quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Uma viagem ao belo país de Kim Il Sung e Kim Jong Il (II)

Na Fábrica Têxtil de Pyongyang trabalham nove mil mulheres. Pela manhã, chegavam trabalhadoras com seus filhos agasalhados, levados, confortavelmente, ao modo oriental – hoje, também aqui, popular: nas costas.

As mulheres levam os filhos pequenos para a fábrica porque eles ficam numa imensa creche, enquanto as mães trabalham. Há intervalos, na jornada, para que as mães, se quiserem - e sempre querem - vejam seus filhos, inclusive, se for o caso, os amamentem.

Curiosamente – para brasileiros que conhecem algumas poucas instituições públicas que existem em nosso país – as atendentes da creche também são mães. Há um motivo óbvio para isso: as mães percebem melhor do que qualquer um as necessidades dos bebês. Um dos poucos psicanalistas que, após Freud, tratou a psicanálise como ciência - inclusive ciência experimental -, o austríaco René Spitz, deteve-se, em um livro fascinante, "O Primeiro Ano de Vida", na relação específica entre mãe e filho (ou filha) nos estágios mais precoces do desenvolvimento. Chamou, a essa relação, "díade", um termo retirado da música, onde significa um acorde formado por duas notas musicais. Sem entrar numa discussão conceitual – aqui não é o lugar – o que ele observa é a comunicação entre a mãe (ou quem faz a função de mãe) e o bebê, o entendimento, sem linguagem verbal, que existe entre os dois, e que, nessa fase da vida da criança, só existe nessa relação. Em suma, o apoio afetivo da mãe, em especial nos primeiros seis meses, é decisivo para o conjunto da vida, inclusive para a próxima relação com o pai.

Não sei se os coreanos conhecem a obra de Spitz. Mas, se não a conhecem, de alguma forma chegaram a conclusões semelhantes: nada melhor do que mães para atenderem crianças numa creche. Pode parecer que isso é óbvio. Infelizmente, não é. Tanto assim que a motivação inicial do trabalho de Spitz foi - após a sua emigração da Europa, refugiado do nazismo – a constatação de casos de depressão por privação afetiva em bebês que estavam em creches e hospitais dos EUA (chamada, por ele, "depressão anaclítica", isto é, depressão por falta de apoio emocional).

A GUERRA

A Fábrica Têxtil de Pyongyang é, também, um dos símbolos da resistência coreana à agressão norte-americana. Construída logo após a libertação do país da ocupação japonesa, por iniciativa de Kim Il Sung, o fundador da Coreia moderna - a quem os coreanos chamam "o grande líder" -, ela foi destruída duas vezes por bombardeios aéreos dos EUA.

Nunca foi um alvo militar – a fábrica, como as daqui, produz tecidos para as roupas da população civil – e os mandantes dos bombardeios sabiam disso. Mas, como hoje é, infelizmente, notório, o alvo das agressões do establishment dos EUA está, principalmente, na população civil, o que inclui a infraestrutura econômica do país agredido. Até elaboraram uma teoria sobre o assunto, a sinistra "guerra total", segundo eles, baseada no que fizeram os generais Sherman e Grant na Guerra de Secessão.

Entretanto, Grant e Sherman estavam combatendo os escravagistas do sul dos EUA, sob a liderança do grande presidente Lincoln. O que a casta financeira norte-americana fez após a guerra hispano-americana, e, sobretudo, depois da II Guerra Mundial – nas Filipinas, na Coreia, no Vietnã, no Iraque, na Líbia - tem mais a ver com Hitler e Goering do que com os generais da guerra civil americana. Em 1933, bem antes da agressão à Coreia, e quando Hitler apenas acabava de tomar o poder, o general Smedley Butler, organizador do atual corpo de fuzileiros navais dos EUA (os, tristemente famosos, "marines"), já havia dito:

"Eu ajudei a fazer o México, especialmente Tampico, seguro para os interesses das empresas de petróleo americanas, em 1914. Eu ajudei a fazer do Haiti e de Cuba lugares decentes para que os rapazes do National City Bank arrecadassem rendimentos. Eu ajudei a estuprar meia dúzia de repúblicas da América Central em prol dos lucros de Wall Street. O registro de extorsões é grande. Eu ajudei a purificar a Nicarágua para a casa bancária internacional dos Brown Brothers (onde eu tinha ouvido esse nome antes?) em 1909-1912. Eu trouxe a luz, na República Dominicana, para os interesses dos usineiros americanos, em 1916. Na China, eu ajudei a Standard Oil a seguir o seu caminho sem ser molestada. Durante aqueles anos, eu participei de uma expansão da extorsão. Olhando para trás, sinto que poderia ter dado a Al Capone umas poucas sugestões. O melhor que ele pôde fazer foi operar suas extorsões em três distritos. Eu operei em três continentes." (ver HP, 12/01/2007 e o livro de Butler, "War Is a Racket", Round Table Press, NY, 1935).

Entretanto, é forçoso reconhecer que nada se compara às agressões norte-americanas após a II Guerra. Os píncaros do crime foram atingidos na agressão à Coreia e nas que seguiram. Só o nazismo e o imperialismo japonês são medida de comparação para o que os EUA fizeram – e continuam fazendo – depois da II Guerra. Aliás, Hitler é mais uma medida de inspiração do que de comparação. Como disse Howard Hunt, chefe de operações da CIA na Guatemala na intervenção que depôs, em 1954, o presidente Jacobo Árbenz: "o que nós queríamos fazer era uma campanha de terror, para aterrorizar Árbenz particularmente, aterrorizar suas tropas, tal como os bombardeiros Stukas alemães aterrorizaram a população da Holanda, Bélgica e Polônia no início da II Guerra" (ver HP, 12/09/2003 - Howard Hunt, entrevista ao National Security Archive).

Se na Guatemala foi assim, o leitor pode, ainda que palidamente, imaginar como foi na Coreia.

LINHA E AGULHA

Os coreanos, naturalmente, reconstruíram a Fábrica Têxtil de Pyongyang duas vezes durante a guerra. Lembrei de um ditado, repetido pelo detetive de ficção Charlie Chan, personagem de seis livros – e não sei quantos filmes e histórias em quadrinhos – do escritor (por sinal, americano) Earl Derr Biggers: "se caíres sete vezes, levanta-te oito".

Porém, depois de vencida a agressão dos EUA, havia um problema na Fábrica Têxtil de Pyongyang: para trabalhar nela, as mulheres ficavam afastadas dos maridos – ou noivos ou namorados - que estavam em outras unidades fabris, ou, frequentemente, no campo. Assim, além de outras necessidades que o leitor pode deduzir, os pais não participavam do cuidado aos filhos.

A solução foi construir, em torno da Fábrica Têxtil de Pyongyang, uma série de outras fábricas – em geral, produtoras de máquinas e equipamentos – e transferir os maridos para elas. Assim, eles poderiam (e podem) ficar perto de suas mulheres, ajudando-as, nos intervalos do trabalho, quanto aos filhos.

As coreanas (e coreanos) também têm um ditado para o que consideram a relação ideal entre maridos e mulheres. Foi uma mulher, na Fábrica Têxtil de Pyongyang, que, após relatar a decisão, tomada por Kim Il Sung, de trazer os maridos para perto das mulheres, nos repetiu, sorrindo, esse ditado: "a mulher deve seguir o marido, assim como a linha segue a agulha".

Olhei, com o canto dos olhos, para minha mulher, só para perceber a reação. Mas Sandra, que não é nada submissa (quase escrevo: "ai de mim...", mas seria muito injusto), entendera imediatamente o significado da frase.

Então, antes que alguma leitora, ciosa de sua independência, nos escreva, furiosa, esclarecemos: que ninguém pense que isso significa a submissão da mulher ao marido. Como vimos pela história da Fábrica Têxtil de Pyongyang, nesse caso quem seguiu a linha foi a agulha... Nem por isso os maridos se tornaram submissos às mulheres.

O ditado, para os coreanos de hoje, significa apenas (mas esse "apenas" é um mundo a ser conquistado) que mulheres e maridos devem ficar juntos, cuidar dos filhos juntos - de preferência, trabalharem juntos ou o mais próximo possível. O que quer dizer conscientemente juntos, pois as mulheres não são obrigadas a casarem, ou a permanecer casadas, com quem não querem.

Portanto, leitora, se você entendeu errado, o que é compreensível, pode deixar a indignação e a fúria de lado – nem tudo que parece às nossas mentes, algo viciadas pela ainda presente submissão da mulher em nosso país, é o que superficialmente parece (e a repetição do "parece", nesta frase, não é um cochilo de estilo do redator).

Um novo conteúdo às vezes se expressa por formas antigas – mas nem por isso ele deixa de ser novo.

Até porque, após seu retorno a Pyongyang - em 1945, quando a Coreia se libertou do Japão - a primeira lei assinada por Kim Il Sung foi a "Lei da Igualdade entre Homens e Mulheres", antes mesmo da lei de reforma agrária.

Para os brasileiros, que assistem aos avanços da condição feminina desde 1934, quando o presidente Getúlio regulamentou o direito de voto das mulheres, é difícil aquilatar o significado revolucionário da primeira lei de Kim Il Sung (se bem que, no Brasil, o ambiente antes de 1930 era tão atrasado que nosso maior poeta do século XX, Carlos Drummond de Andrade, escreveu, em 1928, ironizando o escândalo, quando uma mulher conseguiu uma decisão judicial para votar e ser votada: "Mulher votando?/ Mulher, quem sabe, Chefe da Nação?/ O escândalo abafa a Mantiqueira,/ faz tremerem os trilhos da Central/ e acende no Bairro dos Funcionários,/ melhor: na cidade inteira funcionária,/ a suspeita de que Minas endoidece,/ já endoideceu: o mundo acaba").

Na Coreia, como lembra Kim Il Sung em suas memórias ("No Transcurso do Século"), a situação da mulher era feudal. A vida para elas era tão difícil, tão árdua, diz ele, que algumas aderiam a religiões ocidentais apenas para evadir-se um pouco da vida cotidiana durante o culto.

Isso, no melhor dos casos: aqueles em que não eram tornadas escravas sexuais pelo ocupantes japoneses – em 35 anos, da anexação pelo Japão à libertação, 200 mil coreanas foram forçadas a essa condição, um crime que o Estado japonês ainda resiste a reconhecer plenamente, apesar de, além dos depoimentos de milhares de vítimas, além da condenação pelos tribunais do pós-guerra, montanhas de documentos terem sido descobertos por historiadores do próprio Japão, demonstrando que isso era uma política oficial.

ANEXAÇÃO

Existem poucas ocupações mais infames – se é que existe alguma – do que a da Coreia pelo Japão, iniciada em 1894 e acelerada em 1905, após o aval explícito dos EUA, através do acordo secreto Taft-Katsura (em troca do reconhecimento à anexação das Filipinas, o secretário da Guerra dos EUA, depois presidente, William Howard Taft, comprometeu-se com o primeiro-ministro japonês, Katsura Taro, a reconhecer a suserania do Japão sobre a Coreia – as notas da conversação vieram a público 19 anos depois, em 1924, quando a Coreia já fora anexada pelo Japão).

É impossível compreender razoavelmente a Coreia, e o povo coreano, sem conhecer um pouco da sua História. Por isso, aqui nos estenderemos (não muito) sobre esse tema.

Em 1905, o imperador coreano e seu primeiro-ministro recusaram-se a aceitar a condição de vassalagem da Coreia em relação ao Japão. A aceitação, totalmente ilegal, foi assinada - com o primeiro-ministro preso pelos japoneses - por cinco ministros sem autoridade para tal, conhecidos na História da Coreia como "os cinco ministros traidores".

O imperador, recusando-se a ratificar, apelou para a China e para os chefes de Estado ocidentais, e, depois, para a Conferência de Haia, em 1907 – mas a Coreia foi proibida de participar em Haia e o imperador foi deposto pelos japoneses, o que levantou vários setores nacionalistas contra a ocupação. No exterior, os três emissários coreanos, impedidos de entrar na Conferência, fizeram o possível para denunciar a situação do país.

O imperialismo japonês derrotara a China, então sob a decadente dinastia manchu, em 1895, e a Rússia, sob a decadente dinastia czarista, em 1904-1907. As potências ocidentais tornaram-se cúmplices na destruição do Estado da Coreia. Os coreanos aprendiam, dolorosamente, que sua liberdade dependia, antes de tudo, de suas próprias forças – ou não haveria liberdade.

Não foi a primeira lição, nem foi só isso (!) o que eles aprenderam: a entrada das tropas japonesas na Coreia, em 1894, teve como pretexto o apelo dos feudais coreanos, derrotados no início daquele ano pelo exército guerrilheiro da revolução camponesa "Donghak", aos manchus da China para que esmagassem a revolta.

Donghak era uma religião coreana da segunda metade do século XIX que pregava "a igualdade de todos os seres humanos". O programa de sua revolução assemelha-se, em aspectos fundamentais, mais no conteúdo do que na forma, ao Plano de Ayala, escrito por Zapata para a revolução mexicana.

O Japão aproveitou-se da presença de tropas manchus na Coreia para romper a Convenção de Tientsin, estabelecida com a China em 1885, que proibia a intervenção militar, tanto japonesa quanto chinesa, na Península, exceto se a outra parte fosse notificada antecipadamente (o que a dinastia manchu fez, mas o Império do Japão passou por cima desse detalhe).

Depois da declaração de guerra do Japão à China, o bem armado exército japonês massacrou os camponeses coreanos, que só dispunham de lanças, espadas, arcos-e-flechas e alguns velhos bacamartes.

Daí por diante, há uma coleção inumerável de desmandos, ultrajes e crimes dos imperialistas japoneses na Coreia. No ano seguinte, 1895, a imperatriz coreana, Myeongseong, adversária da ingerência japonesa, foi assassinada a mando do embaixador do Japão – os assassinos, que invadiram o palácio e chacinaram os guardas, eram agentes japoneses.

Evidentemente, o embaixador - um visconde e general nipônico - não cometera o crime sem o sinal verde, ou a ordem, de Tóquio. O escândalo internacional, mesmo naquela época, foi tão grande que o governo japonês resolveu encenar uma farsa: um julgamento do seu embaixador na Coreia, em que este confessou a ideia e a organização do assassinato, mas argumentou que não se tratava de um crime, pois seu objetivo era a "supremacia" do Japão na Coreia. O réu foi absolvido "por insuficiência de provas".

No entanto, a política de Myeongseong – e de seu marido, o imperador Gojong – era colocar-se sob o abrigo da Rússia czarista para se opor ao Japão. Certamente, depender de outros para ser independente é a maneira mais segura de não ser independente. Gojong asilou-se na embaixada russa depois do assassinato da esposa, só voltando ao palácio em 1897, sob proteção de tropas czaristas. Depois da derrota russa na guerra com o Japão – logo no início, 1904, após o desembarque do exército japonês, as tropas czaristas foram expulsas da Coreia - essa política tornou-se insustentável. Em seguida, o Japão impôs sua suserania sobre a Coreia.

No entanto, a resistência coreana não cessou. Além dos levantamentos contra a ocupação, em 1909, o "Residente-Geral da Coreia" (uma espécie de vice-rei japonês) foi executado pelo patriota coreano An Jung Gun, homem notavelmente culto e consciente.

Prisioneiro dos japoneses, An Jung Gun fez estremecer os algozes ao defender o seu ato no tribunal-farsa a que foi submetido – o que talvez explique porque ele foi "julgado" nada menos do que seis vezes. An Jung Gun exigiu que fosse tratado como prisioneiro de guerra e comandante do exército de resistência coreano, e listou os crimes do "Residente-Geral" (um dos principais políticos da casta feudal-monopolista japonesa, quatro vezes primeiro-ministro, inclusive na época do assassinato de Myeongseong), entre eles: o assassinato da imperatriz coreana; a deposição do imperador coreano; o massacre de civis coreanos; a pilhagem de ferrovias, jazidas, florestas e rios coreanos; a imposição ao país da moeda japonesa; o impedimento da educação aos coreanos, com o confisco e queima dos seus livros didáticos.

Pouco antes de seu martírio na forca, An Jung Gun disse uma frase que repercutiria por toda a História coreana posterior: "Eu tenho a felicidade de oferecer a minha vida por meu país, assim é o comportamento de um patriota com espírito nobre". Mas, talvez, nada seja mais significativo do ambiente que a ocupação japonesa provocou na Coreia, e do caráter do povo desse país já naquela época, do que a mensagem da mãe de An Jung Gun, recebida pelo filho momentos antes de passar à eternidade: "Sua morte é por amor ao nosso país, e eu não peço covardemente por sua vida. Sua valente morte lutando pela justiça é para mim o último carinho de um filho por sua mãe".

An Jung Gun era católico – e, como nós chamamos, católico praticante. Apesar disso, por submissão aos japoneses, o então bispo da Coreia proibiu que se lhe administrasse a extrema-unção. Mas os sacerdotes menos graduados recusaram-se a obedecer – e An Jung Gun recebeu o sacramento.

Assim, em 1910, foi debaixo de ferro, fogo, e sangue aos borbotões, que o Japão anexou a Coreia – o imperador Gojong, deposto desde 1907, foi mantido em prisão domiciliar até sua morte, em 1919, por envenenamento. Seu funeral provocou outros levantamentos, em toda a Coreia, contra a opressão japonesa.

Publicado por Carlos Lopes no jornal A Hora do Povo

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Uma viagem ao belo país de Kim Il Sung e Kim Jong Il (I)


Nas margens do rio Taedong - essa é a transliteração oficial em português, mas, para nossos ouvidos, a pronúncia em coreano mais se parece com "Dedong" - que atravessa Pyongyang e boa parte do norte da Península da Coreia, viajantes franceses, suecos, alemães, dinamarqueses, espanhóis (havia até um simpático príncipe da casa real de Espanha), italianos, noruegueses, ingleses, e... americanos, sem falar nos chineses e outros cidadãos asiáticos, inclusive japoneses, admiravam os belos monumentos erguidos, detalhada e minuciosamente, pelo povo coreano.

Alguns deles portavam "piercings" e cortes de cabelo pouco ortodoxos, mas eram tratados, sempre, com a mesma gentileza pelos coreanos.

Estávamos no país que a propaganda do establishment americano – repetida até a náusea pela mídia antinacional daqui – chama de país "fechado", "um dos mais fechados", ou, mesmo, "o mais fechado" (ou "isolado") do mundo.

Essa propaganda tem sua lógica própria - a lógica do lobo, um lobo especialmente sanguinário: bloqueiam um país, agridem-no de milhares de formas, tentam trucidá-lo (inclusive através de um genocídio - os EUA admitem que, entre 1950 e 1953, mataram 1 milhão e 500 mil coreanos ao norte do paralelo 38, o que significa, como na cínica frase de Lloyd George, primeiro-ministro inglês durante a I Guerra Mundial, que podemos, pelo menos, duplicar esse número), sabotam-no, boicotam-no, ocupam metade do seu território, passam por cima das eleições e dos acordos internacionais, instalam ogivas contra a parte livre.

Depois disso tudo, segundo a propaganda imperialista, o problema não está no agressor - mas no país agredido, que é "fechado" ou "isolado".

Nós, aqui no Brasil, já experimentamos, em algum grau, o que eles chamam de "abertura". Eles gostariam que a Coreia Popular estivesse "aberta" para suas agressões, isto é, que o povo coreano se submetesse a eles. Para isso, realmente, a Coreia Popular está fechada – mas não para os povos do mundo, incluindo o povo norte-americano. Foi o que pensei, enquanto observava os viajantes, não apenas em Pyongyang, mas em Panmunjon e várias outras localidades coreanas. Numa cooperativa agrícola, vi a mensagem, entusiasmada, deixada pelo príncipe espanhol.

A Coreia Popular, realmente, sabe se defender. Na agressão de 1950-1953, apesar da invasão e do bombardeio bárbaro, algo que nem os nazistas fizeram, as hordas norte-americanas, derrotadas, tiveram que recuar, deixando atrás de si 20 km em relação à linha de demarcação anterior. Por esta razão, o limite com a parte ocupada, a Coreia do Sul, localiza-se hoje além do famoso paralelo 38.

Se a Coreia não é ainda o país mais aberto no mundo (será que algum país precisa ser?), isso se deve, exclusivamente, às dificuldades impostas pelo imperialismo dos EUA, e seus satélites. Mas elas não são capazes de impedir o crescente afluxo de cidadãos de todas as partes do mundo.

Realmente, leitor, vale a pena.

A NOITE

Durante vários dias, eu e minha mulher, Sandra, percorremos aquele belo país. Lá pelas tantas, lembrei-me da entrevista de uma repórter, norte-americana de pais chineses (irmã de outra, presa por espionagem ao entrar ilegalmente na Coreia, e generosamente deportada para os EUA, após as desculpas de Clinton), no intragável programa da senhorita Oprah Winfrey - um exemplo escandaloso de como o establishment usa as etnias e parcelas da população que oprime, sobretudo os negros e as mulheres.

Dizia a repórter que os viajantes só se movem na Coreia Popular acompanhados e vigiados por um "guia", que mostra apenas o que o governo coreano quer que seja mostrado - ao que a insopitável Oprah acrescentou um "oooh...!", à guisa de comentário.

Com todos os obstáculos do idioma (minimizados, é verdade, pela educação e cultura dos coreanos – muitos conhecem as línguas ocidentais), eu e Sandra, quando nos deu na telha, andamos sozinhos por Pyongyang e outras localidades, sem que ninguém nos aporrinhasse, como se estivéssemos em São Paulo, Rio ou Fortaleza, com a diferença de que os passeios, inclusive noturnos, foram muito mais seguros. Na Coreia Popular, os assaltos não existem - e não é por falta de armas nas mãos da população.

Alguns podem achar que estamos descrevendo uma utopia – mas, não, leitores, é apenas a verdade, e isso não quer dizer que o país não enfrente dificuldades. Enfrenta, sim, e está fazendo o que pode para vencê-las. Mas a desumanização brutal que ainda impera em nossa sociedade – e, mais ainda, em outras ainda dominadas pelo imperialismo – não existe. Lá, o homem, ao contrário da frase do romano Plauto ("homo homini lupus"), tão citada por Hobbes e todos os reacionários que vieram depois, não é o lobo do homem – esse papel está, muito justamente, reservado para a casta financeira dominante nos EUA, que não é composta exatamente pelo que se entende por seres humanos, como mais uma vez se comprovou na Líbia.

IMPRESSÕES

Tive dúvidas de por onde seria melhor começar este relato. As pessoas escrevem para serem lidas, até mesmo os mais obtusos literatos que vivem pregando a "arte pela arte". Como dar ao leitor uma visão, a mais realista possível, de uma viagem? Depende da viagem. Por pouco não adotei Graciliano Ramos, e o extraordinário livro sobre sua visita aos países socialistas ("Viagem"), como modelo. Mas isso não seria bom, nem justo – os tempos são outros, os países e as experiências, também, e eu não sou Graciliano.

Talvez seja melhor iniciar pelo mais singelo – mas nem por isso menos significativo: pelo fim, pois o leitor não estava lá para descobrir a Coreia, como os viajantes fizeram, a cada passo.

Na véspera de nossa volta, uma jornalista da "Voz da Coreia", o maior jornal do país, sabendo que sou diretor de redação da Hora do Povo, perguntou-me sobre o que mais me impressionara nos dias que lá passamos.

Respondi: "o olhar das crianças".

Ela, muito jovem - portanto, sem conhecer pessoalmente as agruras da ocupação japonesa ou da agressão norte-americana -, não entendeu.

No entanto, o diplomata que nos servia de tradutor, com longos anos na África, Portugal, Espanha, e uma rápida estada no Brasil (conhecia a música popular brasileira, em amplitude, mais do que eu, e quase tanto quanto Sandra), entendeu na hora, assentindo. Mas deixou que a jornalista continuasse, sem fazer comentários.

"Mas o que você viu no olhar das nossas crianças?"

Expliquei que as crianças sob fome, ou ameaça de fome, na miséria, ou sob agressão – citei algumas fotos da guerra do Vietnã que nós, aqui, já publicamos – têm um olhar de medo e insegurança. Um olhar de dor. Elas, em maior ou menor grau, temem o futuro, que às vezes é apenas o dia seguinte, às vezes apenas a hora do almoço.

Na Coreia Popular, eu vira crianças com olhar confiante, como se o futuro fosse delas, aquele olhar seguro, só possível quando as necessidades, pelo menos as mais elementares, estão atendidas, e a sociedade oferece a elas a perspectiva, sem lugar para dúvidas, de se desenvolver como seres humanos – o que é o modo humano de existir.

Não me refiro apenas às necessidades materiais, mas também às necessidades (vale dizer: "carências") psicológicas que só uma saudável vida coletiva, o que inclui a vida familiar, é capaz de atender.

Presenciamos, várias vezes, o cuidado dos coreanos com suas crianças. No país, já sabíamos, essa não é uma missão circunscrita aos pais. Mas não tínhamos visto ainda como isso é profundo nos coreanos.

Um dia, o motorista do automóvel em que nos deslocávamos teve um problema: sua filha ficara doente. Foi imediatamente dispensado para ficar com a filha, e substituído, naquele dia, por um colega. No dia seguinte, nosso tradutor, funcionário graduado do Ministério das Relações Exteriores, formado por algumas das melhores universidades, não somente da Coreia, mas, inclusive, do Ocidente, disse que iria deixar-nos por algumas horas: soubera que a filha do motorista, já melhor de saúde, manifestara vontade de chupar laranjas - e lá foi o diplomata, atrás de laranjas para a filha do motorista.

Pode ser que o leitor já tenha presenciado algum pequeno incidente semelhante a este no Brasil. Há muita gente sensível e generosa entre nós. Porém, terá sigo algo excepcional e admirável. O extraordinário aqui foi a naturalidade como tudo ocorreu – acontecimentos desse tipo não são excepcionais na Coreia Popular; e ninguém, exceto nós, achou que era digno de admiração.

Andando pelo Jardim Zoológico de Pyongyang, onde há tigres brancos, cisnes negros e outros espécimens no mínimo curiosos, vimos o orgulho com que a maior parte das crianças – as que têm idade para tal – exibiam, no pescoço, o lenço vermelho dos pioneiros. Mais ainda, era visível o carinho que os pais demonstravam pelos filhos.

Algum teimoso leitor poderá dizer: mas aqui, na maioria, os pais também demonstram carinho pelos filhos. É verdade, graças aos céus e ao povo brasileiro. Porém, como é difícil, às vezes, depois de trabalhar oito ou mais horas, aguentando patrões (e, o que é pior, prepostos de patrões), com a cabeça cheia dos problemas que nos coloca a própria sobrevivência da família - para não falar da jornada, muitas vezes dupla, das mães -, ter paciência e compreensão com os filhos!

Quantas vezes, leitor, isso não exigiu esforço – e não pequeno - da sua parte? Nem estamos nos referindo aos problemas das crianças – embora eles, também, existam – mas apenas a compreender, como é exigido dos pais, a sua condição de crianças. A situação de vida e trabalho que, via de regra, temos no Brasil, não torna fácil a compreensão dos filhos. Quantos de nós já perdemos, um dia ou outro, a paciência com os filhos, sem que eles tenham feito algo além de ser crianças? E, como consequência, quantos de nós, somente depois de anos, às vezes décadas, depois de adultos, é que conseguimos entender os problemas dos nossos pais, para não falar daqueles que nunca o conseguem?

Problemas assim devem, sem dúvida, ainda existir num país socialista, como a Coreia. Mas o grau em que ocorrem parece muito menor do que aqui – a julgar pelo modo como os pais tratavam os filhos no Zoológico, ou no Parque de Diversões de Pyongyang, ou no espetacular Circo que as forças armadas mantêm para o lazer da população.

O leitor teimoso poderá, ainda, replicar: mas isso foi em público. Como vocês estão certos de que na vida puramente familiar as coisas são assim?

Há, pelo menos, um poderoso indicativo disto: o modo livre, espontâneo, desembaraçado, e educado, como as crianças se comportam. O leitor sabe do que estamos falando – um adulto pode simular um comportamento em público (embora, no caso, estamos falando de milhares de pessoas) que não corresponde ao seu comportamento em particular. Mas, as crianças, quando tentam fazê-lo, só revelam o que a simulação não deveria revelar.

Toda a questão está em que as crianças, na Coreia Popular, não têm apenas a vida familiar como forma de socialização. Por isso, a rigor, não cabe falar, como fizemos acima, em "vida puramente familiar". Até porque este "puramente" também não existe em nossa sociedade – ou em qualquer sociedade -, como sabe qualquer um que tenha uma televisão em casa.

Milhares de pensadores de todas as épocas, incluindo São Paulo, o nosso Ruy Barbosa, e, dizem, Stalin, afirmaram que "a família é a celula mater da sociedade". Mas, falar em "célula mater" significa, ao mesmo tempo, dizer que existem outras células além da primeira. Quanto mais o indivíduo se relaciona positivamente com o conjunto da sociedade, mais "socializado", isto é, civilizado, ele é. E quanto mais "privatizada", isto é, individualista, a sociedade seja, menos possibilidades existem de algum relacionamento positivo – aliás, como sabemos pelo final da sociedade escravagista e da sociedade feudal, há momentos em que o único relacionamento saudável com uma sociedade é negativo: é ser contra ela, para transformá-la em outra. Estes são, em geral, os períodos mais angustiantes da História - e também aqueles em que pode se abrir uma nova época para o ser humano.

Na Coreia, essa nova época, apesar de todas as dificuldades acarretadas por um cerco que somente não é completo em virtude da vizinhança e da hoje longa amizade coreano-chinesa, já chegou. Portanto, é natural que o comportamento das pessoas, em especial o relacionamento entre pais e filhos, demande muito menos esforços, seja bem mais livre, do que na nossa sociedade. Em poucas palavras, o relacionamento entre pais e filhos exige menos esforço onde a sociedade está a seu favor, e não contra, onde a sociedade facilita esse relacionamento, inclusive através de instituições que estão além da família – o que não se pode dizer, por exemplo, da TV no Brasil, em geral um veículo de infâmias antissociais sobre as crianças.

Depois de um dia repleto de atividades, um amigo coreano, fluente em castelhano, mas não em português, sugeriu que fôssemos, após o jantar, ao "parque de diversificação". Pensei que fosse alguma exposição econômica. Estávamos cansados – mais de 11 horas de voo entre São Paulo e Paris, mais 11 de Paris até Pequim, e mais uma hora entre Pequim e Pyongyang, mais os problemas do fuso horário, não são brincadeira para quem já passou dos 50 anos, para falar modestamente (no meu caso, sem modéstia, isso quer dizer que falta pouco para os 60...).

Ainda bem que, apesar do cansaço, aceitamos a sugestão do nosso amigo. Ele, ao tentar falar o português, cometera um pequeno e compreensível equívoco. Tratava-se do Parque de Diversões de Pyongyang.

A construção do parque foi uma ideia do general Kim Zong Un, vice-presidente da Comissão Nacional de Defesa, aprovada pelo presidente desta instituição, e secretário-geral do Partido do Trabalho da Coreia, Kim Zong Il, chamado pelos coreanos "o grande dirigente". O general Kim Zong Un também dirigiu pessoalmente os trabalhos de edificação do Parque.

É inevitável, para um brasileiro, que a toda hora ocorressem comparações com nossa vida aqui, em nosso país. Meu pai era um operário que durante 40 anos trabalhou em estaleiros, estradas ou em fábricas, mas, nos fins de semana, quando não cozinhava em casa para livrar minha mãe dessa tarefa, fazia questão de sair com a família. Íamos à Quinta da Boa Vista, onde fica o Zoológico do Rio, ou, antes de 1964, quando a situação era muito menos apertada, íamos almoçar com os vizinhos num restaurante alemão que ficava na Rio-Petrópolis. Uma vez até entramos na Hípica, clube granfino que abrira as portas ao público para uma "festa da uva".

Porém, durante todo o tempo em que trabalhou, jamais meu pai conseguiu sair, com a família ou sozinho, no meio da semana. No dia seguinte, às 5 horas da manhã, em certas épocas até mais cedo, ele tinha que tomar o seu café e ir ao trabalho – do qual chegava sempre bem extenuado.

No entanto, no Parque de Diversões de Pyongyang, numa noite de quinta-feira, havia seis ou sete mil crianças acompanhadas pelos pais - que tinham, todos, o ar inconfundível de trabalhadores. Para brasileiros comuns, como era o nosso caso, seria quase incrível, se não estivéssemos vendo (quase que escrevo "vendo com nossos olhos", mas é difícil que o leitor presuma que estávamos vendo com outros órgãos...).

O general Kim Zong Un tinha razão ao se preocupar com a diversão do povo. Um governo que não se preocupa com isso, despreza aquilo que Getúlio chamou "o trabalho nacional", com seu fundamental e decisivo elemento, os homens, as mulheres, e seus filhos.

Não representei muito bem as cores brasileiras no Parque de Diversões. Existe lá uma "punching ball", aquela bola que os boxeadores esmurram, para testar a potência do soco. Dei um murro com a direita, justamente a mão do braço afetado pela insidiosa Lesão por Esforços Repetitivos (LER). Resultado: meu soco, segundo o medidor, chegou apenas a 40 quilos. Um vexame. O amigo que nos levou ao Parque conseguiu chegar, num único soco, a mais de 200 quilos. Além disso, venceu minha mulher no tiro-ao-alvo eletrônico, matando todos os pombos virtuais que apareceram na tela, vindos dos mais insuspeitados lugares. Também, com o treinamento que os coreanos fazem para defender o país dos americanos, essas coisas devem ser fichinha...


Publicado por Carlos Lopes, no jornal A Hora do Povo

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Sobre a suposta recessão da economia da RPD da Coreia


En Corea del Sur y Estados Unidos se dicen últimamente tonterías sobre la economía de Corea del Norte.

Ellos han dicho que Corea del Norte ha estado experimentando la desaceleración económica durante dos años y han hecho circular un documento que llama a ser prudentes en cuanto a la inversión en la RPDC. Todos estos rumores son distorsiones sobre la realidad de la economía nacional autosuficiente de la RPDC .

Los últimos dos años, el enemigo se han referido a un tiempo de agitación, cuando en realidad Corea del Norte estaba viendo logros milagrosos sin precedentes e innovaciones en su campaña para mejorar el nivel de la vida de la población y la construcción socialista. Durante este período se han logrado terminar una serie de planes de mejora y se impulsó con gran valentía el plan de desarrollo hasta alcanzar un punto de inflexión en la construcción de una nación económicamente desarrollada.

Ahora la economía de la RPDC está en auge, hasta un punto de su desarrollo hasta ahora desconocido. Se han hecho progresos en la construcción de una economía nacional Juche, moderna y científica. Sólo hay que abrir los ojos para verlo. Un cambio asombroso, como una revolución industrial en el siglo 21, se lleva a cabo en la RPDC. La construcción económica socialista ha entrado en una fase más elevada de impulsar la industria moderna del conocimiento.

La fábrica Huichon Ryonha de máquina-herramienta pronto tendrá éxito en el centro de fabricación de mecanizado de 11 ejes. La RPDC se siente orgullosa de asumir el liderazgo en el desarrollo de la tecnología CNC y la industria de la construcción de maquinaria. El sistema de acero Juche basado en la producción con materias primas nacionales ha sido completada y una base sólida se ha puesto a la producción masiva de fertilizantes y de fibra Juche.

El país ha logrado la fusión nuclear e hizo un logro admirable en bioingeniería.

Un reactor nuclear de agua ligera que se basa al 100 por ciento de materiales y tecnología nacionales disponibles pronto estará en funcionamiento. Una base sólida capaz de hacer la vida material de la gente y las actividades culturales ricos está dando sus frutos.

Todos estos resultados son un gran producto de la época de gran auge en el que el Partido de los Trabajadores de Corea y el gobierno de la RPDC han construido un poderoso elemento de disuasión nuclear y, sobre la base de la misma, han concentrado sus esfuerzos en la construcción económica y la mejora de la de la vida del pueblo.

Cada vez más países muestran un creciente interés en la inversión en la RPDC, ya que tiene una base enorme potencial económico, y una gran riqueza de recursos y se encuentra en un punto de vista económico y geográfico importante en el corazón de la región Asia-Pacífico.

Un cambio notable es que tiene lugar en el desarrollo de las relaciones económicas con sus vecinos.

Bajo estas circunstancias, es un acto absurdo la intención de obstaculizar la inversión en la RPDC y sus actividades económicas externas. La distorsión está también motivada por una intención siniestra de abrir una brecha entre la RPDC y China y entre la RPDC y Rusia, que están asistiendo a un aumento constante en su relación. El rumor del retroceso económico de la RPDC es un rumor difundido por los que están molestos con la gran campaña de la RPDC para abrir las puertas a ser una nación próspera en el 2012.

Desaceleración de la economía o ruina son, en cambio, términos que tienen más que ver con los EE.UU., que tiene alrededor de 20 millones de personas en pobreza extrema, o Corea del sur, que tiene una tasa diaria promedio de 40 suicidios debido al desempleo masivo y el empeoramiento del nivel de vida.

Las palabras pronunciadas por las fuerzas hostiles en los EE.UU. y Corea del Sur, reflejan simplemente el reconocimiento por sí mismos de que están perdido el duelo en que se han empeñado contra la RPDC.

El ejército de Corea y el pueblo están dando un gran paso adelante a pesar de las maniobras de los enemigo -esta es nuestra disposición, espíritu y tradición. La RPDC continuará promoviendo una amplia cooperación con todos los países amigos, al mismo tiempo que mejora el potencial y la fuerza de su economía autosuficiente.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

O estudo da Ideia Juche no mundo

Em abril de 2012, Pyongyang, capital da República Popular Democrática da Coreia, será sede de uma conferência mundial da Idéia Juche, teorizada pelo Presidente Kim Il Sung, e enriquecida e desenvolvida pelo Dirigente Kim Jong Il. Tal idéia esclareceu de maneira científica que o homem ocupa uma posição protagonista no mundo e desempenha papel decisivo na transformação deste e, sobre a base disso, ilumina o caminho para forjar seu destino com suas próprias forças.

Tal idéia foi concebida por Kim Il Sung em pouco mais de dez anos depois de empreender a luta pela libertação do país nos anos 20, época em que a Coreia ainda vivia sob a ocupação militar do imperialismo japonês. Orientado pela Idéia Juche, o povo coreano, outrora escravo colonial, converteu-se em dono digno de um grande Estado socialista, soberano e independente.

Kim Jong Il, com a apaixonada investigação teórica e ideológica, aprofundou, desenvolveu e sistematizou a Idéia Juche, transformando-a numa idéia diretriz da revolução coreana e da causa da independência da humanidade. A Coreia Socialista, que a tem como ideologia diretriz, defendeu com êxito o socialismo nas mais difíceis condições em que se encontrava por conta do cerco imperialista e, nos dias de hoje, leva a cabo a construção de uma grande potência socialista. A causa da independência da humanidade avança sem reveses a despeito da arbitrariedade dos Estados Unidos, autodenominados como “única superpotência mundial”.

O estudo e a divulgação da Idéia Juche foi iniciada por indivíduos isolados no mundo e, aos poucos, seu estudo foi se popularizando no mundo. Em abril de 1969, foi organizado um grupo de estudos das obras do camarada Kim Il Sung por professores e alunos de uma instituição de ensino superior em Mali e, posteriormente, muitas organizações para o estudo do Juche foram criadas no mundo. Em abril de 1977, uma organização nacional para o estudo do Juche foi fundada no Líbano. Quase que simultaneamente a esse último acontecimento, o estudo e a divulgação da mesma começou a se revestir de um caráter internacional.

O Simpósio Científico Internacional sobre a Ideia Juche, efetuado em Atenanarivo, capital de Madagascar, constatou a necessidade de se criar uma instituição acadêmica internacional para fomentar o estudo, a divulgação, e a aplicação da mesma. Em 1977, teve lugar em Pyongyang um seminário internacional sobre a Idéia Juche, o qual, refletindo a vontade unânime dos participantes do evento de se fundar um instituto internacional da Ideia Juche, estabeleceu um comitê organizativo, pondo-o em ação. Como resultado, em abril de 1978 foi fundado o Instituto Internacional da Ideia Juche.

Outras associações semelhantes ao IIIJ também foram sendo fundadas: o Instituto Asiático da Ideia Juche, em setembro de 1980, o Instituto Regional Africano para o Estudo da Idéia Juche em abril de 1985 e a Associação da Região Européia para o Estudo da Ideia Juche em outubro de 1985. Na América Latina, desde 1978 existe um instituto continental da Ideia Juche.

Nos dias de hoje, há no mundo mais de mil grupos de estudo, vinte e sete comitês nacionais, quatro organismos continentais e o IIIJ formando um ordenado sistema piramidal.

As organizações mencionadas realizaram ativamente seminários sobre a Ideia Juche. Só nos anos 80 foram realizados simpósios sobre a mesma a nível mundial em Nova Delhi, India, em Lisboa, Portugal, em Viena, na Áustria, em Atenas, na Grécia, e em Pyongyang, Coréia, treze seminários continentais e mais de cem seminários nacionais em trinta e seis países. Nos anos 1990, foram realizados dois seminários internacionais, mesmo em circunstâncias complexas por conta da queda do socialismo nos países europeus ocidentais.

Nos anos 2000 tiveram lugar mais de trezentos simpósios sobre a Ideia Juche em mais de quarenta países, em 2002 foi realizada a conferência mundial pela causa da independência no século XXI em Colombo, capital de Sri Lanka, e em 2011 tivemos simpósios sobre a Ideia Juche em vários países e regiões.

Em março de 2011, os assistentes do Seminário Nacional sobre a Ideia Juche em Bangladesh tomaram a iniciativa de convocar no ano de 2012 uma conferência mundial sobre a Ideia Juche, a qual ganhou entusiástica simpatia de muitas organizações e entidades jucheanas.

A causa da humanidade avançará triunfalmente sob o banner do Juche.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

KCNA repudia declarações do Secretário de Defesa dos Estados Unidos


As acusações dos Estados Unidos contra a RPDC sobre a questão dos “direitos humanos” são constantes, nunca cessam. O chefe diplomático norte-americano levantou recentemente a declaração segundo a qual a RPDC estaria “violando os direitos de seus cidadãos” e que os Estados Unidos continuariam a “censurar fortemente as ameaças da Coreia do Norte”. Tais declarações não passam, como sempre, de um ataque à soberania e à dignidade da RPDC e é, por si só, uma enorme de falta de respeito à democracia e aos direitos humanos.

Os direitos humanos são direitos de uma nação soberana, e vice versa. Portanto, constitui uma grande violação aos direitos humanos o não-reconhecimento - por parte dos Estados Unidos - do caminho socialista escolhido de forma soberana pelo povo coreano e suas constantes sabotagens ao nosso país por conta da escolha desse mesmo sistema.

Não existem quaisquer “violações” aos direitos humanos por nossa parte. Tais violações não podem existir à base de um sistema socialista que serve ao povo e o põe no centro de tudo. Entretanto, a acusação de violar os direitos humanos é perfeitamente cabível aos próprios acusadores: os imperialistas norte-americanos.

As manifestações que tiveram lugar em Wall Street representam a indignação do povo dos Estados Unidos frente às violações dos direitos humanos por parte do governo de seu país. No momento atual, um sem número de pessoas está sendo jogado às ruas, deixado sem-teto e tendo suas casas como objeto de especulação. Na última semana, mais 403 mil cidadãos norte-americanos perderam seus empregos – tal fato é um indicativo gigantesco do problema do desemprego.

O número de cidadãos vivendo pobreza total alcançou 46,2 milhões de pessoas, 2,6 milhões a mais do que no ano anterior. O padrão de vida é o pior no país desde há décadas.

Somado a tudo isso, um aumento enorme de crimes como assaltos a mão armada, estupros, furtos etc. caracteriza os Estados Unidos como uma sociedade que não respeita os direitos humanos e viola o direito à existência de seus cidadãos a cada momento.

A cada dia que passa, mais inocentes são vítimas de violências por parte das forças norte-americanas no Afeganistão, no Iraque e no Paquistão. Na parte sul de nosso país, recrutas norte-americanos estupram e roubam garotas estudantes, causando grande revolta entre nossos compatriotas sul-coreanos.

Os Estados Unidos violam constantemente acordos internacionais e centenas de milhares de inocentes são presos e mortos sob o pretexto de serem “terroristas”. Sob o pretexto também de “combater o terrorismo” e “defender os direitos humanos”, os Estados Unidos violam a soberania de vários países, destroem-nos para depois transformarem-nos em Estados satélites.

O governo norte-americano deve analisar seus próprios atos, antes de acusar qualquer outro governo de “violar os direitos humanos”. Com os constantes ataques contra nosso país e a nosso governo, as conversações bilaterais jamais conseguirão prosseguir.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Realizada em São Paulo abertura de exposição sobre a Coreia do Norte

No dia 04 de outubro de 2011, às 19h00, foi realizada, na Câmara Municipal de São Paulo, a abertura da exposição de quadros, fotos e livros sobre a República Popular Democrática da Coréia. O evento, realizado pela Secretária de Relações Internacionais do PCdoB, contou com a presença de figuras de relevo na política nacional, como o embaixador da RPD da Coréia no Brasil, Ri Hwa Gun, o secretário de Relações Internacionais da Prefeitura de São Paulo, Alfredo Cotait Neto, o vereador de São Paulo pelo PCdoB, Jamil Murad, o Secretário de Relações Internacionais do PCdoB, Ricardo Abreu, e o Secretário de Comunicações do PCdoB, José Reinaldo Carvalho.

Durante a realização do evento, Alfredo Cotait lembrou que, a despeito dos mais de dez anos de desenvolvimento das relações bilaterais entre Brasil e RPD da Coréia nos campos diplomático, político e comercial (com um comércio bilateral em torno de US$180 milhões), a segunda ainda é profundamente desconhecida no Brasil, mesmo pelos seus representantes. Por meio da exposição de fotos, livros e arquitetura, o secretário da prefeitura mostrou-se bastante impressionado com a indústria norte-coreana e esperava que a exposição – que ficará aberta até o dia 7 de outubro – contribuísse para aprofundar relações com a RPD da Coréia e para que os cidadãos de São Paulo conhecessem mais sobre a história e cultura coreanas.
Ao pronunciar suas palavras, o embaixador Ri Hwa Gun se disse bastante feliz e satisfeito com as mensagens de solidariedade e com o grande número de pessoas interessado em conhecer melhor o seu país. Comentando sobre os pontos altos dos dez anos do início das relações de seu país com o Brasil, fez conhecer ao público a escola norte-coreana em Santa Catarina de arte a bordado, e também destacou que o governo norte-coreano tem a intenção de enviar mais especialistas em bordado para montar mais escolas no Brasil, assim como fez o convite para que mais brasileiros visitassem a Coréia do Norte. Lembrou da ajuda do Brasil de 16 mil toneladas de alimentos para seu país no ano passado, após desastres ambientais que prejudicaram a agricultura norte-coreana.

Depois dos discursos, foi exibido um documentário de vinte minutos que retratava a sociedade norte-coreana hoje. O documentário destacou, no início, o contraste entre as palavras pronunciadas pelo secretário de Estado norte-americano logo após o fim da Guerra da Coréia, Foster Dulles, segundo as quais “a Coréia não se levantará nem em cem anos”, e o colossal desenvolvimento econômico e social realizado pela RPD da Coréia em questão de vinte a trinta anos. Foram mostrados também grandes parques industriais, cooperativas agrícolas, escolas, hospitais, e meios de transporte norte-coreanos. Após a exibição do documentário, o vereador Jamil Murad se disse bastante impressionado com o aspecto desenvolvido da RPD da Coréia e com a felicidade de seu povo.
Ao final, Ri Hwa Gun fez os últimos agradecimentos e cumprimentou a todos.


Da redação

sábado, 1 de outubro de 2011

Nota: Aumento de crimes norte-americanos na Coreia do sul

Os últimos meses registraram um grande aumento de crimes cometidos por soldados norte-americanos estacionados na Coreia do sul. De acordo com os arquivos liberados pela Agência de Polícia sul-coreana, registraram-se mais de 370 ocorrências como furtos, assaltos, estupros etc. cometidos por norte-americanos – mais do que o dobro registrado em 2005. Foram registradas também, em 2010, 24 ocorrências de assassinatos cometidos por também por norte-americanos.

Recentemente, no dia 30 de setembro de 2011, um soldado norte-americano pertencente à Segunda Divisão do exército agressor, foi acusado de estuprar uma estudante sul-coreana de dezoito anos em Tongduchon, na província de Kyonggi. Apesar disso, o criminoso não será julgado por tribunal da República da Coreia, mas sim um tribunal norte-americano.
Tal quadro deplorável ainda é marcado pela impunidade. Embora milhares de casos de crimes tenham sido registrados de 2005 a 2010, somente dois recrutas criminosos foram condenados neste mesmo intervalo de tempo.

A inexistência de uma situação de guerra de facto – apesar dos constantes desequilíbrios e tensões entre o Norte e Sul da Coreia – e a demanda comum de todo o povo coreano pela reunificação pacífica da Coreia não coaduna com a ocupação do sul da Coreia pelas tropas agressoras norte-americanas e exige a retirada imediata das mesmas, assim como uma devida indenização ao povo coreano por todos os crimes lá cometidos.


Da Redação, com Agências KCNA e Yonhap

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A guerra da Coreia e os perigos actuais na Península Coreana

Publicamos a seguir um texto sobre a Guerra da Coréia, retirado da edição nº 33 de O Militante, revista teórica do Partido Comunista Português.


A guerra da Coreia e os perigos actuais na Península Coreana


Seis décadas após a terrível guerra da Coreia, os ventos da agressão e guerra imperialistas continuam a soprar de forma perigosa em torno da Península Coreana. A tensão alimentada pelo imperialismo serve de pretexto para que os EUA continuem a manter, 65 anos após o fim da II Guerra Mundial, milhares de soldados, bases militares e armas nucleares no Japão e na Coreia do Sul, no âmbito da sua política de dominação planetária. Essa presença, que desde há décadas limita a soberania e independência dessas potências asiáticas, tem hoje – como há 60 anos – um outro alvo: o gigante chinês, cuja importância mundial é cada vez maior e decisiva.
Os planos de ataque de Clinton e Bush

«Oito anos antes da Administração Bush ter decretado a sua estratégia de defesa nacional,  proclamando a doutrina [do ataque] preemptivo, os Estados Unidos estiveram à beira de iniciar uma guerra para impedir a Coreia do Norte de vir a ter armas nucleares. […] Nós os dois, então no Pentágono, preparámos os planos para atacar as instalações nucleares da Coreia do Norte e para preparar centenas de milhar de tropas americanas para a guerra que provavelmente se teria seguido». Estas palavras foram escritas em Outubro de 2002 (1). Os seus autores foram o Ministro e Vice-Ministro da «Defesa» dos EUA, no primeiro Governo do Presidente Clinton. A confissão é elucidativa, porque os seus autores estão orgulhosamente conscientes da natureza totalmente criminosa dos seus planos: «Passámos boa parte do primeiro semestre de 1994 a preparar a guerra na Península Coreana. […] Preparámos um plano pormenorizado de ataque [à central de produção de energia atómica de] Yongbyon, com bombas guiadas de precisão. Estávamos muito confiantes de que a poderíamos destruir sem provocar uma fusão [do reactor] que libertasse radioactividade para a atmosfera. […] Mas um ataque a Yongbyon, embora cirúrgico em si mesmo, dificilmente seria cirúrgico no seu efeito global. O resultado provável desse ataque seria um surto das forças militares, antiquadas mas numerosas e fanáticas, da Coreia do Norte, que atravessariam a Zona Desmilitarizada que separa a Coreia do Norte e a Coreia do Sul. […] Na eventualidade dum ataque [?!?] norte-coreano, as forças dos EUA, trabalhando lado a lado com o exército sul-coreano e utilizando bases no Japão, rapidamente destruiriam o exército e o regime norte-coreano. Mas ao contrário da Tempestade no Deserto (2), que foi combatida nos desertos árabes, os combates noutra guerra da Coreia teriam lugar nos subúrbios densamente povoados de Seul. […] Milhares de tropas dos EUA e dezenas de milhar de tropas sul-coreanas morreriam e milhões de refugiados encheriam as estradas. As baixas norte-coreanas seriam ainda maiores. A intensidade dos combates seria a maior a que o mundo já teria assistido desde a última Guerra da Coreia».

É difícil saber o que é mais criminoso nestas declarações dos Ministros do anterior Presidente «democrata» dos EUA. À arrogância imperial (no seu auge em 2002) de considerar que os EUA têm o direito de atacar militarmente qualquer país que não se submeta aos seus ditames, soma-se a criminosa convicção de que bombardear uma central nuclear não traz consequências catastróficas – ou, mais provavelmente, a total indiferença perante um tal desenlace. Repare-se como nas macabras contabilizações de baixas resultantes duma guerra desencadeada pelo ataque dos EUA, estão ausentes as baixas civis. Em 2003, outro artigo, no New York Times, afirma que planos idênticos estavam a ser preparados pela Administração Bush, e que «poderão ser usadas armas nucleares tácticas» contra a Coreia do Norte (3).

É importante relembrar estas confissões dos senhores da guerra de Washington, porque quando se trata de falar da Península Coreana, ou da República Democrática e Popular da Coreia (RDPC), a quase totalidade da comunicação social afina por um único diapasão. Ao unilateralismo de regime no relato (ou omissão) dos factos contemporâneos, junta-se a falsificação da realidade histórica que nos trouxe à situação actual. E que é indispensável para a compreensão da natureza das forças envolvidas na questão coreana. Por discutíveis que possam ser aspectos da realidade ou das acções norte-coreanas, é indesmentível que a principal responsabilidade pela tensão e os perigos para a paz que emanam da Península Coreana recai sobre o imperialismo norte-americano. Como prova o seu macabro historial de agressões naquela martirizada região do globo.


A guerra de 1950-53


Faz sessenta anos, a Península Coreana estava a ferro e fogo, na primeira das grandes guerras do imperialismo dos EUA após a II Guerra Mundial. Soldados norte-americanos e chineses chegaram a enfrentar-se directamente nos campos de batalha da Coreia. A Guerra da Coreia foi de uma brutalidade extrema. Escreve o jornalista norte-americano Gregory Elich: «No primeiro ano da guerra, a 5 de Novembro de 1950, o General Douglas MacArthur (4) ordenou a destruição de “todos os meios de comunicação, todas as instalações, fábricas, cidades ou aldeias” numa região que se estendia do Rio Yalu (5) até à frente de combate. A primeira cidade a ser arrasada foi Sinuiju, e rapidamente se começou a usar o napalm nos raides aéreos contra civis. Mais de [8700 litros] (6) de napalm foram lançados sobre Pyongyang num único raide, em Julho de 1952. Bombardeamentos massivos arrasaram sistematicamente vila após vila, e os aviões dos EUA também alvejaram estações de energia eléctrica e barragens de irrigação que davam apoio aos campos de arroz. Com a destruição das barragens, as aldeias a jusante eram varridas pelas águas, espalhando a morte e destruição em larga escala. Por várias vezes durante a guerra, os EUA consideraram a utilização de armas nucleares. […] De acordo com o General Curtis LeMay, “arrasámos praticamente todas as cidades, quer na Coreia do Norte, quer na Coreia do Sul”, “matámos mais de um milhão de civis coreanos e expulsámos vários milhões dos seus lares”» (7). O relato de Elich é confirmado pelo Professor de História da Universidade de Chicago, Bruce Cumings, no seu recente livro «The Korean War» (8). Afirmando que a guerra provocou mais de 4 milhões de baixas, pelo menos metade das quais civis, Cumings cita um jornalista que «testemunhou “uma devastação completa entre o Rio Yalu e a capital” Pyongyang. Pura e simplesmente “não havia mais cidades na Coreia do Norte”» (p. 154). «No fim [da guerra], o nível de destruição urbana excedia tudo o que se verificou na Alemanha e Japão, de acordo com as estimativas da Força Aérea dos EUA» escreve Cumings (p. 159), acrescentando  que a Convenção da ONU contra o Genocídio «foi aprovada em 1948 e entrou em vigor em 1951 – precisamente quando a Força Aérea dos EUA estava a cometer um genocídio, ao abrigo da definição [da Convenção] e sob a alçada do Comando das Nações Unidas (9), contra os cidadãos da Coreia do Norte» (p. 161).

É usual ouvir-se dizer que a guerra da Coreia começou no dia 25 de Junho de 1950, a partir duma incursão de tropas da Coreia do Norte em território do Sul. Escusando-se a tirar conclusões categóricas sobre os acontecimentos da noite de 24-25 de Junho («há ainda muito para saber sobre o que se passou nesse fim-de-semana» e «informações iniciais dos serviços secretos foram inconclusivas sobre quem os teria iniciado», p. 9), o Professor Cumings chama a atenção para o facto de que incidentes de fronteira tinham sido frequentes nos meses anteriores e que «muitos dos intensos combates ao longo da fronteira que decorreram entre Maio e Dezembro de 1949 foram, segundo informações internas Americanas, iniciados pelas forças do Sul» [sob ocupação dos EUA] (p. 139). Num desse confrontos fronteiriços, «iniciado pelo Sul» em 4 de Maio de 1949, morreram «400 soldados norte-coreanos e 22 soldados sul-coreanos» (p. 140).
Noutro incidente, no Verão de 1949 «vários navios sul-coreanos invadiram as águas territoriais [do Norte] e bombardearam um pequeno porto». Cumings assinala que o então chefe fantoche da Coreia do Sul, Syngman Rhee, era fervoroso partidário dum ataque militar ao Norte (10) e que John Foster Dulles, irmão do Director da CIA e mais tarde Ministro dos Negócios Estrangeiros dos EUA sob Eisenhower, visitou a Coreia e o paralelo 38 (fronteira das duas Coreias) uma semana antes do início da guerra (p. 6). Mas Cumings aborda outros aspectos mais de fundo da questão.


Da ocupação japonesa à partição americana


Em 1910 a Coreia foi anexada pelo Japão. A ocupação japonesa durou várias décadas, até ao final da II Guerra Mundial. Cumings assinala que «a ocupação japonesa da Coreia de 1910 a 1945 é semelhante à ocupação Nazi da França, pela forma como afectou e penetrou na consciência nacional coreana» (p. 45). A resistência coreana à ocupação foi intensa e teve um papel importante na própria China, após a invasão e ocupação japonesa do nordeste chinês, que deu origem ao Estado fantoche de Manchukuo. Segundo Cumings, coreanos desempenharam um papel de enorme importância na resistência («cerca de 80% da guerrilha anti-japonesa em Manchukuo», p. 52), incluindo no seio do próprio Partido Comunista Chinês. «Em meados dos anos 30, o homem que assumiu o nome de guerra Kim Il Sung era um chefe da guerrilha bem conhecido e formidável» (p. 44). No final da II Guerra Mundial, com tropas soviéticas a entrar na Coreia ocupada pelos japoneses a partir do Norte (que faz uma pequena fronteira com a Rússia), e os EUA ainda não presentes em território coreano, estes últimos decretaram unilateralmente o paralelo 38 como linha divisória das zonas da responsabilidade da URSS e dos EUA. Na zona sul, a ocupação dos EUA «instaurou um governo militar que durou três anos e influenciou profundamente a história da Coreia no pós-guerra» (Cumings, p. 104). Durante esses anos, os EUA recorreram aos coreanos colaboracionistas com a ocupação japonesa para formar os quadros dirigentes do futuro Estado sul-coreano. Uma semana após o desembarque de forças norte-americanas, um chefe dos serviços secretos militares dos EUA «havia descoberto “algumas centenas de conservadores” que poderiam ser bons dirigentes da Coreia no pós-guerra. A maioria tinha colaborado com o imperialismo japonês, escreveu, mas estava esperançoso de que essa mácula viesse a desaparecer. Neste grupo de pessoas estavam a maioria dos dirigentes que mais tarde viriam a gerir a política sul-coreana» (Cumings, p. 106). Em 1950, no início da guerra «quase todos os comandantes de topo do exército sul-coreano haviam servido os japoneses» (p. 44).

Os anos que antecederam a guerra foram anos de resistência e revolta da população do Sul contra a ocupação dos EUA e seus fantoches. «Uma revolta de grande dimensão abalou a ocupação americana até aos alicerces em Outubro e Novembro de 1946, e foi o culminar de numerosos conflitos, nos meses precedentes, com comités populares poderosos. Em Outubro de 1948 uma nova grande revolta verifica-se na região do porto sudoriental de Yosu, no rescaldo da qual se desenvolveu rapidamente uma resistência de guerrilhas, no fundamental baseada no Sul» (p. 111). A repressão destas revoltas pelas forças ao serviço da ocupação foi feroz e sangrenta. Cumings afirma que terão sido mortos cerca de 60 mil dos 300 mil habitantes da ilha de Cheju (p. 121) e mais de 100 mil coreanos da zona sul terão sido vítimas da violência repressiva antes do início da guerra (p. 138). Não espanta que Cumings tire a conclusão que a guerra da Coreia começou nos anos 30 e ainda não terminou (p. 65).

A divisão da Península Coreana foi formalmente consagrada com a criação em Agosto de 1948, na zona sul ocupada pelos EUA, duma República da Coreia. Um mês mais tarde é criada a RDPC, a norte do paralelo 38. O poder a Norte ficou nas mãos das forças que protagonizaram a guerra de libertação nacional contra a ocupação japonesa e a resistência à ocupação pelo imperialismo norte-americano. No Sul, como já se viu, os ocupantes colocaram no poder os colaboracionistas das duas ocupações imperialistas, tendo-se estabelecido uma feroz ditadura que apenas viria a ser abalada pelas revoltas populares dos anos 80.


Os contextos internacionais de 1950 e 2011

O conflito de 1950-53 na Coreia é inseparável do contexto internacional de então. No rescaldo da II Guerra Mundial e do papel crucial da URSS e dos comunistas na derrota do nazi-fascismo, os povos de todo o planeta davam passos enormes no sentido da sua libertação social e nacional. Em Outubro de 1949 triunfava a grande revolução chinesa, sob a direcção do Partido Comunista Chinês. Povos asiáticos colonizados pelas potências «liberal-democráticas» europeias alcançavam pela luta a sua independência (a Índia libertava-se do domínio inglês em 1947, e a Indonésia da colonização holandesa, em 1949). Nos próprios centros do imperialismo europeu, partidos comunistas que haviam contribuído decisivamente para a derrota do fascismo eram forças de enorme importância.  É neste contexto que o imperialismo norte-americano se transforma na ponta de lança da reacção mundial, para desencadear uma contra-ofensiva política, económica, social e militar, que ficou para a História com o nome de Guerra Fria. Em numerosos locais do globo essa contra-ofensiva foi tudo menos «fria». Apoiando as potências coloniais de outrora (como no Vietname, ou na Malásia), ou os fascistas e seus colaboracionistas (como na Grécia, ou na Coreia), o imperialismo recorreu a todos os meios possíveis para travar e fazer recuar a luta de libertação dos povos. A guerra da Coreia e a divisão da Península Coreana são inseparáveis desta realidade central.

As seis décadas decorridas desde a Guerra da Coreia registaram numerosas e profundas alterações na península, na região e no planeta. Mas a Península Coreana continua dividida. A luta pela sua reunificação pacífica e desnuclearização – objectivos de sempre da RDPC – permanece na ordem do dia. O fim dos combates em Julho de 1953 foi siglado por um Armistício, que nunca até hoje foi transformado em Tratado de Paz que pusesse formalmente fim à guerra e reconhecesse a existência da RDPC. A divisão da Coreia continua a servir de pretexto para a presença de dezenas de milhar de soldados dos EUA no Pacífico que, com os seus arsenais nucleares, representam um enorme e permanente perigo para a paz.
A actual e profunda crise do capitalismo mundial, a incapacidade dos centros dirigentes das potências imperialistas lhe darem resposta, a natureza particularmente grave da crise na principal – e mais fortemente armada – potência imperialista do planeta, bem como os reveses que a sua política de hegemonismo e agressão tem vindo a sofrer, são factores que tornam prementes os perigos de que o imperialismo procure fugir à crise através dum aventureiro conflito militar de grandes proporções. Quem se esquecer deste aspecto crucial não poderá compreender de onde vem o perigo de guerra fundamental nos nossos dias. E corre o risco de se vir a encontrar do lado errado da barricada.


Notas

(1) O artigo Back to the Brink, de Ashton B. Carter e William J. Perry, foi publicado em 20.10.02 no Washington Post.
(2) A primeira Guerra do Golfo, de 1991.
(3) Secret, scary plans, de Nicholas D. Kristof, New York Times, 28.2.03.
(4) Comandante das forças militares dos EUA na Coreia até à sua destituição pelo Presidente Truman em Abril de 1951.
(5) O Rio Yalu faz a fronteira entre a Coreia e a China.
(6) No original, «2300 galões».
(7) Targeting North Korea, de Gregory Elich, disponível em http://www.globalresearch.ca/articles/ELI212A.html
(8) The Korean War, de Bruce Cumings, 2010, Modern Library Edition.
(9) O Conselho de Segurança da ONU deu a sua chancela à intervenção militar dos EUA em 25 de Junho de 1950, aproveitando a ausência da URSS que, desde Janeiro desse ano, boicotava as reuniões do Conselho de Segurança, em protesto pelo facto de que após a Revolução Chinesa de 1949, o lugar da China nesse órgão (e o respectivo direito de veto) ter sido entregue ao governo fantoche de Taiwan – situação incrível que se manteve até 1971.
(10) Veja-se também o livro do jornalista australiano Wilfred Burchett «Novamente a Coreia?», edições Seara Nova, 1969, p. 237.


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Rodong Sinmun* exige retirada das tropas norte-americanas da Coreia do sul

Com a intenção de realizar a unânime demanda da nação coreana pela independência, pela paz e pela reunificação, é imperativo por um fim à política norte-americana de ocupação militar sobre a Coreia do sul o mais rápido possível, para dessa forma mais rápido realizar tal demanda.


A presença dos Estados Unidos na Coreia do sul é um ato criminoso que desrespeita a vontade e o direito da nação coreana pelo desenvolvimento independente. A presença dos Estados Unidos na Coreia do sul é um empecilho ao caminho pela reconciliação nacional, pela unidade e pela reunificação.


Os Estados Unidos dão contínuos ímpetos à manutenção das forças norte-americanas estacionadas na Coreia do sul, ignorando as vozes dos coreanos, que possuem como grande demanda a retirada das tropas de agressão sobre o país, que tem como objetivo desencadear uma guerra de agressão contra o sistema socialista do norte da Coreia.


Olhando mais atrás para a história, os Estados Unidos encorajaram diversas manobras que prejudicaram as relações inter-coreanas, que prejudicaram a reconciliação, a cooperação e a reunificação entre as duas partes do país. Os Estados Unidos ainda possuem dezenas de milhares de tropas na Coreia do sul: Tais tropas representam um grande empecilho para estabilizar as tensões na Península Coreana, garantir a paz e desenvolver as relações inter-coreanas.


Dar um fim à presença militar norte-americana e à tirania da mesma sobre a Coreia do sul é uma urgente tarefa histórica da nação coreana. Não existem quaisquer motivos ou desculpas para as forças norte-americanas permanecerem estacionadas sobre o sul da Península.


Fonte: Rodong Sinmun
* Orgão central do Partido dos Trabalhadores da Coreia

sábado, 3 de setembro de 2011

A centralidade dos assuntos militares na construção do socialismo coreano: o que é a Política Songun?



A República Popular Democrática da Coreia dede sua fundação sofre constantemente com as inúmeras provocações e ameaças de agressão do imperialismo. Logo depois de fundada sofreu com uma gigantesca guerra promovida pelos Estados Unidos, os governantes títeres sul-coreanos e mais uma série de países imperialistas. A guerra foi iniciada em 25 de Junho de 1950, após soldados do “Exército de Defesa Nacional” da Coréia do Sul, dirigidos e orientados por oficiais norte-americanos, promoverem ataques surpresas na região do Paralelo 38, avançando na região norte da Coréia (RPDC). A guerra, além de ter custado a vida de milhões de coreanos, causou também a destruição completa da infra-estrutura de suas principais cidades. Naquela época, a vitória do socialismo em diversos países europeus e também em uma das maiores nações do planeta – a República Popular da China – havia impulsionado a luta de libertação dos povos de terceiro mundo.

Com a ajuda da República Popular da China e da União Soviética, os comunistas coreanos conseguiram impor ao imperialismo norte-americano a primeira derrota de sua história. Durante o período pós-guerra da Coreia, os norte-coreanos optaram por começar a construir as bases econômicas do socialismo. Para reconstruir a economia destruída pela guerra, o governo coreano lança o Plano Trienal (1954-1956). Em 1957 iniciam a etapa de cumprimento do Plano Quinquenal da Economia Nacional, inicio da industrialização socialista. Após Kim Il Sung ter lançado a consigna “Avancemos com a velocidade de Chollima!” a sociedade norte-coreana viu surgir um movimento de mobilização popular para a construção socialista chamado “Movimento Chollima”. Chollima é um cavalo alado legendário do folclore coreano, que percorre 400 km em um só dia.

Os feitos econômicos norte-coreanos possibilitaram que o país se industrializasse criando uma economia socialista relativamente desenvolvida. Em poucos anos o país construiu milhares de fábricas, mecanizou sua agricultura, edificou bonitos prédios residenciais, universidades e construiu modernas cidades. Após a crise que culminou com a queda do socialismo no Leste Europeu a Coreia do Norte sofreu duras provas, enfrentando uma situação crítica que assolou os anos 90, que ficou conhecido como “Árdua Marcha”, parecido com o chamado “Período Especial” cubano. Durante esse período o nível de desenvolvimento das forças produtivas regrediu, principalmente na agricultura. O país que era dotado de uma agricultura intensiva e altamente mecanizada, e que exportava grãos para os países socialistas – era o segundo maior exportador de arroz para a União Soviética – passou a sofrer grandes dificuldades neste setor de sua economia. A queda dos países socialistas provocou uma escassez de fertilizantes no país, assim como a dificuldade de obtenção de divisas e petróleo, essenciais para agricultura intensiva e mecanizada da Coréia do Norte

Aproveitando-se da queda do socialismo nos países do Leste-Europeu, os Estados Unidos endureceu e reforçou sua política de provocação, através de movimentações e exercícios militares conjuntos com o exército sul-coreano, e o aprofundamento do bloqueio econômico ao país, que passou a ter um efeito muito devastador, pois a Coreia do Norte havia perdido os seus principais parceiros econômicos representados pelo campo socialista. Estavam criadas as condições objetivas que culminaram na formulação e aplicação da chamada Política Songun, desenvolvida pelo Dirigente Kim Jong Il. A Ideia Songun é uma concepção que defende a centralidade dos assuntos militares na construção do socialismo coreano. Sua formulação e aplicação é o reflexo das condições históricas criadas por uma realidade onde o imperialismo intensifica suas agressões aos povos, principalmente aqueles que escolheram um caminho de desenvolvimento contrário aos seus interesses.

Na República Popular Democrática da Coreia,
 o Exército Popular é força decisiva na construção do socialismo

Origem e contexto sócio-histórico do surgimento da “Política Songun”
Oficialmente os comunistas norte-coreanos consideram Kim Il Sung o criador da Ideia Songun. O surgimento de tal concepção teria se dado na época da Luta Revolucionária Antijaponesa, onde o Exército Revolucionário Popular da Coreia era a principal organização revolucionária do país. A Política Songun é aplicada desde a década de 60, mas se tornou central e mais importante na década de 90.

Com o fim da União Soviética os Estados Unidos intensifica sua política militarista contra a Coreia do Norte aumentando o efetivo militar presente no Sul da península, bem como a deslocação de armamento nuclear para a região. Observando tais movimentações Kim Jong Il analisou a situação nacional e internacional e percebeu a urgência de fazer frente ao imperialismo dando maior importância a assuntos militares e defesa durante a construção do socialismo em um contexto onde o movimento comunista internacional encontrava-se em plena crise.

Fundamentos da Política Songun
Os princípios teóricos da ideia Songun são os mesmos da Ideia Juche, assim como seus objetivos finais: “O homem é dono do mundo e decide tudo”, “Conquistar a independência das massas populares”. Sendo uma ideia política que prioriza os assuntos militares, segundo a ideia Songun a revolução se forja, avança e se concretiza mediante o fuzil. O fuzil (exército, força militar) é o fator decisivo na construção do socialismo coreano, pois durante toda sua história ele foi construído em confrontação com o imperialismo. Poderíamos lembrar a máxima do Presidente Mao Tsé-tung para quem “Todo o poder político nasce da ponta do fuzil”. Obviamente, não se trata de uma concepção que advoga que apenas a aplicação dos métodos militares contra o inimigo de classe bastaria para manter as massas populares coreanas como classe dirigente do país. Na Coreia do Norte, o consenso da sociedade em torno da direção do Partido do Trabalho da Coreia e o seu Secretário Geral, Kim Jong Il, materializa-se principalmente através do anti-imperialismo e se dá uma elevada importância a formação ideológica do cidadão, a fim de garantir uma hegemonia ideológica anti-imperialista e comunista.

A Política Songun confere ao Exército Revolucionário o papel de força mais importante durante a construção socialista. Segundo os comunistas norte-coreanos o Exército Revolucionário, dirigido pelo Partido, a serviço da classe trabalhadora, é a força mais dotada de consciência ideológica revolucionária. A importância atribuída ao Exército Revolucionário na construção socialista também engloba a participação decisiva e principal desta força na construção econômica do país. Praticamente todas as construções relacionadas à infra-estrutura, por exemplo, são levadas a cabo pelo Exército Popular Revolucionário, principalmente em atividades mais perigosas, como no caso da construção da hidrelétrica de Huichon.

Importante ressaltar que a idéia Songun foi elaborada para responder aos problemas impostos a prática da revolução coreana. Não se trata de uma política que todos os países que constroem o socialismo devem passar, apesar de muitos de seus elementos constituintes serem passíveis de uma universalização, como, por exemplo, a importância de uma força armada revolucionária forte, que garanta a ordem socialista e defenda os países da ameaça imperialista.

A guerra de agressão contra a Líbia e a Política Songun
A atual guerra de agressão promovida pela OTAN contra a Líbia é uma clara demonstração de que os comunistas norte-coreanos estão certos em não confiarem no imperialismo. Uma vez mais as principais potências capitalistas demonstram o seu caráter agressor. São nesses episódios que os fatos dão razão aos comunistas coreanos que optaram pelo fortalecimento da defesa nacional e pela política de prioridade aos assuntos militares.

Após a queda da União Soviética o coronel líbio Muamar Kadafi operou mudanças em seu governo que apontavam para uma tentativa de reconciliação com países que outrora eram seus inimigos mortais. Tal mudança de atitude, longe de ter sido feita em uma situação de igualdade entre as partes, apenas refletiam a tentativa de um dirigente em tentar se reposicionar em um mundo onde já não existia mais a guerra fria. As ilusões de Kadaffi levaram o líder líbio ao encerramento do Projeto Nuclear Líbio.

Por suas mudanças Kadaffi chegou ser amplamente elogiado por alguns dirigentes políticos burgueses, como, por exemplo, o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, de quem se declarava amigo. Os Estados Unidos também elogiavam o modo como a Líbia renunciou o seu projeto nuclear dizendo que países como Coréia do Norte e Irã deveriam seguir o mesmo caminho. Como bem lembrou o Ministério de Relações Exteriores da Coréia do Norte, tais atitudes por parte dos Estados Unidos significavam uma tentativa de desarmar o rival utilizando palavras agradáveis, para depois o atacarem com armas.

Se aproveitando das rebeliões populares que tomaram conta de países como o Egito e Tunísia e derrubaram os líderes pró-imperialistas que comandavam estas nações, o imperialismo aproveita para fomentar e financiar um movimento de oposição ao líder líbio. O imperialismo não mede esforços em dar apoio armado aos chamados “rebeldes”, mostra na prática a sua disposição interventora, atitude que não tomaram em relação aos manifestantes do Bahrein, que protestavam contra a ditadura pró-imperialista do rei Hamad Bin Isa Al-Khalil, pois se tratava de uma ditadura que sempre fora servil aos seus interesses.

Óbvio que a situação da Coreia do Norte e Líbia são diferentes, mas os atuais episódios no país africano servem de alerta a todas as nações que estão situadas no campo do anti-imperialismo. No caso norte-coreano, frente as ameaças reais contra o país, dar prioridade aos assuntos militares, elevando o papel de seu Exército, é fundamental para preservar o seu sistema socialista.

Por Gabriel Martinez – Editor do Blog de Solidariedade á Coréia Popular

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