quarta-feira, 26 de maio de 2010

A defesa da Coreia e a belicosidade dos EUA



por Workers World

Quem nos Estados Unidos prestar atenção ao noticiário dos media corporativos deve pensar que a República Democrática Popular da Coreia violou o Tratado Abrangente de Proibição de Testes. Certo?

Só que tal tratado não existe.

Uns 180 países assinaram-se, mas apenas 148 o ratificaram. Segundo o sítio web da Comprehensive Nuclear-Test-Ban Treaty Organization, "Todos os 44 Estados listados especificamente no Tratado – aqueles com capacidades de tecnologia nuclear no momento das negociações finais do Tratado em 1996 – devem assinar e ratificar antes de o CTBT entrar em vigor". (ctbto.org)

Nove daqueles 44 Estados nucleares não ratificaramo tratado, apesar de o terem assinado a uns 13 anos atrás. Portanto, o tratado não está e nunca esteve em vigor.

O governo que mais parece protestar quando um país como a RDPC efectua testes tem sede em Washington. Mas, será que pode imaginar? O Senado dos EUA não ratificou o tratado. De facto, é a recusa de Washington que constitui o principal obstáculo para o tratado CTBT entrar em vigor.

Os EUA testaram as primeiras bombas atómicas do mundo em 1945 e quase imediatamente lançaram duas delas sobre cidades japonesas, matando 220 mil pessoas nos locais e deixando outras 200 mil tão envenenadas pela radioactividade que morreram logo após. Desde aquele tempo até assinarem o tratado em 1996, os EUA testaram 1032 armas nucleares.

Este número de testes com ogivas é maior do que aquele que foi executado por todos os restantes países do mundo em conjunto, do início até o presente.

Assim, como pode o mundo ter qualquer confiança num tratado de proibição de testes nucleares se o país que testou um número tão enormemente desproporcionado de armas não o ratificará?

A RDPC efectuou com êxito dois testes subterrâneos de dispositivos nucleares, um em 2006 e outro em 25 de Maio. Ela não lançou quaisquer bombas sobre ninguém. De facto, as suas tropas nunca combateram em qualquer outro lugar senão a Coreia, e isso para expulsar invasores estrangeiros.

A determinação da RDPC de dedicar recursos substanciais à construção de um dissuasor nuclear reflecte a história trágica da Coreia. Primeiro invadida e anexada pelo colonialismo do Japão, a seguir ocupada pelas tropas dos EUA no fim da II Guerra Mundial, a Coreia sofreu terrivelmente com a ascensão do imperialismo no século XX.

Os EUA criaram uma ditadura militar fantoche no Sul, a qual em 1948 declarou-se República da Coreia. Foi só então que as forças revolucionárias, que haviam libertado a parte norte da Coreia das garras de ferro do Japão, responderam declarando a constituição da RDPC, não como um Estado permanente que ratificaria a divisão da Coreia, mas como um reconhecimento da realidade. O objectivo da RDPC e do povo coreano como um todo sempre foi reunificar o país. Dentro de dois anos, contudo, a RDPC estava a combater uma nova guerra contra invasores imperialistas – desta vez centenas de milhares de tropas estado-unidenses.

Vários milhões de coreanos, civis e soldados, foram mortos na guerra de 1950-53. Uns 53 mil soldados americanos morreram. Embora a guerra acabasse num cessar-fogo com os dois lados aproximadamente onde estavam no princípio, os ocupantes estado-unidenses da Coreia do Sul recusaram-se a assinar um tratado de paz com a RDPC. E assim as coisas permaneceram desde então, com 30 a 40 mil tropas dos EUA a ocuparem o Sul.

Muitos países – o primeiro deles foram os Estados Unidos – declaram que tinham de ter armas nucleares para a auto-defesa. Ninguém tem um direito mais forte a um dissuasor nuclear do que a RDPC, a qual durante mais de meio século enfrentou a ameaça constante de nova agressão da mais poderosamente armada superpotência imperialista.

Se Washington fosse sincera acerca de querer avançar para um mundo livre do nuclear, ela começaria por assinar um tratado de paz com a RDPC, ratificar o CTBT e remover as suas tropas de ocupação da Coreia.
27/Maio/2009
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O original encontra-se em http://www.workers.org/2009/editorials/korea_0604/

Este editorial encontra-se em http://resistir.info/ .

terça-feira, 25 de maio de 2010

Sobre a crise provocada pelo Imperialismo na península coreana

O texto que publicamos a seguir (em espanhol), foi escrito por Alejandro Cao de Benos, delegado especial do Comitê de Relações Culturais com o exterior do governo da RPD da Coréia. Alejandro também é fundador e presidente da Korean Friendship Association.

Observaciones sobre hundimiento del Cheonan
25 de Mayo, 2010
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El incidente de la nave de Cheonan es una fabricación de Corea del Sur y los E.E.U.U.

1
¿Por qué el Sur Corea rechazó al equipo de investigación ofrecido por el norte?
La RPD de Corea ha ofrecido públicamente varias veces el enviar a un equipo de su ejército para aclarar el incidente y demostrar su inocencia. El Sur de Corea no lo permitió. Esto quivale a un caso sin evidencia fundamentada, sin la defensa para el acusado. Una corte planeada para justificar una agresión y un rearme militar imperialista de las fuerzas de los E.E.U.U. en el Pacífico. Igual que sucediera con las armas de destrucción masiva que justificaran la invasión de Irak, y que todavía tienen que encontrar los norteamericanos.

2
¿Quién está utilizando caracteres chinos??
La RPD de Corea, orgullosa de sus raíces y cultura, nunca utiliza caracteres chinos en cualquier producto hecho en el país. Desde hace muchos años, la RPDC produce sus propios tanques, submarinos o torpedos que confían en su industria autosuficiente militar. Ésta es la razón los E.E.U.U. ha vigilado siempre la fabricación de armas como exportación principal de la RPDC. Todas las armas manufacturadas por Corea del Norte utilizan alfabeto coreano, pero las noticias siguientes de Yonhap, hablan de caracteres chinos en los fragmentos del torpedo.
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Corea del Norte utilizó el torpedo Chino en ataque contra la nave surcoreana
SEUL, 19 de mayo 2010 (Yonhap) — Los investigadores han concluido que Corea del Norte atacó una embarcación surcoreana en marzo con un torpedo Chino ya que encontraron la escritura china en los fragmentos del torpedo recogidos de la escena, una fuente gubernamental dijo miércoles. “Los torpedos chinos y Rusos, respectivamente, tienen los idiomas chinos y rusos escritos en su interior” la fuente dijo. ” El chino estaba escrito en fragmentos de torpedo recogidos de la escena adonde la nave de patrulla de 1.200 toneladas Cheonan se partió por la mitad y se hundió el 26 de marzo, él dijo.
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Es precisamente el Sur Corea el que utiliza regularmente lengua China en todos sus artículos manufacturados, incluyendo las armas o los torpedos. En esta historia de las noticias de Yonhap (agencia surcoreana), el 25 de mayo de 2010, podemos ver una ceremonia de instalaciones industriales para fabricar torpedos. Bajo alfabeto coreano, podemos leer los caracteres chinos.


Fábrica de torpedos inaugurada
25 de mayo de 2010, JINHAE, el Sur Corea — Una ceremonia de inauguración se lleva a cabo para marcar la terminación de una nueva fábrica de la fabricación de torpedos en Corea del sur; Jinhae, provincia del sur de Gyeongsang, el 25 de mayo. (Yonhap)

3
¿Cómo un simple número 1 puede vincular un arma a cierto país?
Viendo esta imagen de Reuters, parece que la única prueba que supuestamente vincularía el torpedo a Norcorea, es un número 1 escrito por cualquier persona, esta vez en lengua coreana.
¿No divulgó originalmente el Sur de Corea, que los caracteres chinos fueron escritos en el torpedo? ¿Cómo puede aparecer repentinamente un nuevo carácter coreano escrito con un rotulador azul? (ni siquiera marcado en el metal)


4
A continuación, una foto emitida por el Sur Corea sobre el modelo del supuesto torpedo de Corea del Norte. Las diferencias entre el plano del modelo (incluida la imagen superpuesta por ordenador) y el arma encontrada están claras. Especialmente en el pedazo número 3, podemos ver que la posición no se asemeja en absoluto con el modelo.

Obama reafirma retórica de agressão contra Coreia do Norte


O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ordenou nesta segunda-feira (23) que as forças militares dos EUA estejam de prontidão para um possível conflito com as forças armadas da República Popular Democrática da Coreia (RPDC), de acordo com o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs.
Segundo informou Gibbs, os EUA apoiam energicamente os planos do presidente sul-coreano Lee Myung-bak, que pretende retaliar o vizinho do norte pelo suposto afundamento de um vaso militar do país, ocupado militarmente pelos Estados Unidos há mais de 50 anos.

"O apoio dos EUA à defesa da Coreia do Sul é inequívoco, e o presidente deu ordens para que comandantes militares se coordenem com os colegas da República da Coreia para garantir prontidão e impedir futuras agressões", disse ele.

A corveta de 1.200 toneladas Cheonan, da marinha sul-coreana, ancorada nas águas do sul da ilha de Baengnyeong, explodiu às 21h22 (horário local) da noite de 26 de março passado, dividindo-se em duas partes e afundando completamente em seguida. Dos 104 membros da tripulação, 46 morreram.

A ilha é um dos pontos mais nervosos da fronteira marítima entre as Coreias e foi palco recente de exercícios militares conduzidos pelas forças armadas estadunidenses e sul-coreanas. Após uma "investigação" endossada pelas forças armadas americanas, a Coreia do Norte foi acusada de disparar um torpedo que teria afundado a corveta sul-coreana.

Indução à guerra

O caso lembra o incidente do Golfo de Tonkin, utilizado pelos Estados Unidos para iiciar uma invasão massiva de tropas e dar início à Guerra do Vietnã. Na época, o governo americano alegou que barcos norte-vietnamitas teriam atacado destroieres americanos no golfo.

Diferentemente de Tonkin, onde o ataque jamais aconteceu, o caso da corveta sul-coreana não detonou de imediato uma agressão militar contra a RPDC, mas serve para o complexo militar industrial, com comando no Pentágono, reverter qualquer tentativa de resolução multipolar da questão nuclear da Península Coreana.

"O complexo militar industrial americano não deseja permitir que o Oriente da Ásia passe à esfera de influência da China, procurando obter vantagens no incidente com o Cheonan para induzir uma agressão da Coreia do Sul contra a RPDC", afirma o jornalista japonês Tanaka Sakai, estudioso das relações entre as duas repúblicas.

Os Estados Unidos mantêm cerca de 28 mil soldados na Coreia do Sul e submarinos nucleares, como o USS Columbia — vetor de ataque nuclear —, estiveram presentes na região em que houve o suposto ataque norte-coreano. As duas Coreias, ainda tecnicamente em guerra, têm mais de 1 milhão de tropas próximo à fronteira.

O incidente com a corveta Cheonan foi o pior acontecido com a marinha sul-coreana, desde 1974, quando um dos navios de desembarque de tropas virou e matou 159 marinheiros.

Da redação, com agências

Fonte: Portal Vermelho

domingo, 23 de maio de 2010

RPDC responde a acusações da Coreia do Sul

Da Prensa Latina

A República Popular Democrática da Coreia (RPDC) advertiu hoje sobre uma invalidação do pacto de não agressão com a Coreia do Sul em caso de represálias por seu suposto vínculo com o afundamento de um navio de guerra.

A partir deste momento, consideramos a situação atual como conjuntura de guerra e enfrentaremos todos os problemas que se apresentam nas relações Norte-Sul desse ponto de vista, de acordo com declarações de um porta-voz do Comitê pela Reunificação Pacífica da Pátria, difundidas pela agência de notícias KCNA.

A resposta inclui a ruptura total dos vínculos e o cancelamento total da cooperação, segundo o porta-voz, que recusou novamente as acusações da outra parte quanto a uma participação norte-coreana no afundamento do barco Cheonan em março passado.

Ao referir-se a esse incidente, assinalou que depois de uma investigação de quase dois meses, as autoridades sul-coreanas inventaram à base de hipóteses e conjecturas a chamada prova circunstancial e apresentaram como evidência material “uns pedaços de ferro e alumínio, o que tem sido motivo de deboche”.

O mais ridículo é que vinculam intencionalmente à RPDC esses materiais, que não têm nenhuma marca nem nacionalidade, alegando que o indicam a análise de sua composição, tamanho e forma, acrescentou.

Insiste que a publicação do “resultado da investigação” não é um simples esclarecimento do caso do afundamento do barco, senão uma provocação premeditada para tentar o pretexto de uma guerra de agressão contra este país.

Também considerou isso um complô criado para eludir a grave crise surgida de uma fracassada política interna e externa, e realizar sem problemas as próximas eleições locais.

O Cheonan afundou na noite do passado dia 26 de março no Mar do Oeste da Coreia. De seus 104 tripulantes, 58 foram resgatados, os demais foram dados como mortos ou desaparecidos. A causa do naufrágio foi uma explosão, segundo explicou-se então, sem chegar a vincular a RPDC ao incidente a princípio.

Ontem, um porta-voz do Comitê de Defesa Nacional afirmou que Pyongyang está disposto a enviar inspetores à outra parte para verificar a suposta prova material apresentada como resultado da investigação, que atribui o acontecimento a um ataque de torpedo.

Fonte: O Outro lado da Notícia

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Hu Jintao recebe Kim Jong Il: “A amizade entre China e RPDC é um tesouro para nossos povos”


Kim Jong Il sendo recebido por Hu Jintao em Pequim.


Kim Il Sung e Mao Tsé-tung



Kim Jong Il, presidente da República Popular Democrática da Coreia, visitou a China entre os dias 2 e 7 de Maio em retribuição a visita do presidente chinês, Hu Jintao, à Pyongyang em fevereiro passado.

No encontro entre os dois presidentes em Pequim, Hu Jintao afirmou que “a amizade tradicional entre a China e a RPDC é um tesouro comum de ambos os governos, partidos e povos e que têm a responsabilidade histórica de impulsionar ainda mais essa amizade de geração em geração avançando com os tempos”. Hu enfatizou que o fortalecimento das relações de amizade e cooperação da China com a RPDC é uma política consistente do PCCh e do governo chinês. “A China mantém e promove as relações com a RPDC com uma perspectiva estratégica e de longo prazo e fará esforços conjuntos com a RPDC para fortalecer tais aspectos com a finalidade de beneficiar os povos de ambas nações e contribuir para a manutenção da paz na região e a prosperidade comum”.

O presidente chinês assinalou que “a intensificação dessa cooperação fortalecerá a construção socialista em cada um dos países e a salvaguarda da paz, da estabilidade e da prosperidade regionais”.

O presidente Hu Jintao apresentou cinco propostas sobre o fortalecimento dos vínculos com a RPDC: manter os contatos de alto nível, intensificar a coordenação estratégica, aprofundar a cooperação econômica e comercial, aumentar o intercâmbio de pessoal e consolidar a coordenação em assuntos internacionais e regionais para salvaguardar a paz e a estabilidade regionais.

Kim Jong Il de sua parte, afirmou estar “completamente de acordo” com as propostas. E que “a tradicional amizade entre a RPDC e a China, estabelecida e cultivada pelos líderes das velhas gerações dos dois Estados suportaram as provas do tempo e isso não mudará apesar das mudanças de época e de gerações. A série de atividades de celebração do 60º aniversário do estabelecimento das relações bilaterais no ano passado elevou a amizade RPDC-China a um novo nível histórico. Graças aos esforços conjuntos das duas partes deu-se um sadio impulso no desenvolvimento do amistoso intercâmbio bilateral e a cooperação em diversos campos”, destacou o presidente coreano, mencionando o recente acordo para a construção de uma ponte sobre o rio Yalu na fronteira entre os dois países e que se converterá num “novo símbolo de cooperação amistosa entre a RPDC e a China”.

O máximo líder coreano afirmou que “em cada visita realizada à China constatei os avanços conquistados pelo povo chinês na grande causa da construção do socialismo com as peculiaridades chinesas. Os êxitos da China são uma importante injeção de coragem para o povo da RPDC”.

Kim Jong Il enfatizou que “o trabalho da RPDC nos diversos terrenos está progredindo de forma ordenada e que a tarefa central de todo o trabalho do partido no país é melhorar constantemente o nível de vida do povo”.

O presidente da China elogiou as medidas efetivas do líder do país vizinho “para impulsionar a economia e as condições de vida de seu povo” e manifestou seu desejo de que a RPDC “alcance metas mais ambiciosas em matéria de desenvolvimento com a liderança do PTC”.

Em resposta o Presidente Kim Jong Il expressou sua convicção de que “sob a direção do PCCh, com o presidente Hu Jintao como secretário-geral, o povo da China seguirá acumulando novas vitórias no processo histórico de aperfeiçoar a capacidade de governar do Partido, de por em prática a concepção científica de desenvolvimento e de construir uma sociedade harmoniosa”.

Kim Jong Il apresentou ao líder chinês as felicitações pelo sucesso da abertura da Exposição Universal de Xangai e as condolências pelas vítimas humanas e as perdas materiais causadas pelo terremoto de Yushu, em Qinghai, e convidou Hu Jintao a uma nova visita à RPDC, gesto que Hu agradeceu e aceitou.

No dia seguinte ao encontro, 6 de maio, o presidente Hu Jintao acompanhou o presidente Kim Jong Il em visita a uma empresa de biotecnologia de Pequim.

“O povo da RPDC sente-se orgulhoso das conquistas da China em matéria de desenvolvimento nacional”, assim o líder máximo da RPDC concluiu seu diálogo com o Presidente chinês.

Em seguida Kim Jong Il teve encontros separados com o presidente da Assembléia Nacional chinesa, Wu Bangguo, e com o primeiro-ministro, Wen Jiabao, que havia visitado Pyongyang em outubro do ano passado.

Durante a viagem de 5 dias à China, o presidente Kim Jong Il também participou de encontros com líderes chineses de várias cidades do nordeste da China como Dalian, na provícia de Liaoning, onde visitou indústrias para que seus funcionários estudassem a experiência chinesa em renovar sua antiga base industrial. Em Tianjin priorizou o porto e sua capacidade logística e em Sheniang visitou centros de processamento de alimentos, de alta tecnologia e de maquinaria.

Fonte: Jornal Hora do Povo

domingo, 9 de maio de 2010

Presidente da Coreia Popular, Kim Jong Il, visita a China


O presidente da República Popular Democrática da Coreia, Kim Jong Il, chegou a Dalian, cidade chinesa há 300 Km da fronteira com a RPDC no dia 3 de maio numa escala de viagem a Pequim. No dia 5 de maio Kim Jong Il encontrou-se com o presidente chinês, Hu Jintao.

A escala em Dailian é repleta de simbolismo. Nesse importante centro industrial do nordeste da China foi construída, em parceria entre os dois países, a Ponte da Amizade.

A visita do presidente Kim Jong Il à China foi uma retribuição à visita do presidente Hu Jintao a Pyongyang em outubro do ano passado para as celebrações dos 60 anos de amizade e relações diplomáticas entre a China e a RPDC. Na oportunidade Hu Jintao reiterou o convite a Kim Jong Il para a visita à China.

Antes de Kim Jong Il viajar, uma delegação da Coreia Democrática, coordenada por Kim Yong Nam, esteve em Xangai no dia 1º de maio para a abertura da Exposição Universal e foi recebida com honras pelo presidente chinês. Hu Jintao sublinhou que “nos últimos anos conseguimos um grande avanço nas relações bilaterais comuns graças aos esforços dos nossos dois países. Desejo de todo coração ao povo coreano os maiores êxitos na luta para acelerar a construção econômica e para melhorar ainda mais a vida do povo nesse ano em que celebrará os 65 anos de fundação do Partido do Trabalho da Coreia”.

Demonstrando certa irritação com as boas relações mantidas pelos vizinhos China e Coreia Democrática, o presidente sul-coreano, Lee Myung Bak, decidiu, no dia 4 de maio, responsabilizar seus irmãos do norte pelo acidente ocorrido com a corveta da marinha de guerra sul-coreana que afundou, matando 46 soldados, no mar Oeste da Coreia há quase dois meses atrás.

Em comunicado oficial, a Coreia Democrática negou qualquer envolvimento com o acidente do navio sul-coreano e afirmou “faltar aos coreanos do sul uma investigação mais profunda sobre o caso e que o acidente é de responsabilidades dos próprios sul-coreanos”.

ROSANITA CAMPOS


Fonte: Jornal Hora do Povo

sexta-feira, 23 de abril de 2010

PCdoB participa de homenagem ao dia nacional da RPD da Coreia


Neste dia 15 de abril, a República Popular Democrática da Coreia comemora com um grande festival nacional o 98º aniversário do nascimento de seu líder Kim Il Sung, o fundador da Coreia Socialista. A Coreia é um país que avançou em vários terrenos, especialmente no campo social, nas áreas da saúde, da assistência médica às mulheres na gravidez e da educação. O povo coreano, em festa, recorda nesta data as contribuições de seu principal dirigente, Kim Il Sung, que faleceu em 8 de julho de 1994.

Com o propósito de comemorar estes feitos, a Embaixada da RPD da Coreia em Brasília convidou o corpo diplomático e os partidos amigos para um encontro na última terça-feira 13. Na ocasião o PCdoB estava representado por uma comitiva liderada pelo Secretário de Relações Internacionais, Ricardo Alemão Abreu, que na oportunidade entregou ao Embaixador Ri Hwa Gun uma carta assinada por ele e pelo presidente nacional do Partido, Renato Rabelo. O documento assinala os cumprimentos “pelo transcurso destes 98 anos do aniversário natalício de Kim Il Sung, o inesquecível dirigente do povo coreano na luta pela libertação nacional e na construção da sociedade socialista”.

A longa história de defesa da nação coreana

A compreensão das posições assumidas pela Coreia ao longo de décadas e, principalmente, a partir da década de 1990, deve ser baseada não somente a uma visão conjuntural e sim histórica, o que leva a uma conclusão mais realista sobre as origens de um sentimento nacional tão forte e arraigado. O primeiro elemento está no fato de que a civilização coreana é milenar, com mais de 5 mil anos de história. Outro elemento é a localização estratégica da península que, por isso, foi alvo de várias tentativas de invasão e ocupação. Os coreanos criaram uma sólida capacidade de defesa.

Na esteira desta notável capacidade de defesa nacional, a história registra que o povo coreano enfrentou, com a contribuição de países socialistas aliados, a invasão de tropas capitaneadas pelos EUA durante o período imediatamente posterior ao final da II Grande Guerra, que resolveu interferir nos assuntos internos da península coreana tendo como pano de fundo a chamada Guerra Fria.

Atualmente a pátria coreana sob a direção do Partido do Trabalho da Coreia e seu dirigente, o presidente Kim Jong Il, enfrenta desde o final da Guerra da Coreia, o cerco do imperialismo norte-americano e as tentativas de provocações permanentes promovidas pelas forças estadunidenses estacionadas na Coreia do Sul e no Japão.

Na carta da direção do PCdoB ao presidente da RPD da Coreia está consignado que os comunistas brasileiros desejam os melhores votos “de que as comemorações por esta magna data sejam uma fonte de inspiração para o heroico povo coreano na sua vitoriosa caminhada pela consolidação da independência nacional e o progresso do socialismo”.

De Brasília,
Pedro de Oliveira

Conheça a Frente Democrática Nacional Anti-Imperialista


Bandeira da Frente Democrática Nacional Anti-Imperialista


Povo coreano toma as ruas para mostrar sua indignação contra o governo títere e a ocupação imperialista dos Estados Unidos.

O que é a Frente Democrática Nacional Anti-Imperialista?

A Frente Democrática Nacional Anti-Imperialista é uma organização revolucionária do povo sulcoreano. Um partido de massas composto por patriotas sul-coreanos de diferentes classes sociais que lutam pela democracia e pela independência do país.

A FDNAI guia-se pela Idéia Juche e defende ativamente a reunificação da Coréia.

O programa imediato da FDNAI consiste na instauração de um governo nacional independente, livre do domínio neocolonial na Coréia do Sul.

Site da Frente Democrática Nacional Anti-Imperialista (em inglês): http://ndfsk.dyndns.org/kuguk8/Title1.htm

Com informações da KFA-Itália

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Livro escrito por cubanos sobre o socialismo coreano



O Blog de Solidariedade à Coréia Popular compartilha com os internautas o livro “Corea Sí” escrito por Raúl I. Garcia Alvarez e Mayra Pardillo Gómez, jornalistas cubanos que estiveram na República Popular e Democrática da Coréia e tiveram ótimas impressões do país. O livro foi disponibilizado no site da CJC (Coletivo de Jovens Comunistas), juventude do PCPE (Partido Comunista dos Povos da Espanha).

Para ler o livro: http://www.nodo50.org/cjc/wp-content/uploads/2009/11/corea-si.pdf

domingo, 18 de abril de 2010

A Ideia Juche e a Revolução Coreana

“É necessário notar que, mesmo entre os comunistas, pouco se comenta sobre a experiência socialista coreana. Soma-se a falta de informação com o preconceito ideológico das classes dominantes e muita coisa deixa de ser explicada corretamente”

O texto A Idéia Juche e a Revolução Coreana é, infelizmente, iniciadas com estas tristes palavras. Já comentava sabiamente Ludo Martens, em sua ilustre obra Stálin, Um Novo Olhar, sobre a dificuldade de se levantar voz contra o furacão anti-stalinista levantado pelas classes reacionárias. O mesmo comenta também, mais uma vez sabiamente, que a propaganda anticomunista contaminou não só aqueles que se dizem apolíticos, mas também centenas de milhares de comunistas, combatentes antiimperialistas e demais membros das forças populares.

Pois bem, esse mesmo caso se aplica aos dias de hoje. Mesmo após a história ter provado o quão erradas e contra-revolucionárias são as posições antistalinistas, ainda persistem aqueles que fazem questão em fazer coro com as posições da burguesia com relação aos países socialistas.

Sem dúvida, dentre os países que resolveram manter o rumo socialista mesmo após a queda da URSS – República Popular da China, República de Cuba, República Socialista do Vietnã, República Democrática Popular da Coreia -, o último é o que passa por mais dificuldades, e também é o maior alvo no qual a propaganda anticomunista resolveu mirar.

No Brasil, ainda existem poucos ou quase nenhum escrito com uma visão revolucionária com relação à experiência socialista da Coreia. Sou capaz de dizer, aliás, que o texto que aqui publicamos é um dos primeiros escritos que esclarecem de fato o que acontece no país. Sem sombra de dúvidas, aos que recusam a se submeter ao furacão anticomunista, tal obra é uma rica fonte de informações sobre a República Popular Democrática da Coreia e, portanto, deve ser lida e estudada.





A IDEIA JUCHE E A REVOLUÇÃO COREANA 

Por Gabriel Martinez





“Os revolucionários devem ter como máxima de suas vidas e de suas lutas, a verdade de que se confiam e se apóiam no povo, sempre se sairão vitoriosos, porém se são repudiados por ele, sofrerão mil derrostas.” Kim Il Sung – Presidente e líder histórico da República Popular e Democrática da Coréia.

É necessário notar que, mesmo entre comunistas, pouco se comenta sobre a experiência socialista coreana. Soma-se a falta de informação com o preconceito ideológico das classes dominantes e muita coisa deixa de ser explicada corretamente. Não é difícil encontrarmos militantes socialistas e comunistas defendendo a posição ideológica do imperialismo, de que a República Popular Democrática da Coreia (RPDC) vive sob uma “ditadura-monárquica” brutal. A experiência norte-coreana deve ser analisada à luz do materialismo-histórico, tendo em vista que a revolução coreana é parte da revolução proletária mundial e que representou um papel importante na luta transformadora do século XX. As forças revolucionárias precisam – urgentemente – recuperar sua autonomia ideológica, rompendo definitivamente com os preconceitos difundidos pela ideologia dominante do imperialismo.

O que é Ideia Juche?

A ideologia oficial do partido governante da RPDC, o Partido do Trabalho da Coréia (PTC), é a Ideia Juche. A Ideia Juche foi desenvolvida por Kim Il Sung, líder da revolução coreana e fundador do Partido do Trabalho da Coreia. De acordo com os comunistas coreanos a superioridade da Ideia Juche consiste no fato de que, indicando a posição e o papel do homem no mundo, esclarece-se de maneira mais científica a forma como o homem forja o seu destino. O problema fundamental da filosofia deixa de ser a relação entre o pensar e a existência e passa a ser entre o mundo e o homem. Segundo os atuais dirigentes comunistas coreanos, a Idéia Juche não é apenas o marxismo-leninismo adaptado à realidade coreana, mas sim uma nova ideologia, superior ao próprio marxismo. É o socialismo científico alçado a outro patamar. Nas palavras de Kim Jong Il, principal líder da RPDC:

“Se o marxismo criou pela primeira vez a concepção revolucionaria de mundo da classe trabalhadora, a ideia Juche a aperfeiçuou, desenvolvendo-a à uma etapa superior.”

Em suas memórias Kim Il Sung nos revela que durante a luta revolucionária “sua doutrina”, “seu credo” foi o chamado “iminwichon”, que significa considerar o povo como o centro de tudo. O principio básico da Ideia Juche é de que as massas populares são donas do mundo e de seu próprio destino.

A RPDC foi fundada em um período de ascensão do movimento revolucionário, mais precisamente no ano de 1948, um ano antes da fundação da República Popular da China. Assim como as demais revoluções que triunfaram na Ásia a defesa da dignidade nacional estava em primeiro plano. Para os comunistas coreanos só poderia existir defesa da dignidade nacional se tal luta estivesse ligada organicamente com a luta pelo socialismo. Só quem viveu aquele sombrio período pode relatar com precisão o que era viver em um país ocupado pelo imperialismo japonês. As feridas deixadas pela invasão japonesa, e mais tarde, pela guerra promovida pelo imperialismo norte-americano ainda sangram e mexem profundamente com o emocional dos coreanos. Vale lembrar que o país asiático onde mais ocorrem protestos contra os Estados Unidos é justamente a Coreia do Sul.

Patriotismo, Nacionalismo e Comunismo: alguma contradição?
Uma das grandes polêmicas que perduram dentro do campo das forças revolucionárias, até os dias de hoje, é o da possibilidade de relacionar ideais nacionalistas com ideais comunistas. As revoluções de libertação nacional, que eclodiram na Ásia e África, demonstraram empiricamente que a Questão Nacional é o elo que liga as massas populares dos países subjugados pelo domínio econômico e militar do imperialismo ao socialismo. Contudo, para não gerar confusão, acredito que seja necessário distinguir os dois tipos de nacionalismo; aquele professado pelos imperialistas, que legitima agressões, invasões e espoliações, e o nacionalismo popular das massas de países subjugados, que defende os interesses da nação contra os invasores e a exploração imperialista. Em suma, trata-se de dois conceitos diferentes de nacionalismo: o da burguesia e o das massas oprimidas.

No texto Para compreender corretamente o Nacionalismo Kim Jong Il chama a atenção e expõem a necessidade de se diferenciar o “verdadeiro nacionalismo” do “nacionalismo da burguesia”. Para ele o nacionalismo burguês se manifesta como “egoísmo nacional”, “exclusivismo” e “chauvinismo de grande potência”. Essa afirmação não é nenhuma novidade dentro do movimento comunista internacional, mas mesmo assim alguns países socialistas chegaram a cometer esse desvio. Para os comunistas coreanos os grandes clássicos do marxismo-leninismo não deram respostas suficientes a respeito do sentimento nacionalista, devido ao grande combate que a teoria revolucionária travou contra esta ideia, isso permitiu que não se tratasse corretamente esse aspecto da teoria. Kim Jong Il afirma que:

“O nacionalismo não está em contradição com o internacionalismo. Internacionalismo é ajuda apoio e solidariedade entre os países e nações (...) Para dizer a verdade, um internacionalismo à margem da nação e divorciado do nacionalismo não significa nada.”

Outro exemplo clássico de junção de ideais nacional-patrióticos e comunistas é o caso do Vietnã. Ho Chi Minh, um dos maiores revolucionários da história, disse certa vez que, teria sido o patriotismo, e não o comunismo, que o levou acreditar em Lênin e na 3ª Internacional.

Levando em consideração que em países subjugados pelo imperialismo, podem fazer parte do que chamamos de “massas populares” várias classes sociais diferentes (operários, camponeses, pequena-burguesia, burguesia nacional) é necessário que os comunistas compreendam que a sua concepção de nacionalismo e patriotismo se difere da concepção burguesa. Analisando o caso coreano, muitos setores da burguesia nacional acreditavam que após a libertação da pátria, o que deveria ser feito era a restauração da velha monarquia, ou alguns, nutrindo esperanças reformistas, acreditavam que o caminho correto a seguir era o da construção do capitalismo. Porém, os fatos demonstram que somente os comunistas poderiam levar a luta revolucionária do povo coreano até o fim, defendendo um nacionalismo-popular de caráter revolucionário.

Os países asiáticos que realizaram revoluções socialistas e depois resistiram à queda do campo socialista não abriram mão de seu caráter internacionalista. É um principio de classe inerente à ideologia comunista, mas ao mesmo tempo não podem abrir mão de seus interesses nacionais, tendo em vista que o imperialismo ainda ameaça a independência dos povos no mundo e principalmente a soberania desses países. Basta analisarmos o apoio que os Estados Unidos deram, e ainda dão, aos separatistas tibetanos e Dalai Lama, na luta pela desestabilização da República Popular da China. Lembrando que a questão nacional se faz presente em amplos países do chamado “Terceiro Mundo” e não somente dos países socialistas que ainda existem.

Acredito ser necessário abordar mais um problema, que nos leva a defender a ainda presente centralidade da questão nacional na revolução coreana. Devemos levar em consideração que a Coreia é um país ocupado e dividido. A RPDC sofre não somente um poderoso bloqueio econômico, mas também militar. O risco de uma possível guerra ainda é uma realidade na vida do povo. Após o término da guerra da Coreia, nenhum tratado de paz entre Estados Unidos e Coreia Popular foi assinado. Incentivar o sentimento patriótico é uma maneira de estimular o espírito das massas no combate ao imperialismo e na resolução do problema da reunificação da pátria. O problema da reunificação da pátria só será devidamente solucionado quando as tropas americanas deixarem o sul da península, para que o próprio povo coreano cuide dos problemas relevantes a sua reunificação nacional pacifica.

Movimento comunista coreano e a luta pela libertação da pátria
O triunfo da Revolução de Outubro trouxe novos ventos para o mundo todo e na Ásia, obviamente, não foi diferente. Na época a Coreia se encontrava sob ocupação japonesa e a luta pela libertação nacional era a principal bandeira de luta dos progressistas coreanos. Foi nesse cenário que começou o surgimento de pessoas adeptas aos ideais comunistas, tendo em vista o declínio do nacionalismo burguês. Antes mesmo do triunfo da revolução russa, foi fundada na Coreia, uma organização chamada ANC (Associação Nacional Coreana). Era uma organização clandestina que tinha como objetivo promover a libertação do país e construir um Estado “soberano” e “civilizado”.

A base social da ANC era muito ampla, uma organização de massas, que contava com a presença de trabalhadores, camponeses, estudantes, militares independentistas, comerciantes, religiosos, etc. Kim Hyong Jik, pai de Kim Il Sung, foi um dos fundadores da ANC.

O Partido Comunista da Coreia foi fundado em 1925 e dissolvido em 1928, após anos de repressão brutal e muitas disputas fracionárias dentro do partido. Kim Il Sung costumava tratar com certo desprezo as diversas frações que se diziam marxistas-leninistas como era o caso do grupo “União Marxista Leninista” e o “Grupo Hwayo”. Em 1926 Kim Il Sung criou a UDI (União para derrotar o imperialismo). O tempo que passou em uma escola militar dirigida pelos nacionalistas coreanos, fez amadurecer a ideia de que, com aquela ideologia (nacionalista burguesa) e os métodos militares utilizados pelas forças independentistas, a independência da Coreia não iria se concretizar.

A UDI prestou um papel importante na elevação do grau de consciência e organização das massas coreanas, principalmente os jovens. Mais tarde a UDI se converteria na União da Juventude Anti-imperialista. Depois, em 1927, Kim Il Sung funda a UJCC (União da Juventude Comunista da Coreia). Estendendo sua atividade para o território chinês, Kim Il Sung fundaria mais organizações de massas, como a União da Juventude Paeksan e a União de Camponeses de Xinantun.

No decorrer da luta revolucionária, após longo processo de reflexão dos aspectos ideológicos que guiavam a ação dos comunistas coreanos, Kim Il Sung concebe a Ideia Juche. O objetivo da nova ideia revolucionária era o de munir as massas populares de uma ideologia que buscasse a independência da Coreia, apoiando-se na própria força do povo coreano. Kim Il Sung concluiu que cada nação pode fazer triunfar sua revolução somente sob sua própria responsabilidade e que os problemas surgidos no interior do processo deveriam ser solucionados de maneira independente.

A “Conferência de Kalun” e o ponto de virada da revolução coreana
No dia 30 de Junho de 1930, ocorre em Kalun, na China, uma reunião de dirigentes da Juventude Comunista e Anti-imperialista. Tal reunião representaria um marco na história do movimento comunista coreano. Nela, Kim Il Sung apresentou um informe intitulado “O caminho a ser seguido pela revolução coreana”, que apresenta pela primeira vez as concepções da Ideia Juche. As principais diretrizes da reunião definiram:

- A primeira etapa da revolução coreana era democrática, anti-imperialista e antifeudal;

- As principais forças da revolução são constituídas pelos amplos setores anti-imperialistas da sociedade coreana, formados por camponeses, trabalhadores, estudantes, intelectuais, pequenos proprietários, religiosos e capitalistas que possuíam alguma consciência nacional;

- Constituir um Exército Revolucionário da Coreia, que conduziria a Luta Armada Antijaponesa;

- Fundar de maneira independente um partido revolucionário comunista, corrigindo os erros que levaram a liquidação do antigo partido.

A primeira organização do novo partido surge logo após o término da conferência de Kalun e ganha o nome de Associação de Camaradas Konsol. Logo após, se constitui o Exército Revolucionário da Coréia. A nova orientação surgida na Conferência de Kalun ganha apoio da Internacional Comunista.

Após duras batalhas, em 1945, finalmente, o povo coreano vence o imperialismo japonês; o povo coreano, através de suas organizações clandestinas, o Exército Popular Revolucionário e o Exército Vermelho (URSS) foram os principais atores da revolução coreana. Comitês Populares se espalharam por todo território coreano, constituindo assim um órgão de poder popular constituído pelo próprio povo coreano. A União Soviética permaneceu estacionada na parte norte da península. Os Estados Unidos só entrariam na parte sul da península coreana, três semanas depois da libertação do país, e logo trataram de reprimir violentamente os Comitês Populares, devolvendo o poder aos antigos oligarcas representantes do regime colonial. A União Soviética retirou suas tropas da Coreia em 1948, ao passo que os Estados Unidos mantêm as suas até os dias de hoje.

A luta revolucionária do povo coreano nasceu da luta por independência, que começou a ficar mais organizada após a fundação da ANC. Mesmo após anos de lutas por libertação, a revolução coreana está inconclusa. O país segue ocupado por forças imperialistas, estacionadas no sul, que impedem o antigo sonho das massas populares coreanas por independência. O imperialismo americano impôs ao povo coreano uma nova experiência de humilhação: a divisão do país. Em um país ocupado, bloqueado, que sofre ameaças constantes da mais poderosa máquina de guerra da história, a Ideia Juche representa a sistematização teórica da longa trajetória revolucionária do povo coreano, de seu anseio por autonomia, adequando os princípios básicos do socialismo-científico à realidade coreana.

Referências bibliográficas:
•Zong Il, Kim. Sobre La Idea Zuche. Pyongyang: Ediciones en Lenguas Extranjeras, 1982, Corea.
•Kim Il Sung: Breve Biografia. Pyongyang: Ediciones en Lenguas Extranjeras, 2001, Corea.
•Il Sung, Kim. En el Transcurso Del Siglo vol.I e II. Pyongyang: Ediciones en
Lenguas Extranjeras, 2001, Corea.
•Jong Il, Kim. Para compreender correctamente el Nacionalismo. Pyongyang. 2002
• Nogueira Lopes, Juan. 61 anos de Revolución en Corea. Publicado originalmente no site Kaos en La Red: http://www.kaosenlared.net/noticia/61-anos-de-revolucion-en-corea

sábado, 17 de abril de 2010

Viva à Coréia Popular!


Já diziam Marx e Engels, em A Ideologia Alemã, que as idéias dominantes de determinado período histórico não são senão idéias da classe dominante. Pois bem, as idéias dominantes da época em que vivemos, a época do imperialismo, são as idéias da burguesia e das oligarquias mais retrógradas de todos os tempos. As classes dominantes atacam tudo o que tem a ver com a libertação dos povos, com o marxismo-leninismo e com o socialismo. O povo coreano, que desde que realizou sua revolução tem empunhado sem cessar as armas do socialismo científico, do marxismo-leninismo e da libertação nacional, será inevitavelmente vítima de todo o tipo de constantes ataques e difamações por parte da burguesia e dos reacionários. Este blog se propõe a desmascarar certas “verdades absolutas” que aparecem constantemente nos meios de comunicação burgueses sobre a Coréia Socialista, revelando de fato o verdadeiro caráter desse país que, mesmo sob pressões e circunstâncias adversas, obtêm êxito na construção do socialismo de acordo com suas peculiaridades nacionais.