terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Quem são os verdadeiros provocadores da Península coreana?

Pak Geun Hye, gerente fascista sul-coreana, intensifica discurso militarista e anticomunista


Há cerca de 24 horas, toda a imprensa reacionária internacional, sem excluir, claro, a imprensa brasileira, vem dando enorme repercussão à eleição da gerente Pak Geun-Hye (do "Partido Saenury") na Coreia do sul sob ocupação norte-americana. Em particular, toda a imprensa faz questão de enfatizar o discurso anticomunista e anti-RPDC alardeado por Geun-Hye. Afinal, não é uma enorme benção para os grandes monopólios internacionais que se prossigam a existência de gerenciamentos reacionários na Coreia do sul, com o fim de ameaçar cada vez mais o bastião socialista do Oriente, a República Democrática e Popular da Coreia, e reprimir cruelmente o movimento operário e popular sul-coreano?

Em um de seus discursos, a gerente Pak Geun-Hye alardeou que tratará com "mão de ferro" as "provocações da Coreia do Norte". Qualquer pessoa com uma telha de bom senso identificará o cinismo de tais palavras, principalmente quando partem da boca da filha do ex ditador militar-fascista Pak Jong Ri, que, na década de 1970, assassinou milhares e milhares de sul-coreanos que se engajaram em todas as formas de luta contra a camarilha burocrata e reacionária sul-coreana, contra o fascismo, contra o imperialismo norte-americano, pela democracia e pela reunificação nacional e pacífica da Pátria.

Afinal de contas, quais seriam as tais "provocações da Coreia do Norte"? Rechacemos, tópico a tópico, as mentiras sobre as "provocações" levantadas pela nova gerente de turno do regime fascista sul-coreano, demonstrando de maneira cabal quem são os verdadeiros provocadores da península coreana:


Tanquistas norte-coreanos no desfile militar de 15 de abril de 2012

1) Em abril de 2012, a Coreia democrática e popular lançou seu terceiro satélite artificial, Kwangmyongsong-3, para celebrar o aniversário do centenário do Presidente Kim Il Sung, líder da Revolução Coreana e fundador do socialismo no norte da Coreia. De todos os três satélites lançados, respectivamente, em 1998, 2009 e 2012, o terceiro foi o primeiro a não entrar em órbita. Ademais, todos foram satélites fabricados com tecnologia e pessoal técnico 100% autóctone. Foram satélites, não "mísseis balísticos". Satélites de observação terrestre são extremamente necessários para o desenvolvimento econômico de qualquer país: Eles permitem fazer uma correta estimativa da previsão do tempo, estimar com mais precisão a quantidade de colheita e, consequentemente, ameniza e evita os desastres naturais e permite que exista uma alocação correta de recursos naturais, energéticos, hídricos etc. para vários setores da agricultura. No ano passado, a RPDC passou por secas e enchentes que causaram vários danos à economia do país, milhares de hectares de plantações foram perdidos e, por vários meses, as enchetes deixaram quase 300 mil pessoas desabrigadas. Caso o satélite houvesse entrado em órbita, tais calamidades poderiam ter sido evitadas e a Coreia não teria mais contratempos em sua luta para se tornar uma potência econômica socialista. Mesmo diante de tais fatos públicos, de conhecimento de todo o mundo, os Estados Unidos não cumpriram o acordo de Março de 2012, onde se comprometeram enviar à RPDC uma quantidade de 200 mil toneladas de alimentos em troca de uma moratoria no teste de enriquecimento de urânio por parte da RPDC - que nada tinha a ver com o lançamento de satélites com fins pacíficos. Para isolar ainda mais a Coreia socialista no plano internacional, valeu também a postura vergonhosa de países como China e Rússia, que se opuseram ao desenvolvimento econômico independente do país, falando em "parar com as provocações" e em "extender sanções". Ironicamente, no mesmo mês de abril, a República da Índia fez outro teste com um míssil nuclear - este sim, um míssil nuclear, de fins militares, e não satélite artificial de fins pacíficos - que, por sua vez, não foi levado ao Conselho de Segurança da ONU, não rendeu sanções ao país e tampouco comentários agressivos por parte da imprensa reacionária internacional. Eis a forma hipócrita como é a diferença no tratamento dado pela "comunidade internacional" (leia-se: países-satélite dos USA) a um país que abre suas pernas para o capital estrangeiro, para as mineradoras norte-americanas e européias e lança campanhas monstruosas contra seu povo como a "Operação Caçada Verde", de um país que mantém intacta sua soberania e persiste de maneira invariável no caminho socialista. Não bastaram as sanções e as ameaças por parte dos USA e Coreia do Sul - durante os piores meses das enchentes na Coreia do norte, os dois países também realizaram exercícios militares de simulação de guerra contra a RPDC, o que obrigou um contingente enorme do Exército Popular da Coreia a permanecer de guarda e em prontidão para uma nova guerra, fazendo com que fosse reduzido o contigente de soldados do EPC que se dedicaram em ajudar as vítimas em diversas regiões afetadas da RPDC. Diante de tais fatos, objetivos e que existem independente da vontade de quaisquer um de nós, deixamos o leitor tirar suas próprias conclusões sobre a agressão que se extende à RPDC na península coreana. Muito longe de ser o norte o "provocador" ou "ameaçador", os fatos mostram que tais alcunhas cabem precisamente aos imperialistas norte-americanos e seus vassalos da Coreia do sul;

2) Os Estados Unidos são o país mais nuclearizado, ameaçador e agressivo de todo o mundo. De acordo com dados disponibilizados por fontes do próprio governo norte-americano no ano de 2011, os gastos militares dos USA são nada menos que... 850 bilhões de dólares - 48% dos gastos mundiais com armamentos são dos Estados Unidos. Enquanto que os gastos com setores que realmente interessam aos setores populares dos Estados Unidos, como educação, saúde, transporte, saneamento, desenvolvimento econômico, etc. etc., só recebem cortes, os gastos com armamentos só aumentam. Foram os USA o único país do mundo a usar mão da bomba atômico contra outro povo, e que ameaçou lançá-la contra vários outros países, como Coreia do norte, China, Mongólia e União Soviética. Além disso, são os USA os maiores exportadores de fuzis leves do mundo. São os detentores das maiores ogivas nucleares do mundo. Como podemos ver, a economia norte-americana é imperialista e militarizada - depende das guerras, do massacre e da sangria de outros povos para seguir se desenvolvendo. Desde o início do novo milênio, os Estados Unidos já provocaram três novas guerras - no Afeganistão, no Iraque, na Líbia e, atualmente, tenta mover sua máquina de guerra e mercenários para iniciar uma nova agressão contra a Síria e o Irã. Eis o quadro do país que se autodenomina a "terra das oportunidades", "bastião da democracia e da liberdade", que "leva a democracia para o mundo". A Coreia do Sul, da mesma maneira, possui em seu território mais de mil armas nucleares, introduzidas pelos Estados Unidos em suas bases militares no início dos anos 70. Possui um contigente de mais de 700 mil gendarmes, soldados, policiais e mercenários, prontos para agredir a Coreia socialista e massacrar o movimento popular, patriótico e revolucionário sul-coreano, junto com 40 mil soldados norte-americanos ocupantes do território da Coreia do Sul. Durante o início dos anos 70, a Coreia do Sul mobilizou quase 100 mil soldados para incinerarem crianças, mulheres e jovens, ao lado de seus mestres norte-americanos, na Guerra imperialista do Vietnã. De maneira ainda mais submissa e servil, podemos citar o caso deplorável de que é a Coreia do sul o único país do mundo que, para ter seu território ocupado por forças estrangeiras, paga bilhões de dólares anualmente ao país ocupante. Quem, de fato, é a ameaça na península coreana?;

3) No outro extremo, a Coreia Popular, país tido como "hermético", "estranho", que "só faz armas" e que "ameaça o mundo", possui um gasto anual de 5 bilhões de dólares com defesa - somente 16% do orçamento estatal. Isso, claro, para um país que está em pé de guerra com a maior potência do mundo. Não duvidamos que existam países no mundo que, ainda que em períodos de paz, gastem muito mais do que a RPDC em defesa e demais setores militares;

4) Portanto, diante de tais fatos, públicos e irrefutáveis, chegamos somente a três conclusões: (I) Todas as "provocações" vociferadas por Pak Geun-Hye, que supostamente partiriam da RPDC, partem na verdade dos USA e seus vassalos sul-coreanos; (II) Qualquer pessoa que compartilha o mesmo ponto de vista de Pak Geun-Hye, de se utilizar a "mão de ferro" contra um país soberano como a Coreia socialista, é partidário voraz das guerras imperialistas e de todas as suas consequências; (III) A RPD da Coreia possui direito sagrado e inalienável ao desenvolvimento de seu programa nuclear com fins de autodefesa. Dessa maneira, os povos do mundo possuirão total segurança de que não será a Coreia socialista a nova Líbia de nosso milênio.

Manifestamos nossa solidariedade incondicional à Coreia Popular em seu desenvolvimento nuclear e em sua guerra de morte contra o imperialismo. Repudiamos totalmente as declarações mentirosas de Pak Geun-Hye e seus lacaios fascistas do "Partido Saenury".

Viva ao desenvolvimento independente do povo coreano!

2 comentários:

  1. Queridos, vocês realizam um trabalho louvável expondo o outro lado da moeda. Mas, não houve declarações pacíficas ou mais amenas da Sra. Pak Geun Hye antes dos testes nucleares? Essas declarações não seguiram este caminho que eu considero deplorável após os testes norte-coreanos? E não seria melhor investir esses 5 bilhões de dólares em ajuda ao povo que sabidamente passa por dificuldades? Mesmo sabendo que as outras nações gastam 50 vezes mais com material bélico, não seria a hora de pensar internamente, deixando que os Estados Unidos se afogue em seus próprios problemas? Ora, se a nação está desenvolvida, inteiramente feliz, podendo dizer em alto e bom som que não precisam de ajuda externa, que justificativa os Estados Unidos teriam para invadir ou seguir com as provocações contra a RPDC? Tenho um amor muito grande pelo povo norte-coreano mesmo sem nunca ter visitado o país. Espero que o blog entenda os meus questionamentos.

    Cordialmente,

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  2. Querido Anônimo:

    Não temos conhecimento de quaisquer declarações que Pak Geun Hye tenha dado no sentido de se avançar nas conversações de paz com a Coreia do norte. Caso as tenha dado, foram puramente esporádicas, com fins demagógicos e eleitoreiros. Pak Geun Hye, assim como Lee Myung Bak, é uma representante fiel dos interesses norte-americanos na Coreia do sul, e não temos quaisquer ilusões de que será ela quem retomará as conversações da reunificação com o norte socialista.

    O investimento da RPDC no setor de defesa é baixo. Representa somente 16% dos gastos do orçamento estatal. Como já havíamos dito, esses gastos deveriam ser ainda maiores, dado que é a RPDC o país que, atualmente, se encontra na mira dos Estados Unidos e seus países-satélite. É na península coreana onde o risco de se estalar uma nova guerra é muito grande, devido às provocações militares constantes dos USA e da Coreia do Sul contra a Coreia do norte.

    Podemos citar algumas razões pelas quais os USA não "largam o osso" da Península Coreana:

    1) Para resolver a questão coreana, uma questão básica é a substituição do Tratado de Armistício pelo tratado de paz. Outro ponto básico para que haja uma reunificação pacífica entre o norte e o sul é a retirada imediata de todas as tropas norte-americanas, bases militares norte-americanas, etc. etc. da Coreia do sul, e também a redução do efetivo militar tanto do norte quanto do sul para cerca de 50 mil pessoas (propostas feitas durante as conversações norte-sul dos anos 70). A efetivação de tal medida levaria os grandes capitalistas monopolistas-militaristas norte-americanos a perdas de bilhões e bilhões de dólares anualmente, dado que o Estado semicolonial sul-coreano paga volumosas somas de dinheiro aos Estados Unidos para que mantenham sua ocupação criminosa e ilegal em território da Coreia. A redução dos efetivos militares no sul levaria também à perda de mais bilhões e bilhões de dólares por parte das cúpulas imperialistas e militaristas norte-americanas, dado que não teriam mais um mercado tão grande, na Coreia do sul, para a venda de sua produção bélica.

    2) Reunificar a Coreia com base nas propostas do norte equivaleria a jogar por terra mais de 60 anos de propaganda anti-RPDC, dado que a livre circulação entre norte e sul, por ambas as partes, desmacararia as mentiras e deturpações sobre um "país que morre de fome", "país cinza", etc. com os olhos dos próprios coreanos do sul.

    3) É de um interesse enorme por parte dos USA que o governo socialista do norte seja derrubado e anexado pela Coreia do sul sob ocupação imperialista. Derrubar o governo revolucionária equivaleria a frear, em muito, o avanço da Revolução proletária mundial e a influência do socialismo, além de fazer com que um país outrora independente seja reduzido à condição de semicolônia, abrindo assim uma nova fonte de saque matérias-primas baratas para a indústria norte-americana e de investimento do capital imperialista.

    4) Derrubar o governo revolucionário do norte da Coreia tornaria essa região uma nova base militar norte-americana, que daria para os USA uma fronteira militar com a China, o que facilitaria em muito que o imperialismo norte-americano iniciasse uma nova guerra interimperialista contra a China e a Rússia.

    De resto, são vários outros os motivos pelos quais os USA seguem suas provocações na península coreana. Nós, como democratas e amantes de paz, só fazemos questão de denunciá-las.

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