CAMPANHA DE SOLIDARIEDADE

terça-feira, 2 de maio de 2017

Relatório de Viagem à República Popular Democrática da Coreia



No dia 12 de abril de 2017 o Centro de Estudos da Ideia Juche do Brasil enviou uma delegação composta de dois representantes à Pyongyang, capital da República Popular Democrática da Coreia. A delegação estava formada por Gabriel Gonçalves Martinez, Presidente do Centro de Estudos da Ideia Juche e Guilherme Carvalho, membro do respectivo do Centro. Os dois membros da delegação também são militantes da União Reconstrução Comunista.


O trem número K27, que cumpre o trajeto de Beijing até Pyongyang, saiu da Estação Central de Beijing às 17:20 em ponto. A composição do trem era divida entre vagões chineses e norte-coreanos. A maioria dos passageiros chineses, desciam nas estações anteriores a cidade de Dangong, que faz fronteira com a RPDC. Em nosso vagão, havia norte-coreanos e algumas delegações estrangeiras que estavam indo para a RPDC participar das comemorações do 105º aniversário do Presidente Kim Il Sung. A duração total da viagem é de aproximadamente vinte e seis horas, com diversas paradas curtas na China e já dentro do território da RPDC. A parada mais demorada se dá em Dangong, pois todos os passageiros precisam sair do trem para passar pelo processo de imigração. Depois, já em Sinuiju, também é necessário fazer outra parada, onde os oficiais norte-coreanos fazem uma inspeção do trem e checam nossas documentações, como visto e passaporte. A viagem, apesar de longa, é bastante tranquila, com cabines confortáveis, serviço de bordo, restaurante, banheiro, etc. A passagem do território chinês para o território norte-coreano se dá por meio da Ponte de Amizade China-Coreia, que atravessa o Rio Yalu (Amrok). Esta ponte é considerada um símbolo histórico da amizade entre o povo chinês e o povo coreano, que lutaram juntos na Guerra da Libertação da Pátria (Guerra da Coreia).

Ao chegarmos em território norte-coreano é possível observar as diferenças gritantes que existem entre China e RPDC. Dandong é uma cidade relativamente grande, com diversas construções modernas, arranha-céus, parecida com outras grandes cidades chinesas. Já Sinuiju, é uma cidade bem menor, com um forte aspecto de cidade industrial. É possível observar em Sinuiju a tentativa por parte do governo em reformar os estabelecimentos públicos, ao mesmo tempo que é possível também observar o aspecto obsoleto de algumas instalações industriais.

No entanto, ao avançar dentro da cidade, se vê diversos tipos de conjuntos habitacionais, centros culturais, museus, escolas e depósitos industriais. Como qualquer outra cidade da RPDC, para onde quer que se olhe é possível ver cartazes de propaganda revolucionária exaltando o Partido do Trabalho da Coreia, a Comissão Nacional de Defesa, as liderenças revolucionárias e a ideologia do que os coreanos chamam de Kimilsunismo-Kimjongilismo. Ainda dentro da cidade, vê-se plantações e instalações agrícolas. O que salta aos olhos é a maneira como os coreanos aproveitam cada palmo de terra para plantação. O espaço do campo é aproveitado entre as estruturas de plantação, a irrigação e a própria linha ferroviária encarregada de escoar a produção agrícola. Observamos que os camponeses ainda estavam preparando a terra para a plantação. Utilizavam formas rudimentares de arado, como o arado a boi, mesclado com a utilização de alguns tratores. Algo que chamou bastante foi de que praticamente todo o trajeto pelo interior da RPDC era destinado à produção agrícola. Se via extensões gigantescas de terra, sem cercas, onde os camponeses trabalham de forma coletivizada, preparando a terra para o período de plantio. Ao redor do campo vimos alguns vilarejos, compostos de pequenas casas, algumas em estado deteriorado e outras sendo reformadas. De qualquer forma, apesar de ser visível a dificuldade que os coreanos enfrentam para superar os problemas na agricultura, não vimos miséria extrema e muito menos pessoas morrendo de fome nas beiras do trilho do trem.

Ao terminarmos o trajeto no interior do país, chegamos em uma região mais urbanizada, mas que ainda assim possuía um certo aspecto rural, já próximo da cidade de Pyongyang. Chegando em Pyongyang é possível observar a diferença que existe entre a cidade e o campo na RPDC. Pyongyang é uma cidade belíssima, com infraestrutura em crescente processo de modernização. Se vê um número grande de prédios com apartamentos populares, ruas asfaltadas, maior tráfego de automóveis, parques, aeroporto, instalações militares, hospitais e grandes avenidas. É uma cidade relativamente grande, que não deve nada a muitas cidades de países capitalistas, com a diferença de que ela é mais bonita, planejada e organizada.

Ao chegarmos na estação de trem de Pyongyang, fomos recebidos pelo nosso guia, Paek Tae Bong. Paek aprendeu a falar espanhol em Cuba, país onde viveu por 4 anos, mas nos contou que estava praticamente há 15 anos sem praticar o idioma. Isso não nos impediu que nos comunicássemos perfeitamente, pois o seu nível de espanhol era realmente bom. Ele também nos contou que aquela era a sua primeira vez que estava trabalhando como guia para uma delegação estrangeira, confessando-nos que estava um pouco nervoso. Da estação de trem nos dirigimos para o Hotel Koryo, lugar que iríamos ficar durante os próximos sete dias e onde a maioria das delegações estrangeiras de grupos de estudo da ideia Juche estavam hospedadas. No caminho até o Hotel, vimos uma van com uma equipe da brigada de agitação do Partido do Trabalho da Coreia, onde uma companheira coreana lia mensagens no sistema de som da van, exortando para que o povo seguisse as orientações do Partido contra as manobras do imperialismo norte-americano e se preparasse para as comemorações do aniversário de Kim Il Sung.

Chegando no Hotel Koryo, encontramos companheiros de outras delegações e depois nos dirigimos para o nosso quarto. Ficamos hospedados em um quarto no 33º andar, um dos últimos andares do hotel. Neste dia não tivemos nenhuma atividade especial e aproveitamos o resto da noite para descansar da longa viagem que fizemos e nos preparamos para o dia seguinte. 

No outro dia, logo pela manhã, nos dirigimos ao Palácio de Cultura do Povo, onde participamos do Seminário Internacional da Ideia Juche e camaradas de diversos centros de estudos da Ideia Juche do mundo, bem como membros da Academia Coreana de Cientistas Sociais, fizeram os seus discursos falando sobre a importância da ideia Juche e os desdobramentos da luta anti-imperialista no mundo. Foi uma importante ocasião para debatermos as experiências de cada grupo de estudos e traçarmos linhas de atuação comum para o próximo período. Ainda no dia 14, pela tarde, fomos ao Centro de Exposições de Pyongyang para participarmos da tradicional exposição das flores Kimilsungia. A Kimilsungia é um tipo de orquídea que recebeu este nome por iniciativa de Sukarno, ex-presidente da Indonésia, que presenteou Kim Il Sung com esta flor quando o Presidente da RPDC visitou o país. No pavilhão da exposição era possível ver diversos arranjos florais enviados por fábricas, empresas, instituições culturais, escolas e universidades de toda a RPDC. Depois, ao voltarmos para o Hotel, participamos de um banquete em homenagem ao aniversário do Presidente Kim Il Sung, que contou com a presença de Kim Ki Nam, Vice-Presidente do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia e da Associação de Cientistas Sociais da Coreia. Kim Ki Nam é um dos dirigentes mais importantes do Partido e do governo da RPDC. Ainda durante o banquete, foi confirmado pelos diretores da Associação Coreana de Cientistas Sociais, que no próximo dia, pela manhã, participaríamos do aguardado desfile militar na Praça Kim Il Sung.
No dia seguinte, todas as delegações estrangeiras se dirigiram para a Praça Kim Il Sung para assistir ao desfile. É importante ressaltar que o desfile foi realizado em meio ao agravamento da tensão militar entre a RPDC e os Estados Unidos. A imprensa ocidental, em seu alarde típico, previa um ataque preventivo iminente à RPDC, por parte dos Estados Unidos, da mesma maneira que este tinha feito na Síria alguns dias antes. Durante o desfile, pudemos presenciar com nossos próprios olhos o poderio do Exército Popular Coreano e a unidade do povo entornam da direção do Partido e de Kim Jong Un. Durante aproximadamente duas horas, diversas unidades do Exército desfilaram pela praça. Depois do desfile militar, houve um gigantesco desfile de massas, que contou com a presença de inúmeros destacamentos de trabalhadores das mais diversas áreas, como operários, camponeses, estudantes, cientistas, esportistas, que carregavam estandartes que correspondiam as palavras de ordem emanadas pelo 7º Congresso do Partido do Trabalho da Coreia, realizado em 2016. Um dos momentos altos do desfile foi o aparecimento de Kim Jong Un na tribuna, saudando as delegações estrangeiras que assistiam ao desfile. Na parte da tarde, visitamos o Palácio do Sol, lugar onde repousam os corpos de Kim Il Sung e Kim Jong Il. No palácio, há diversas galerias que exibem medalhas, prêmios e presentes dados para os dois dirigentes, por organizações políticas, governos, empresas e personalidades de diversos países. Também pudemos um painel que mostra os lugares que ambos dirigentes visitaram durante suas vidas.

 Pela noite, retornamos a Praça Kim Il Sung para participarmos do espetáculo cultural artístico de massas. Neste espetáculo houve apresentações de música e dança, executadas por grupos de estudantes das várias universidades da RPDC.

No dia 16 pela manhã, visitamos a região de Mangyongdae e a casa onde nasceu Kim Il Sung. Mangyongdae é um lugar muito visitado pelos norte-coreanos, pois é considerado o berço da revolução coreana. Nesta casa, Kim Il Sung viveu junto com seus pais, avós e primos. A casa ficava dentro de uma fazenda de propriedade de um latifundiário. A família de Kim Il Sung era uma família de camponeses pobres que arrendavam a terra para poder viver e trabalhar. Aos 13 anos, Kim Il Sung sai de Mangyongdae e se dirige à China, para estudar e militar pela independência de seu país contra o domínio colonial japonês. Na antiga casa de Kim Il Sung podemos ver os instrumentos de trabalho utilizado por sua família, bem como outros tipos de utensílios domésticos.

Depois de visitarmos Mangyongdae, as delegações estrangeiras se dirigiram novamente ao Palácio de Cultura do Povo, onde foi realizado o segundo dia de atividades do Seminário Internacional da Ideia Juche. Neste dia outros delegados estrangeiros fizeram suas exposições, descrevendo suas experiências no trabalho de divulgação da ideia Juche em seus respectivos países. Entre os delegados, havia representações da Rússia, Espanha, Inglaterra, Índia, Nepal, Paquistão, Japão, México, etc. Após o seminário, ao final do dia, fomos às estátuas de Kim Il Sung e Kim Jong Il, localizadas ao pé da colina Moran, para fazermos uma oferenda de flores em memória dos dois dirigentes máximos da Revolução Coreana.

O dia 17 de abril teve um caráter mais recreativo. Foi um dia de confraternização entre as delegações e os diretores e acadêmicos da Academia Coreana de Cientistas Sociais. Participamos de atividades esportivas e desfrutamos de um almoço com churrasco ao estilo coreano. A atividade foi realizada nos arredores do Estádio Primeiro de Maio, o maior estádio do mundo. Durante a confraternização, realizada dentro de um campo de futebol, cada delegação teve que preparar uma canção do seu país e uma canção coreana. De nossa parte, cantamos a canção coreana Vamos defender o Socialismo!, que apareceu pela primeira vez na RPDC durante a chamada Árdua Marcha, período onde a Coreia enfrentou uma grave crise, decorrente do desaparecimento da União Soviética e dos países do Leste Europeu, ao mesmo tempo em que enfrentava severos desastres naturais que prejudicaram enormemente a economia do país.

O dia 18 amanheceu chuvoso e com fortes ventos. Mesmo assim, não podíamos cancelar nossas atividades diárias. Para este dia, estava programada uma visita ao gigantesco Museu da Guerra de Libertação da Pátria, que mostra a história de luta do povo coreano contra a agressão japonesa e principalmente norte-americana. O museu conta com diversas galerias que apresentam as várias etapas da luta do povo coreano contra o imperialismo. É possível ver diversos aviões, helicópteros, tanques, mísseis submarinos capturados pelo Exército Popular Coreano durante a guerra. Chama à atenção o barco norte-americano USS Pueblo, capturado em 23 de janeiro de 1969, durante uma tentativa de incursão do exército imperialista norte-americano em águas territoriais da RPDC. Este navio é exibido como um troféu de guerra. Dentro dele pudemos ver diversos equipamentos de espionagem utilizados pelo exército imperialista. Foram capturados pelo Exército Popular Coreano 83 membros da tripulação, entre eles seis oficiais, sendo um deles morto no conflito da captura. O USS Pueblo era um navio de espionagem, dedicado a obter informações de inteligência para o exército estadunidense. Ao entrarmos no museu nos apresentaram um pequeno documentário sobre os antecedentes históricos da Guerra da Coreia. Também pudemos ver uma galeria dedicada aos lutadores internacionais que participaram na luta de libertação da Coreia, entre eles soldados e oficiais soviéticos e chineses.

Após a visita ao Museu de Guerra de Libertação da Pátria, nos dirigimos ao Grande Palácio de Estudos do Povo. Esta enorme construção foi inaugurada em abril de 1982, para comemorar o 70º aniversário de Kim Il Sung. Esta biblioteca é considerada como o centro nacional para o estudo da ideia Juche e foi construída pelo governo da RPDC como uma forma de incentivar a intelectualização de toda a sociedade. A biblioteca conta com salas de computação, aprendizagem de línguas estrangeiras, literatura revolucionária, literatura estrangeira, música e conta com um acervo de mais de 30 milhões de livros. Também assistimos dois documentários sobre a atuação do Partido do Trabalho da Coreia, produzido pela Academia Coreana de Cientistas Sociais e participamos de um ato de lançamento do livro de um camarada nepalês, membro da Associação Nepalesa de Jornalistas Amigos da RPDC e do Partido Comunista do Nepal – Maoísta.

A última atividade do dia foi a visita do Movimento da Juventude. Neste museu recém-reformado, pudemos ver toda a trajetória dos movimentos revolucionários da juventude coreana, desde o período da fundação de organizações como a União para Derrotar o Imperialismo, a União da Juventude Anti-Imperialista e a União da Juventude Comunista. O museu também apresenta a atividade de Kim Il Sung, Kim Jong Il e Kim Jong Un, no processo de liderança do movimento revolucionário da juventude já no período de construção da sociedade socialista.

Na manhã do dia 19, visitamos o Complexo de Ciência e Tecnologia, uma gigantesca construção que visa ser um centro de difusão de conhecimento científico básico. O complexo conta com uma imensa livraria eletrônica, onde os visitantes e usuários dos computadores podem acessar o banco de dados dos principais centros educacionais de nível superior do país, assim como submeter artigos e trabalhos online por meio da rede intranet. Algumas salas são dedicadas para usuários portadores de necessidades especiais. Tivemos oportunidade de ver uma sala equipada com computadores com teclado especial e impressoras em Braille. Os usuários do complexo também podem ter aulas com importantes professores universitários. Há um espaço dedicado às crianças chamado Salão dos Sonhos das Crianças, onde elas podem interagir com diversos experimentos científicos, como o funcionamento da órbita dos planetas, a composição geográfica da Coreia, força cinética, etc.

Após a visita ao Complexo de Ciência e Tecnologia nos dirigimos ao novo Hospital Infantil Okryu. O hospital está localizado na região de Munsu e conta com uma moderna estrutura hospitalar, onde as crianças realizam todos os tipos de exames e medicina preventiva. Como em todos os hospitais da Coreia, também no Hospital Infantil de Okryu, as crianças e as famílias que usam o hospital não arcam com nenhum custo financeiro para utilizá-lo. Dentro do hospital, fomos convidados por repórteres da Rádio Voz da Coreia para concedermos uma entrevista relatando nossas impressões da visita à RPDC. Na ocasião, tivemos oportunidade de denunciarmos as manobras do imperialismo estadunidense, bem como demonstrar nosso completo apoio a causa de construção do socialismo na Coreia.

Por fim, nossa última visita oficial na RPDC foi à ida ao recém-reformado Zoológico Central de Pyongyang. Para chegarmos nele, passamos pela Avenida Mirae, inaugurada em Novembro de 2015. Esta rua possui seis faixas e conta com diversos prédios modernos e apartamentos para os cientistas e funcionários da Universidade Kim Chaek. Também tivemos a oportunidade de ver a recém-inaugurado bairro de Ryomyong. A nova região conta com mais de 40 novos condomínios, sendo 33 deles reformados. Além disso, ainda conta com 36 áreas públicas, como parques, lojas, restaurantes, bares; 6 escolas, 3 jardins de infância e 3 creches.

Considerações finais
Visitar a República Popular Democrática da Coreia consiste em uma experiência única para qualquer pessoa. Em nossa opinião, o que podemos observar é que o povo coreano segue em seu caminho de construção da sociedade socialista. Evidente que, como todo processo, também este não está isento de suas contradições, o que não inválida a experiência de construção socialista em sua totalidade, como querem os liberais e revisionistas, que clamam para que os norte-coreanos sigam o chamado caminho das “reformas”, a exemplo de alguns países que se dizem socialistas. A economia da RPDC segue sendo formada por dois setores básicos, que são o setor estatal de todo o povo e o setor cooperativo. O governo da RPDC busca promover o desenvolvimento da economia, sem sacrificar os fundamentos básicos de que devem reger qualquer economia socialista. Ao invés de apontarem para uma suposta necessidade de se “abrir para o mundo exterior” e para o mercado (leia-se, restaurar o capitalismo), a linha atual dá ênfase a necessidade do país caminha sobre suas próprias pernas, aplicando o que eles sempre defenderam como ideia Juche, uma ideia que se apoia no conceito de soberania, independência e autossuficiência. Dada as circunstâncias onde a RPDC não pode contar com ajuda externa e devido a um criminoso bloqueio econômico contra o país (agora aplicado até por supostos aliados).

No aspecto das relações sociais e humanas, também vemos que na RPDC a materialização dos valores básicos do coletivismo e do humanismo são postos em prática. Ainda que existam fortes resquícios da velha sociedade, o que é normal em um país com pesada herança e tradição feudal e cercado pelo mundo imperialista, é visível a construção de uma sociedade que se baseia em valores qualitativamente superiores aos valores vigentes nas sociedades burguesas. O individualismo, por exemplo, longe de ser apresentado como uma condição natural e inexorável do comportamento e da natureza humana, é apresentado pelo povo coreano como algo a ser superado, e no lugar, construir uma sociedade coletivista onde as relações humanas não se guiam apenas pelos aspectos financeiros, mas por valores como o do companheirismo, solidariedade, que é resumido no princípio de “um por todos e todos por um”. Ou seja, o que sabe mais, ajuda o que sabe menos, e o mais experiente, ajuda o menos experiente. Ao contrário do capitalismo, onde os homens se digladiam em busca de conquistas mesquinhas e vazias e onde não há lugar para todos.

A construção da sociedade socialista é uma tarefa complexa. O povo que se engaja neste caminho, enfrentará inevitavelmente todos os tipos de provocações, ataques e manobras de desestabilização política e ideológica por parte do imperialismo. Sem uma correta direção revolucionária, que aponte para as massas o correto caminho a ser seguido, é impossível que uma revolução se defenda e triunfe. A República Popular Democrática da Coreia, apesar de ser um pequeno país asiático, mostra ao mundo que o socialismo libera aquilo que existe de mais avançado no interior de cada povo e cada cultura. Mesmo um pequeno país tem muito ao que ensinar aos povos do mundo. Nesse sentido, é fundamental que ao analisarmos a experiência de construção do socialismo na Coreia, nos distanciemos de certos preconceitos inculcados na mente de muitas pessoas, mesmo algumas que se consideram de esquerda. A situação de isolamento, bloqueio e provocações vividas pelo povo coreano, nos faz sermos mais tolerantes com os seus eventuais erros ou medidas que podem ser consideradas “polêmicas”.

Construir o socialismo nas condições em que os coreanos se encontram, não é algo simples. Que a RPDC ainda exista como país socialista e independente, que defende a bandeira vermelha revolucionária, já é um fato que por si só é extremamente positivo, e que deveria atrair a simpatia e a solidariedade de todos aqueles que se dizem ao menos anti-imperialistas. Por isso, não colocamos “poréns” na defesa que fazemos do país. Na luta real contra o imperialismo, não existe espaço para vacilações, principalmente quando essas vacilações são frutos das pressões ideológicas do imperialismo, que a todo o momento tenta pautar o que nós, os comunistas e revolucionários, devemos considerar como correto ou não.

Esperamos que o nosso relato de viagem sirva como um estímulo para que mais companheiros se interessem em conhecer a realidade e a história da RPDC, rompendo com a rede de difamações e mentiras levantadas pelo imperialismo e os meios de comunicação que atuam ao seu serviço.

Pequim, 02 de Maio de 2017.



Nenhum comentário:

Postar um comentário