e ter permanecido fiel a ela durante todo esse tempo. Porém, ao voltar para casa, descobre que sua esposa já estava em outro relacionamento. Frustrado, alista-se novamente no Exército e é mandado para a Coreia do Sul.

A fuga

O que salta aos olhos, portanto, é a vida miserável vivida por Joe Dresnok nos Estados Unidos. Num país capitalista, órfão, sem os pais, sem uma família, sem amigos. Sua mulher o trai com outro homem após uma missão de dois anos na Alemanha Ocidental. Não havia nada que o pudesse motivar-lo a continuar vivendo nos Estados Unidos – “eu não tinha parentes, minha esposa me deixou, não havia nada que me trouxesse de volta para os EUA”, diz ele.

No dia em que o jovem soldado norte-americano desertou de sua base, ele iria sofrer sanções por parte do Tribunal Militar Norte-Americano por haver forjado a assinatura de um oficial com o intuito de se encontrar com uma mulher coreana com quem estava namorando. Seu superior disse que ele deveria vê-lo às três horas da tarde, e Dresnok “concordou”. Dentro desse contexto, sem qualquer outra decisão para tomar, com uma vida arrasada e sem quaisquer perspectivas, Joe Dresnok irá fugir para o único local que irá lhe oferecer uma perspectiva e um propósito de vida: A República Democrática Popular da Coreia. Dresnok toma em mãos uma escopeta e marcha para Zona Desmilitarizada da fronteira. Mesmo tendo que atravessar um campo minado, com o risco de perder uma perna ou um pé, Dresnok foge para a Coreia Socialista. “Tomei a decisão de cruzar a fronteira, estou caminhando para uma nova vida.”, diz ele.

Ao ver que Dresnok estava desertando, um soldado grita “Ei, Dresnok, alto!”. Então, Joe atira para cima para amedrontá-los. “Não me arrependo de tê-lo feito”, diz Dresnok.

Ao cruzar a fronteira, ele é capturado por um soldado do Exército Popular da Coreia, que a princípio quis matá-lo. Logo após o ocorrido, ele é levado para Pyongyang para ser interrogado, onde por sua vez será apresentado a Larry Abshier, um soldado norte-americano que havia desertado para a Coreia do Norte meses antes. Dentro de dezoito meses, dois membros do Exército dos Estados Unidos, o Sargento Robert Jenkins e o especialista Jerry Parrish, irão juntar-se a eles como os militares norte-americanos que desertaram da Coreia do Sul. O socialismo norte-coreano é posto ao teste e sua superioridade é provada.

 A vida na Coreia Socialista
 
Durante sua curta estada em Pyongyang, o fato de ter sido apresentado a outros desertores norte-americanos na Coreia deixou Joe Dresnok bastante impressionado. “Eu não acreditei em mesmo, eu devia estar sonhando”, diz ele – De fato, os primeiros meses de Dresnok na Coreia do Norte não foram fáceis. “Roupas diferentes, uma ideologia diferente, uma forma ruim de as pessoas olharem para mim quando eu andava pela rua – ‘Ah, olhe lá aquele canalha norte-americano!’. Eu não queria ficar, eu não achava que poderia me adaptar”.

Depois de quatro anos no país, os soldados não conseguiam se adaptar. Tentaram ir à embaixada soviética para saírem da Coreia como exilados políticos. Porém, como haviam pertencido ao exército norte-americano, que já houvera cometido atrocidades históricas na península coreana, foi-lhes negada a saída do país.

Houve um consenso entre o governo de tentar de forma firme reeducá-los para que se adaptassem à vida socialista. Joe Dresnok, por sua vez, conformou-se com a situação e decidiu dedicar-se para se tornar um genuíno cidadão norte-coreano. “Pode ser uma ideologia diferente, pode haver costumes diferentes. Mas, cacete, irei trabalhar duro e irei aprender o modo de vida deles” – ele prossegue – “eu fiz tudo o que pude, aprender o idioma, conhecer as roupas que usavam, conhecer suas saudações, suas vidas... Eu tenho que pensar assim, agir assim... Estudei a sua história revolucionária, suas grandes virtudes, li sobre o Grande Líder. Pouco a pouco, comecei a compreender o grande povo que eram”, comenta Dresnok. De fato, mesmo que a passos lentos, os coreanos começaram a aceitar os norte-americanos, principalmente quando esses mesmos norte-americanos começaram a estrear em filmes revolucionários que fizeram grande sucesso no Norte. Em sua primeira atuação, em 1978, Dresnok interpretou o vilão brutal comandante norte-americano na Guerra da Coreia. “Não o considerei um filme de cunho propagandístico. Ao contrário, tive grande honra em atuar nele”, diz Joe. “Esta foi a forma de ele encontrar a ‘salvação’ na Coreia do Norte. Ele interpretou o papel do norte-americano malvado”, comenta um dos diretores do documentário Crossing the Line.

Dresnok gostou de ter se tornado uma celebridade. Além de ter estreado em dezenas de filmes produzido na Coreia, traduziu várias obras de Kim Il Sung para o inglês e, da mesma forma, ensina inglês em escolas do país. “Ensinei numa escola de línguas estrangeiras em 1986, usei todo meu conhecimento e meu esforço para ajudá-los, para ensiná-los. Vários campos educacionais, atualmente, chamam-me constantemente para dar palestra ou coisas do tipo”, diz Dresnok.

Na Coreia Socialista, Dresnok finalmente conseguiu aquilo que ele nunca teve nos Estados Unidos: Uma família de verdade. Ele casou-se com uma mulher da Europa Oriental e teve dois filhos, mas sua esposa morreu jovem. Depois se casou com uma mulher filha de uma coreana com um diplomata africano, mulher esta com quem também teve um filho. Os diretores do documentário Crossing the Line entrevistaram o filho mais velho de Dresnok, James, que atualmente estuda no Centro de Línguas Estrangeiras de Pyongyang. “Meu pai é norte-americano e eu tenho sangue norte-americano. Porém, como eu nasci aqui, eu me considero coreano” – e James continua – “eu comecei a aprender inglês para me tornar um diplomata [...] eu gostaria que existisse um mundo em que não houvesse guerras”.

Valeu a pena?
 
Após 48 anos vivendo na Coreia Popular, num país socialista, Joe Dresnok faz o balanço de sua vida desde que entrou – não inicialmente com boas vindas – na Pátria de Kim Il Sung. Ele descreve-se como um cidadão de Pyongyang. “Eu não me considero um traidor dos Estados Unidos. Amo meu país, amo minha cidade. Em seus ensinamentos, Kim Il Sung escreveu que aqueles que amam seu país e sua terra podem se tornar comunistas. Ainda não sou um comunista, mas gostaria de me tornar um. [...] Eu digo que a Coreia é meu país porque estou aqui há 46 anos (no caso, Dresnok fazia tal comentário em 2008). Minha vida é aqui. Será que isso não basta?”. Ao ser questionado se gostaria de voltar aos EUA, diz: “Eu digo a você que sim, serei honesto com você. Eu gostaria de ver como anda o lugar. Mas como posso ir lá e fazer palhaçadas em frente ao governo norte-americano, que está armando a Coreia do Sul até os dentes?” – e, mais frente, continua – “eu quero que meus filhos tornem-se algo além de um homem alfabetizado [...] para ser honesto, minhas pernas estão tremendo. Nunca imaginei que algum dia na minha vida eu seria ator. [...] O Querido Líder Kim Jong Il cuida de mim, é um grande homem. Você sabia que a saúde é de graça na RDPC?”

No mais, os dias de Joe Dresnok ocorrem num estilo “carpe diem”: Pescando, fumando e bebendo. O governo dispõe a ele um pequeno apartamento no centro de Pyongyang. Referindo-se à crise alimentar pela qual passou ao país em meados dos anos 90 em razão da queda do bloco socialista em grande parte do mundo, ele diz: “Quando como meu prato de arroz, penso nas pessoas que morreram, que passaram fome até morrerem. Mas, ainda assim, me deram comida. Por que, enquanto milhares de pessoas morreram de fome, eles alimentam um norte-americano?”. Quarenta e oito anos depois da deserção, Dresnok não se arrepende de ter cruzado o campo minado e de ter ido para o desconhecido. “Sinto-me em casa, realmente sinto-me em casa”.

“Não tenho a intenção de sair do país por quaisquer motivos, nem se me oferecessem um bilhão de dólares eu sairia”, finaliza ele.

Assinado: Blog de Solidariedade à Coreia Popular