quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Nota de partidos brasileiros pelo falecimento do líder Kim Jong Il


Depois de anunciada a morte do líder Kim Jong Il o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e o Partido Comunista Marxista-Leninista (Brasil) emitiram nota em sua imprensa partidária declarando solidariedade ao povo norte-coreano, ao Partido do Trabalho da Coréia e ao vice-presidente da Comissão Nacional de Defesa, Kim Jong Un. Queremos destacar que a nota publicada pelo PCdoB foi alvo de uma série de comentários de caráter reacionário, sendo reproduzida por destacados nomes do jornalismo de esgoto brasileiro, representado por figuras medíocres como a do blogueiro Reinaldo Azevedo, fiel serviçal da Revista Veja, panfleto burguês brasileiro da pior qualidade.


Nota do PCdoB

Estimado camarada Kim Jong Un
Estimados camaradas do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coréia

Recebemos com profundo pesar a notícia do falecimento do camarada Kim Jong Il, secretário-geral do Partido do Trabalho da Coreia, presidente do Comitê de Defesa Nacional da República Popular Democrática da Coreia e comandante supremo do Exército Popular da Coreia.

Durante toda a sua vida de destacado revolucionário, o camarada Kim Jong Il manteve bem altas as bandeiras da independência da República Popular Democrática da Coreia, da luta anti-imperialista, da construção de um Estado e de uma economia prósperos e socialistas, e baseados nos interesses e necessidades das massas populares.

O camarada Kim Jong Il deu continuidade ao desenvolvimento da revolução coreana, inicialmente liderada pelo camarada Kim Il Sung, defendendo com dignidade as conquistas do socialismo em sua pátria. Patriota e internacionalista promoveu as causas da reunificação coreana, da paz e da amizade e da solidariedade entre os povos.

Em nome dos militantes e do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) expressamos nossas sentidas condolências e nossa homenagem à memória do camarada Kim Jong Il.

Temos a confiança de que o povo coreano e o Partido do Trabalho da Coreia irão superar este momento de dor e seguirão unidos para continuar a defender a independência da nação coreana frente às ameaças e ataques covardes do imperialismo, e ao mesmo tempo seguir impulsionando as inovações necessárias para avançar na construção socialista e na melhoria da vida do povo coreano.

Renato Rabelo, presidente nacional do PCdoB e Ricaro Abreu Alemão secretário de Relações Internacionais do PCdoB

19 de dezembro de 2011




Nota do PCML (Brasil)

Nota de Condolências do PCML(Brasil) pelo falecimento do camarada Kim Jong Il

É com imensa dor que expressamos nossas mais profundas e sinceras condolências pelo falecimento do presidente da Comissão de Defesa Nacional da RPDC, camarada Kim Jong Il. Sabemos que seu exemplo revolucionário permanece vivo em todo o povo coreano que saberá continuar o caminho de soberania, independência e justiça de sua Pátria Socialista. Seu exemplo de luta é um patrimônio de toda a classe operária internacional.

Saudamos também o camarada Kim Jong Un, que expressando a vontade de todo o povo coreano, avançará no trabalho em prol de um Coreia Reunificada e Soberana, livre da ocupação imperialista de parte de seu território.

Jornal Inverta - Órgão Central do Partido Comunista Marxista - Leninista (Brasil)
Comitê Central do Partido Comunista Marxista Leninista (Brasil)


Em memória de um Herói





O texto que publicamos agora foi enviado ao Blog de Solidariedade à Coréia Popular pela União Zucheana, espaço de denúncias contra o sistema capitalista, de solidariedade ao povo norte-coreano. A União Zucheana é um dos grupos brasileiros dedicados ao estudo e divulgação da Idéia Juche. Como o objetivo do blog é também dar espaço para todos aqueles que apóiam a construção do socialismo na RPDC, reproduzimos o texto dos companheiros.

Diz o ditado popular que a morte tem um peso e um significado para as pessoas, dizemos que a morte de uma pessoa que não se preocupa com o povo, que é degenerada e egoísta tem o peso de uma pluma, mas a morte de uma pessoa que se dedica ao povo, é leal ao povo e faz da sua vida uma obra e legado, que dedica a sua vida em amor à humanidade, a morte de uma pessoa dessa pesa como uma montanha. Hoje dia 19 de dezembro de 2011, quando foi anunciada a morte do Querido dirigente Kim Jong Il nos pesou como uma montanha, a humanidade teve uma grande perda, mas para nós e para os povos do mundo inteiro que lutam por uma sociedade melhor, esse triste evento não é o fim das esperanças da humanidade, pois a imortal Idéia Juche estará sempre viva a cada dia que persistimos em lutar, em perseverar por um novo mundo, e a cada dia que nos dedicamos a amar a humanidade, Kim Jong Il representa para nós esse amor e dedicação por um futuro melhor, e por esse motivo sua morte nos pesou tanto, mas dizemos que perseveraremos, mesmo que estejamos de luto, vamos manter nossos planos firmes e não vacilaremos em manter radiantes os princípios do Juche, vamos continuar lutando contra o imperialismo yanke na América latina, vamos continuar apoiando a resistência dos povos Árabes contra a intervenção dos EUA e vamos continuar eternamente solidários ao povo coreano, pois é esse espírito de solidariedade aos povos e de apoiar a luta dos povos tendo como farol um futuro de liberdade, que faz com que amemos a humanidade, é essa dedicação e vontade de servir ao povo que é a maior prova do nosso amor pela humanidade e pela classe trabalhadora que com o seu suor constrói as riquezas que existem, e é esse ensinamento que fará com que Kim Jong Il esteja sempre presente em nós e vivo nas nossas lutas.


NÃO HÁ SER MAIS DIGNO E VALIOSO QUE QUEM LUTA PELA INDEPENDÊNCIA. (KIM JONG IL)

Hoje estamos de luto, não pela morte de uma simples pessoa, mas pela perda de um herói, mas que deixou um grande legado que permanecerá vivo por muitos anos, que deixou lições que são seguidas por militantes do mundo inteiro, e que a história, a luta pela superação das opressões que existem é a missão que temos, e que nós somos os continuadores das sementes deixadas por Kim Il Sung e Kim Jong Il, esperamos que os milhões de coreanos continuem sempre sendo esse farol tão esplêndido e tão luminoso para a humanidade.

Não derramaremos mais lágrimas, não choraremos mais, continuaremos seguindo a diante, pois é esse o maior desejo de Kim Jong Il, o desejo de que nunca nos dobremos frente a ameaça imperialista, que nunca nos curvemos diante das mentiras dos meios de comunicação e que continuemos com esse espírito revolucionário


Hoje uma estrela se apagou, mas somos animados pela certeza de que muitas outras estrelas brilharão, hoje um grande homem morreu, como grandes homens que deram as suas vidas por um mundo melhor também morreram, mas temos a certeza de que outros grandes homens surgem, porque aonde há opressão há resistência, e aqueles que lutam, que lideram revoluções são o maior exemplo de amor ao povo, porque são a síntese de toda a vontade daquele povo lutar por mudanças, são eles que sofrem junto com o povo, e carregam as dores e sofrimentos de um povo, mas são aqueles que também possuem o desejo mais ardente de lutar contra a opressão e exploração, em nome de servir ao povo com todas as forças de seu coração, e nós, aqui no Brasil temos esse ardente e incansável desejo, podemos ser poucos mas temos uma vontade muito grande de lutar. Kim Jong Il faleceu, mas deixou a lição de sermos incansáveis, de perseverar sempre e de nunca pararmos de lutar, a luta continua sempre, resistiremos sempre e é essa a maior forma de ajudarmos

Kim Jong Il, é mantendo viva a sua história, seu legado e sua luta, fazer ecoar as suas palavras, seu pensamento e sua obra, sermos a continuação da sua obra, é essa a nossa maior missão, como temos feito em academias, divulgando materiais de leitura, convocando assembléias e sendo soilidários com a luta do povo coreano, que para nós será sempre o farol de liberdade.


Enquanto a corja da mídia imperialista apresenta a imagem de Kim Jong Il como um "ditador sanguinário", "cruel" e "maligno", dizemos o quanto essas notícias são mentirosas, o quanto é canalha e cínico o aspecto mal caráter dessa mídia corrupta e, que esses que vociferam essas mentiras são os maiores ditadores e cresceram as custas da ditadura militar no Brasil, financiados pelo grupo Time Life dos EUA, quem são eles para falar de democracia? e que servem a ordem capitalista que mantem a desigualdade e o conforto de poucos às custas do suor de muitos, e que quando Kim Jong Il morreu, ele faleceu em trabalho quando estava em um trem indo em direção à uma província inspecionar e orientar trabalhadores do campo, enquanto aqui no Brasil, políticos corruptos ganham autos salários para não trabalhar e viver faltando as assembléias, essa mídia mal caráter não possui moral nenhuma para falar desse grande homem, devem fechar as suas bocas, em um país com pessoas miseráveis como o nosso, e ainda possuem a ousadia de falar mal de Kim Jong Il que morreu lutando e servindo ao seu povo, mas nós ignoramos isso, para nós ele é um herói e leal servidor do seu povo.

ABAIXO O IMPERIALISMO!
ABAIXO A MÍDIA MENTIROSA!
A LUTA CONTINUA!
VIVA KIM JONG IL!
VIVA A REVOLUÇÃO MUNDIAL!
VIVA A COREIA DO NORTE, GRANDE FAROL DA HUMANIDADE!

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Nota de condolências do Partido Comunista dos Povos da Espanha pelo falecimento de Kim Jong Il





O Partido Comunista dos Povos da Espanha, em nota publicada em seu site oficial em 19 de dezembro de 2011, presta sua condolência ao povo norte-coreano e ao Partido do Trabalho da Coréia pelo falecimento do camarada Kim Jong Il:


Mensagem de condolências do PCPE pelo falecimento do camarada Kim Jong Il, Secretário Geral do Partido do Trabalho da Coréia e Presidente da Comissão Nacional de Defesa da RPDC

Aos camaradas do Partido do Trabalho da Coréia, ao povo da República Popular Democrática da Coréia:

Em nome do Comitê Central do Partido Comunista dos Povos da Espanha, quero transmitir o nosso mais sentido pesar e nossas profundas condolências pelo falecimento do camarada Kim Jong Il, Secretário Geral do irmão Partido do Trabalho da Coréia e Presidente da Comissão de Defesa Nacional.

Os comunistas da Espanha, junto com todos os revolucionários e revolucionárias do mundo, transmitem ao povo coreano e ao seu Partido nosso apoio e solidariedade frente a este trágico acontecimento.

Recordaremos ao camarada Kim Jong Il como o dirigente que dedicou todos os seus esforços para defender e desenvolver o processo de construção socialista na República Popular Democrática da Coréia assim como avançar na reunificação do país dividido após a intervenção imperialista e a guerra posterior. 

São nesses momentos quando muito especialmente queremos mostrar toda nossa solidariedade e apoio fraternal, visto que as potencias imperialistas, aproveitando o falecimento do camarada Kim Jong Il, aproveitaram a oportunidade para intensificar a campanha anticomunista, dirigida não somente contra a RPDC, mas contra todos os comunistas do mundo.
Camaradas, o PCPE apoia firmemente o processo de construção socialista coreano e rechaça todo tipo de ingerências externas nos assuntos de um país que é exemplo de dignidade e independência frente aos ataques do imperialismo.

Aproveitamos para reiterar nosso mais sentido pesar e rogamos que transmitam nossas condolências à família do camarada Kim Jong Il.


Viva à República Popular Democrática da Coréia!

Camarada Kim Jong Il, presente!

Comentário sobre a matéria do "Jornal Hoje" a respeito da morte de Kim Jong Il


A morte de Kim Jong Il fez com que analistas bem pagos pela burguesia manifestassem as mais rasteiras e primárias opiniões sobre a Coréia Socialista.


Mais uma matéria que não se recusa a atacar a racionalidade, cultuar a ignorância, apelar para o preconceito e ao "senso comum". A matéria parece dizer que não pretende estimular o senso crítico e sim somente difundir uma determinada posição ideológica, não se esforçando para parecer imparcial. "Ditador" é usado a vontade e sem explicação, todo tipo de epiteto é conferido a Kim Jong-il, o esforço é realmente grande já que estão tratanto de desmoralizar um homem já falecido."

O anuncio na TV norte-coreana foi feito de forma emocionada. A apresentadora chorou. Em um país onde toda a informação é controlada pelo governo, fica difícil saber o que aconteceu exatamente. Segundo a imprensa oficial, Kim Jong-il morreu no sábado de um ataque cardíaco, enquanto fazia uma viagem de inspeção no interior do país."

O que aconteceu exatamente? Se ele morreu por inteiro ou só pela metade? A oração é formulada de forma que contenha a ideia de que o "governo controla tudo", mesmo que isso seja vago e quase metafisico, quer maniipular, logo no primeiro paragrafo, a sua posição acerca do regime. Uma frase mais adequada e racional, seria, por exemplo, "num país onde a grande imprensa é controlada pela oligarquia", para se referir ao Brasil. De qualquer forma provavelmente a questão da informação numa República em Montesquieu e Rousseau é ignorada pelo autor que já começa dizendo o que você tem que pensar: "o governo controla tudo, isso é mau!"

O ditador estava em seu luxuoso trem, já que tem medo de viajar de avião. A TV estatal chinesa, uma das poucas que têm acesso ao país, mostrou norte-coreanos aos prantos depois do anúncio da morte. Eles são levados a crer que Kim Jong-il é quase um ser sagrado. Segundo a versão oficial, no dia em que ele nasceu surgiram dois arco-íris e uma nova estrela no céu.”

Notem nos factoides irrelevantes que tentam moldar seu cérebro, "luxuoso trem", "medo de avião".... eis aqui o suprassumo da Lógica aristotélica expressa neste silogismo: ele tem medo de aviao, logo estava em seu luxuoso trem. Não ocorre ao autor que Kim Jong-il podia estar percorrendo uma distância curtíssima(ou mesmo em escala nacional) ou que nenhum líder mundial anda de carroça(nem Dalai Lama), e claro, se Kim Jong-il andasse certamente Roberto Kovalick não chamaria isso de virtude e sim de "atraso da ditadura comunista".  "Eles são levados a crer", sim, no "totalitarismo maligno" as pessoas são levadas a crer, nisso e naquilo, como somos sortudos, "podemos escolher"! Livres somos nós, no inferno moram os outros. Até B. R. Myers, que é antes de tudo especialista em literatura norte-coreana, deixa bem claro em seu estudo pouco amigável a Coreia do Norte que os líderes não são apresentados como seres divinos e que conceber isso inclusive VAI CONTRA OS FUNDAMENTOS IDEOLÓGICOS DO CULTO À PERSONALIDADE que consistem em apontar o "bom coreano". O que o sr. Roberto Kovalick chama de "versão oficial" foi uma alegoria folclórica publicada num jornal coreano de 1996 que dizia que qunado Kim Jong-il nasceu arco-íris pairaram sob o Paektu.

"Herdeiro de uma das mais brutais ditaduras do mundo, Kim Jong-il comandou a Coreia do Norte por 17 anos, período em que milhões de pessoas morreram de fome e oposicionistas foram mandados para campos de trabalho forçado. Tornou-se temido na Ásia por ter mandado fazer testes atômicos e de foguetes."

Roberto Kovalick tem que se decidir: totalitarismo de proporções religiosas ou ditadura brutal? Bom, só sei que nem por um lado nem por outro ele fornece explicações, ele simplesmente mastiga tudo para você e te fornece "grandes verdades", a você cabe somente aceitar. "período em que milhões de pessoas morreram de fome e oposicionistas foram mandados para campos de trabalho forçado.” Apesar da ausência de fontes, realmente, nesse período milhões de pessoas morreram de fome em todo o mundo, especialmente na África.... também a RPDC sofreu com tal problema devido ao duro cerco inimigo somada a queda da divisão internacional do trabalho socialista e desastre naturais no período de 1996-97, felizmente o "querido dirigente camarada Kim Jong-il" ao invés de submeter o alimento às flutuações da especulação fez um duro racionamento que permitiu que todos comessem, fora o fato de que sua política de inserir os militares em funções produtivas foi útil para recuperar o país e até mesmo desenvolve-lo(nota: o racionamento já acabou).

"O ditador tinha 69 anos e também era motivo de piada por causa da aparência: cabelo sempre espetado, óculos grandes demais, roupas esquisitas e sapatos plataforma para ficar menos baixinho.”

Motivo de piada para quem? Para os gurus da Globo que querem decidir o que eu acho engraçado ou não? Bom, vou me contentar em só contemplar essa frase de teor altamente informativo, apesar de que a "roupa esquisita" de Kim Jong-il é extremamente comum na Coreia do Norte à base de Vinalon e dos norte-coreanos estarem numa média de altura similar a de Kim Jong-il. Provavelmente esse é um artigo sobre moda...

"Apesar do país ser uma ditadura comunista, Kim Jong-il gostava mesmo é do que o capitalismo tem a oferecer. O ditador adorava comida refinada e tinha uma adega com 10 mil garrafas de vinho francês. Uma cinemateca com 20 mil filmes ocidentais. Era fã da série Rambo e Sexta-Feira 13 e 007. Neste último caso, segundo a imprensa sul-coreana, ele perdeu o interesse depois que a Coreia do Norte foi retratada como vilã no filme Um Novo Dia Para Morrer. Os nossos jornalistas são interessantes, vivem falando de como é difícil saber qualquer coisa sobre a sociedade norte-coreana e, segundo Roberto Kovalick, até a noticia da morte de Kim Jong-il é nebulosa. Não obstante eles sabem todos os "hobbys capitalistas" (sic), estoque de vinhos, gostos e filmes favoritos do "ditador do país mais fechado do mundo"(sic). Antes de usar o termo capitalismo(que é uma categoria marxista) Roberto Kovalick deveria compreender que este se trata de um conjunto de relações de produção, que, "comida refinada" é produto do trabalho do homem, trabalho que pode se inserir em diversos tipos de relação capitalistas ou não - comunismo seria um movimento pela extinção dessas relações e o estabelecimento de outras("elações de produção socialistas)."Foi por causa dessas excentricidades da família que o poder agora vai parar nas mãos do filho mais novo, Kim Jong Un. O mais velho, herdeiro natural, perdeu o direito depois de ser preso no Japão por tentar entrar no país com passaporte falso. Ele queria visitar a Disneylândia de Tóquio sem ser identificado. Mais uma pérola aristotélica do sr. Kovalick, deixe-me ver se entendi: Kim Jong-il é um baixinho feio que gosta de 007 e vinhos francês("excêntrico"), LOGO o poder agora vai parar nas mãos de Kim Jong-un. Como o sr. Kovalick se limita a nos presentear com sua sabedoria acabada, permitam-me explicar melhor que não se trata de uma "sucessão monárquica" e sim de um conjunto de manobras políticas e adminisitrativas que colocaram Kim Jong-un no poder - movimentações do mesmo tipo podem tira-lo - , isso para não falar das próximas eleições.

Kim Jong Un tem 27 ou 28 anos e é considerado jovem demais. A Ásia teme que o herdeiro do ditador tente dar uma demonstração de força para unir o país em torno dele, ameaçando ou atacando um país vizinho.

Para finalizar a personificação metafisica de "a Ásia que teme" (o maior país da Ásia é aliado da Coreia do Norte).O texto só reforça o que sempre podemos ver: a Globo não quer que você pense, não quer que você aprenda, não quer que você critique; ela faz tudo isso por você.

André Ortega - Editor do Blog de Solidariedade a Coréia Popular

Nota de solidariedade do Partido do Trabalho do México


Kim Jong Un recebe condolências de Raul Castro Ruz



Pyongyang, 20 de diciembre (ACNC) -- El vicepresidente de la Comisión Militar Central del Partido del Trabajo de Corea, Kim Jong Un, recibió el mensaje de condolencias que le enviara el día 19 Raúl Castro Ruz, Primer Secretario del Comité Central del Partido Comunista de Cuba y Presidente de los Consejos de Estado y de Ministros de la República de Cuba.

Su texto sigue:

Querido Compañero,

En nombre del Partido Comunista de Cuba, del Gobierno y el pueblo cubanos, le transmito a usted las más sentidas condolencias por el fallecimiento del compañero Kim Jong Il, Gran Dirigente del pueblo coreano, Presidente del Comité de Defensa Nacional de la República Popular Democrática de Corea y Secretario General del Partido del Trabajo de Corea.

Reciba el testimonio de mi más alta consideración.

Fonte: KCNA

A Coreia Popular em luto por Kim Jong Il



segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A morte de Kim Jong Il e o futuro do socialismo coreano


Coreanos choram pela morte de Kim Jong Il


A morte do líder norte-coreano suscitou uma série de debates referentes o caráter do sistema político existente na parte norte da península coreana. Para alguns analistas burgueses, o modo como se deu a transição da liderança após a morte de Kim Jong Il seria a prova concreta de que o regime político do país é uma ditadura brutal, com traços dinásticos. Logo após a morte do “Dirigente Kim Jong Il” (uma das várias maneiras como os norte-coreanos se referem ao falecido líder) a agência KCNA publicou uma nota exortando o povo norte-coreano a apoiar a nova liderança encabeçada por Kim Jong-Un, filho de Kim Jong Il, que até então era vice-presidente da Comissão Nacional de Defesa. É importante ressaltarmos que durante a década de 90, época em que a RPDC passou por um período que ficou conhecido como “Árdua Marcha” e a Comissão Nacional de Defesa se tornou o organismo político mais importante do estado norte-coreano, depois que o cargo de Presidente é extinto.

Kim Jong-Il se tornou o principal líder do país ocupando um cargo distinto do que ocupava o seu pai, Kim Il Sung. Agora, após a morte de Kim Jong Il, finalmente se confirma que Kim Jong-Un se converterá no novo líder do país. A transição aparentemente hereditária da liderança na Coréia Popular recebe os mais odiosos ataques da imprensa burguesa mundial, que fala em “ditadura monárquica comunista” norte-coreana. Poderíamos concordar com tal linha de argumentação se adotássemos um método de analise raso e superficial, como a maioria dos jornalistas e “analistas” propagandistas da ordem capitalista.

O que acontece na Coréia não pode ser compreendido sem antes de tudo não levarmos em consideração o seu contexto histórico. A revolução coreana e a construção socialista no norte da península desde sempre teve que fazer frente aos mais variados tipos de maquinações imperialistas. A Guerra da Coréia, iniciada já depois da fundação da República Popular Democrática, foi uma demonstração clara de que os coreanos jamais poderiam confiar nas boas intenções do imperialismo norte-americano e seus aliados. Kim Il Sung foi o principal líder do povo norte-coreano nesse período, convertendo-se em uma figura amada pela gigantesca maioria do povo coreano. Durante a Guerra da Coréia, Kim Jong Il era muito novo, mas existem relatos que afirmam que os seus interesses por questões políticas já se manifestavam nessa época. Depois da libertação, se engajou na construção socialista do país como ativo militante do Partido do Trabalho da Coréia, participando de trabalhos voluntários no campo e na construção civil; também participou de intensos debates acadêmicos na Universidade Kim Il Sung.  Esses fizeram com que Kim Jong Il se tornasse cada vez mais uma liderança popular na Coréia Socialista. As Obras Escolhidas de Kim Jong Il que abordam tais períodos são compostas por vários volumes e abordam uma ampla gama de assuntos: filosofia, política, economia, defesa nacional.

Muitos quadros do Partido do Trabalho da Coréia começaram a apoiar a ideia de que Kim Jong Il se convertesse em líder sucessor na RPDC e assim foi depois que o Presidente Kim Il Sung faleceu. A questão da transição da liderança é vista com grande preocupação pelo Partido do Trabalho da Coréia. Para eles, trata-se de continuar a construção revolucionária levando em consideração aquilo que foi feito pela geração anterior, sem golpes de estado e difamação da liderança predecessora, caminho que poderia dar origem a um “Kruschev coreano”. Quando Kim Il Sung morreu, uma das promessas feitas por Kim Jong Il seria a de “não mudar um milímetro” daquilo que foi feito por Kim Il Sung, ou seja, persistiria no caminho socialista dando em uma situação desfavorável criada pela queda da URSS. Cumpriu o que prometeu e foi além, conseguindo estabilizar o país economicamente superando a grave crise econômica que assolou o país nos anos 90. 

Qualquer notícia que fale em “crise econômica” e “fome” na Coréia Popular nos dias de hoje é mera propaganda capitalista, não merecendo sequer ser levada em consideração. Obviamente, não se trata aqui de apontar que tudo no país vai bem, pois sabemos que o país enfrenta diversos problemas, como na dificuldade de obtenção de divisas, decorrente em grande parte pelo bloqueio econômico dos Estados Unidos e aliados, que possui proporções mais devastadoras que o bloqueio cubano, por exemplo.

Diante de uma situação tão adversa criada pelo cerco imperialista, que ameaça o país todos os dias, qual a forma encontrada pelo Partido do Trabalho da Coréia em garantir o apoio e a unidade do povo entorno de suas propostas? Fortalecer o papel da liderança, sendo o novo líder Kim Jong Un quase que uma “criação científica” de líder político, que mesmo que não possua o mesmo acumulo ideológico e prático de seus antecessores, contará com ajuda de inúmeros quadros do Partido do Trabalho da Coréia para exercer de modo exitoso suas funções. Porém, o principal não é deixado de lado, e aí reside a diferença fundamental entre a RPD da Coréia e os países burgueses que a difamam: na Coréia Popular as massas populares são o “centro de tudo” (como eles gostam de dizer). O que isso quer dizer? Quer dizer que a posição ocupada pelas massas populares em seu conjunto (classe trabalhadora, camponeses, intelectuais) é radicalmente diferente da posição ocupada pelas massas populares nos países capitalistas. Não se trata de mera propaganda. Na RPD da Coréia o povo participa e constrói sua vida política no dia a dia, nas escolas, nas fábricas, fazendas coletivas e universidades. Para tudo existem debates e discussões.

Para os ideólogos da ordem capitalista, democracia é sinônimo de subserviência ao capital e eleições de fachada, onde nunca a ordem estabelecida é questionada. Quantos dólares um cidadão norte-americano precisa para ser eleito Presidente da República? Quantos reais um político brasileiro precisa levantar para se tornar Deputado Federal? O que é política para a maioria das pessoas que vivem em países capitalistas? São questões que servem para refletir o verdadeiro caráter da sociedade em que vivemos. Alguns poderão questionar: “Mas aqui eu posso dizer o que eu quiser, não vou ser preso”. Sim, talvez você realmente não seja preso, mas também suas ideias nunca serão colocadas em prática; e se você não é preso é justamente porque se criou uma situação onde suas ideias dificilmente poderão ser colocadas em prática. Caso as coisas se invertam, não tenha dúvidas que as classes dominantes recorrerão à violência e ao arbítrio para preservar os seus interesses fundamentais. Felizmente os norte-coreanos não precisam e não desejam esse tipo de democracia.

Gabriel Martinez – Editor do Blog de Solidariedade a Coréia Popular

Condolências à morte de Kim Jong Il

"Há aqueles que lutam um dia; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam anos; e são melhores ainda;
Porém há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis."

(Bertolt Brecht)


Recebemos hoje (19 de dezembro de 2011) a notícia da morte do Dirigente Kim Jong Il. Depois de discutirmos melhor, resolvemos elaborar em conjunto, em nome do Centro de Estudos da Ideia Juche, essa pequena nota que mostra nossos respeitos e nossas condolências para com nossos irmãos coreanos, por conta da morte de seu estimado líder.

Pensamos que, no futuro, não serão poucas as pessoas que se lembrarão do camarada Jong Il como um ser humano que deu uma enorme contribuição à causa avançada do proletariado e da libertação dos povos do Terceiro Mundo. Pensamos, também, que o Brasil, por se encontrar numa condição de país do Terceiro Mundo e de semicolônia das potências estrangeiras, terá de render homenagens ainda mais significativas a esse grande líder. Tal como Stálin, Dmitrov e tantos outros líderes que dedicaram sua vida à vitória da causa revolucionária marxista-leninista, Kim Jong Il dedicou sua vida à causa da libertação do povo coreano e da construção socialista no Norte da Coreia. Graças à sua liderança, a Coreia Popular passou por inúmeras vitórias no seu caminho rumo à sociedade comunista. Como teórico, desenvolveu a Ideia Juche ao nível de ideia diretriz da construção socialista da RPD da Coreia, rechaçou o dogmatismo, a submissão às grandes potências e várias outras práticas degeneradas, que entravavam a luta do povo coreano pela edificação socialista.

Nos anos 90, a RPD da Coreia, num contexto de queda dos países socialistas, de bloqueio, sanções, ameaças e provocações militares por parte do imperialismo norte-americano e japonês e do regime títere sul-coreano, defendeu o socialismo e seguiu na sua construção mesmo nas épocas mais difíceis. É de conhecimento de todos os comunistas a famosa “Declaração de Pyongyang”, de 1992, assinada por mais de duzentos Partidos Comunistas e Operários do mundo inteiro, que retifica a vontade da RPDC e de tais partidos de continuar lutando pela sociedade socialista, numa época de ofensiva do imperialismo e das forças reacionárias, contra as forças avançadas e revolucionárias.

A morte de Kim Jong Il foi uma enorme perda para os comunistas, revolucionários e progressistas de todo o mundo. Para o povo coreano, foi o maior sofrimento desde o fim da famosa “Marcha Forçada” em meados dos anos 90. Apesar dos sentimentos de tristeza com a enorme perda de seu líder, o povo coreano retifica que transformará a tristeza e o sofrimento em garra e otimismo para seguir levando a cabo o projeto do Presidente Kim Il Sung de transformar a RPD da Coreia numa próspera potência econômica.

O camarada Kim Jong Il faleceu, mas o Partido do Trabalho da Coreia criou a base revolucionária e ideológica que fará sua causa vitoriosa inevitavelmente.

Glória eterna ao Dirigente Kim Jong Il! A Coreia Socialista vencerá!


Da redação

Autoridades da RPD da Coreia emitem declaração por ocasião da morte de Kim Jong Il


O Comitê Central e a Comissão Militar Central do Partido do Trabalho da Coreia, a Comissão Nacional de Defesa da RPDC, o Presidium da Suprema Assembleia Popular e o Gabinete da RPDC, neste sábado, anunciaram a notícia a todos os cidadãos, membros do partido e trabalhadores:

“O Comitê Central e a Comissão Militar Central do Partido do Trabalho da Coreia, a Comissão Nacional de Defesa da RPDC, o Presidium da Suprema Assembleia Popular e o Gabinete da RPDC notificam com o aval de todos os membros do partido, trabalhadores e cidadãos da República Popular Democrática da Coreia que Kim Jong Il, Secretário Geral do Partido do Trabalho da Coreia, presidente da Comissão de Defesa Nacional da RPDC e comandante supremo do Exército Popular da Coreia, faleceu subitamente por uma doença às 8h30min do dia 17 de Dezembro de 2011 em caminho para uma visita de campo.

O camarada Kim Jong Il dedicou toda sua vida para a vitória da causa revolucionária jucheana e trabalhou energicamente para a prosperidade da Pátria socialista, pela felicidade do povo, pela reunificação do país e pela independência mundial. Para nossa tristeza, subitamente ele faleceu. Sua morte súbita ocorreu numa época histórica em que um grande caminho está sendo aberto para a construção de um poderoso e próspero Estado Socialista, a despeito das dificuldades e dos reveses. A morte do camarada Kim Jong Il foi a maior perda para o Partido do Trabalho da Coreia, para a Revolução Coreana, e para todos os coreanos.

Kim Jong Il, que nasceu como um filho da Guerrilha no Monte Paektu, monte sagrado da Revolução, cresceu como um revolucionário, liderou sabiamente o Partido, o Exército e o Povo durante um longo período, levando a cabo inúmeras tarefas revolucionárias em nome do país. Kim Jong Il possuía a personalidade e as qualidades dignas de um grande homem, de um incomparável pensador e teórico que levou a cabo a revolução e a construção socialista por um caminho de inúmeras e significativas vitórias. Era, também, um experiente político, grande comandante da Política Songun e patriota sem igual que serviu com ardente amor a seu país e a seu povo.

Considerando como centro de sua vida completar a causa revolucionária do Juche iniciada pelo Presidente Kim Il Sung, Kim Jong Il levou a cabo a revolução e a construção socialista sendo o mais querido e leal camarada do Presidente.

Kim Jong Il desenvolveu profundamente a imortal Ideia Juche e a Política Songun, criadas pelo Presidente e glorificadas como ideias diretrizes da era da independência com enorme sabedoria. Kim Jong Il defendeu firmemente as tradições revolucionárias do Monte Paektu, dando continuidade à Revolução Coreana.

Kim Jong Il, gênio da Revolução e da construção socialista, desenvolveu o Partido, o Exército e o Estado, botou a dignidade e o poder da Nação Coreana aos mais altos níveis, na época mais próspera da Nação em cinco mil anos de história, transformando-a com base na Ideia Juche.

Kim Jong Il, mestre da política e grande comandante, defendeu as conquistas socialistas do povo coreano nas maiores dificuldades, num contexto marcado pelo colapso do sistema socialista mundial, pela morte do Presidente Kim Il Sung – maior perda da Nação Coreana – e pela ofensiva das forças aliadas ao imperialismo que tentavam derrubar o sistema socialista do norte da Coreia através de sanções, bloqueios e provocações militares. Ele transformou a RPDC numa invencível potência política e ideológica na qual a unidade monolítica foi lograda, numa potência nuclear na qual inimigo algum ousou atacar.

Levando em conta a vontade do Presidente Kim Il Sung, Kim Jong Il pôs como meta a construção de um próspero e poderoso país, tendo como motor o avanço geral de todo o povo e um novo auge revolucionário por todo o país para conquistar tal meta, trazendo grandes inovações na produção socialista e avançando em todas as frentes da construção socialista.

Kim Jong Il, pai da Nação e farol da reunificação nacional, liderou todos os compatriotas no caminho da independência e da grande unidade nacional. Com uma inquebrável vontade de aplicar as instruções do Presidente na luta pela reunificação nacional, no dia 15 de junho de 2000 a Coreia numa nova era na luta pela reunificação, na qual a consigna “Pela Nação, Nós Mesmos” foi materializada.

Como um grande guardião do socialismo e da justiça, levou a cabo enérgicas atividades externas pela vitória da causa socialista, pela paz mundial, pela estabilidade na Península Coreana e pela solidariedade entre os povos através do banner da independência e da luta anti-imperialista, destacando cada vez mais o prestígio internacional da RPDC e fazendo imortais contribuições à causa da independência.

Durante todo o período no qual se caracterizou como uma grande liderança revolucionária, ele valorizou e amou o povo coreano, estando com ele tanto nos bons quanto nos maus momentos. Seguiu, mesmo com a saúde débil, em seus trabalhos pelo desenvolvimento da luta revolucionária, trabalhando com todos os esforços de coração e alma para construir um grande país e melhorar a vida da população. Ele morreu de forma repentina, de derrame cerebral quando estava indo para uma visita de inspeção.

A vida de Kim Jong Il foi a vida brilhante de um grande revolucionário que levantou, sem hesitar jamais, a bandeira vermelha da revolução. Sua vida foi a vida de um patriota sem igual que se dedicou a todo o momento a seu país e a seu povo.

Kim Jong Il faleceu antes que pudesse ver vitoriosa a causa da reunificação nacional e da construção de uma grande Nação deseja tão desejada por ele, mas poderosa base política e militar assegura o avanço da Revolução Coreana através de todas as gerações e irá prover uma sólida base para a eterna prosperidade do país e da Nação.

Estando à frente da Revolução Coreana, no momento, está o camarada Kim Jong Un, grande sucessor da causa revolucionária do Juche e grande líder de nosso Partido, Exército e Povo.

A liderança de Kim Jong Un proverá a garantia da vitória da causa revolucionária através das gerações que estão por vi, causa iniciada por Kim Il Sung e liderada por Kim Jong Il.

Sob a liderança de Kim Jong Um, transformaremos nosso atual sofrimento em força e coragem, superaremos as presentes dificuldades e trabalharemos duro pela grande vitória da Revolução Juche. O caminho que nossa Revolução deve seguir é árduo, mas nenhuma força nesse mundo conterá o avanço da mesma sob a liderança do camarada Kim Jong Un.

O coração do camarada Kim Jong Il parou de bater, mas seu nobre nome e sua benevolente imagem serão lembrados eternamente por nosso Exército e por nosso Povo. Sua gloriosa trajetória revolucionária brilhará na história da Coreia eternamente.”


quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Uma viagem ao belo país de Kim Il Sung e Kim Zong Il (3)


É comovente como o povo considera Kim Il Sung um dos seus, como um integrante da família – e, portanto, como a própria nação tem para eles um caráter familiar


CARLOS LOPES

Não se conhece, ou nós não conhecemos, outra ocupação de um país em que todas as pessoas de um povo tenham sido proibidas de usar o próprio nome, senão a da Coreia pelo Japão. Os coreanos eram obrigados a trocar o seu por um nome japonês. E isso não aconteceu em priscas eras, como se dizia antigamente, mas no século XX.

Não há registro de que os assírios tenham sequer pensado nessa forma de humilhar os povos que oprimiam – e eles eram especialistas em humilhações. Os romanos, muito menos: as línguas neolatinas são uma criação histórica, o francês não surgiu porque forçaram os gauleses a trocarem Asterix por Asterium, e, se conhecemos apenas as versões latinas dos nomes de antigos lusos e bretões, não é porque eles fossem obrigados a trocar seus nomes, mas porque não tinham escrita, ou esta era tão primitiva, que somente chegou a nós o que os romanos consignaram.
É verdade que nos séculos XVIII e XIX - como Napoleão anotou em seu exemplar de "O Príncipe" - os franceses impuseram seu idioma ao, até então, território de língua italiana da Córsega. Mas o próprio Napoleão, ele mesmo um corso, preservou o sobrenome italiano: Bonaparte é uma corruptela de Buonaparte. Além disso, até hoje, quase 250 anos depois, a assimilação francesa da Córsega não deu muito certo.
Na Coreia, a partir de 1910, a população foi obrigada a usar nomes próprios estranhos de uma língua estranha – que está longe de guardar semelhança com a sua. Não há parentesco entre a língua falada coreana e o japonês (ou com as línguas faladas na China) e também não existe semelhança na escrita, porque, desde o ano de 1443, o coreano possui um alfabeto – ao contrário do mandarim, cantonês e japonês, que usam ideogramas.
Se o leitor nos permite outro interlúdio, neste relato que está repleto deles, é muito interessante a fundamentação do rei Sejong, ao instituir o alfabeto, no século XV: a escrita até então utilizada pelos coreanos, os ideogramas chineses, que os japoneses adotaram, dificultava ao homem comum o aprendizado da escrita, tornando-a um privilégio dos aristocratas. A ideia de Sejong era estabelecer uma escrita que pudesse ser aprendida por todos, literalmente por todos, não somente de todas as classes sociais, mas até mesmo de todos os níveis de inteligência: "Um sábio pode aprender a escrever em uma manhã; um estúpido pode aprender em dez dias", considera um documento coreano de 1446, sobre o aprendizado da escrita alfabética.
Ainda que seja difícil – senão impossível – falar de democracia no século XV em qualquer parte do mundo, a escrita alfabética coreana tinha esse fundamento democrático. Por isso, desde então, foi uma das bases mais sólidas da unidade nacional coreana.
O RETRATO
Um tio de Kim Il Sung tornou-se famoso por recusar-se a mudar de nome. Kim Hyong Rok era um homem modesto, um homem do povo, que não pôde ir à escola, pois lhe faltavam sapatos, conhecido por seu temperamento suave. Não era - como o sobrinho lembra em suas memórias - um militante ou ativista organizado. Mas não aceitava trocar o seu próprio nome coreano por um estranho nome japonês.
Por isso, ele era constantemente preso e espancado pelos esbirros japoneses – que sempre fracassavam. "Seu nome não é mais Kim Hyong Rok!", diziam, depois de espancá-lo, os japoneses. "Diga qual é o seu nome agora!". E o tio de Kim Il Sung respondia: "‘meu nome é Kim Hyong Rok’, depois do que os policiais espancavam-no outra vez e repetiam o processo; a cada recusa, os policiais japoneses tornavam-se mais raivosos e mais cruéis no espancamento do meu pobre tio. Porém, meu tio não se entregava" (Kim Il Sung, "No Transcurso do Século", 1.1, "Minha Família").
O tio de Kim Il Sung continuou a recusar a troca de nome até a sua morte, relativamente - e compreensivelmente - ainda jovem. Olhando para trás, não foi uma pequena contribuição à resistência coreana – ele recusava-se a deixar de existir enquanto coreano, porque não era possível, para ele, outra forma de existir. Hoje, seu retrato pode ser visto na parede da casa natal de Kim Il Sung, em Mankyongdae.
O LUGAR
Mankyongdae é local sagrado para os coreanos. Ali nasceu Kim Il Sung, em 1912, dois anos após a anexação da Coreia, como ele relembra no início de suas memórias:
"Minha vida começou nos anos 10, quando a Coreia sofrera a pior das mais trágicas calamidades. Na época em que nasci, a Coreia já estava sob o domínio colonial japonês. Através de um mandado de anexação Japão-Coreia, o país estava sob o tacão do imperador do Japão. Os coreanos tornaram-se escravos do Governador Geral japonês. A Coreia, com sua longa e brilhante história, com seus abundantes recursos naturais e claras vias navegáveis, tinha se tornado o chão duramente pisado pelas botas japonesas e sulcado pelas rodas das carretas de canhões. O povo coreano fervia de raiva e chorava a tristeza da perda de sua condição de nação. Inúmeros patriotas, não podendo suportar o drama que acontecera na Coreia, optaram por terminar suas vidas, em vez de viver sob o jugo japonês. Escolheram a morte honrosa, ao invés da submissão vergonhosa aos muito desprezados japoneses."
Apesar de nascer nesse momento amargo, o sorriso de Kim Il Sung pode hoje ser visto em painéis e cartazes por toda a Coreia Popular. O fundamento de sua obra extraordinária está, certamente, nessa serenidade, nessa ausência de rancor ou ressentimento, embora não de ódio pela opressão, vale dizer, na recusa a ser esmagado por uma situação dificílima, pelo opressor, como outros o foram - o que levou o jovem Kim Sung Ju (depois chamado, sucessivamente, pelos companheiros da resistência guerrilheira, pelo povo coreano, e pelo mundo, Kim Il Sung, ou seja, Kim "o Sol") a liderar e levantar um povo mais do que humilhado, massacrado e ofendido.
Seu relato da mudança de nome é característico de sua personalidade:
"Por volta dessa época [1930], a canção ‘Estrela da Coreia’ tornou-se conhecida amplamente e meus camaradas mudaram meu nome, começando a chamar-me Han Byol, que significava ‘Uma Estrela", apesar dos meus protestos. Foi Pyon Dae U e outros ativistas em Wujiazi, jovens comunistas como Choe Il Chon, que propuseram mudar meu nome para Kim Il Sung. Passei a ser chamado por três nomes, Sung Ju, Han Byol e Il Sung. (…) Como eu era muito apegado ao nome que meu pai me deu, não gostava de ser chamado por outro. Ainda menos tolerava pessoas exaltando-me, comparando-me a uma estrela ou ao sol; não se encaixava em um jovem. Mas os meus camaradas não me ouviam, não importava quão firmemente eu os repreendesse ou argumentasse contra isso. Eles se acostumaram a chamar-me Kim Il Sung, apesar de saberem que eu não gostava. Foi na primavera de 1931, quando passei três semanas na prisão, detido pelos senhores da guerra em Guyushu, que o nome Kim Il Sung apareceu pela primeira vez na imprensa. Mas até essa época, a maioria dos meus conhecidos me chamava pelo nome verdadeiro, Sung Ju" (Kim Il Sung, op. cit., 4.6, "O poeta Kim Hyok e como eu me tornei ‘Kim Il Sung’").
Kim Il Sung formulou a estratégia da revolução nacional coreana no Encontro de Kalun, na Manchúria, a 30 de junho de 1930, para o qual convocou os principais dirigentes da Liga da Juventude Comunista e da Liga da Juventude Anti-imperialista.
Seu informe nesse encontro, "O Caminho da Revolução Coreana", é, também, um primor de síntese e estilo literário. Até o centenário de Kim Il Sung, no próximo ano, em abril, nós publicaremos em português, e na íntegra, esse informe. Aqui, apenas três parágrafos, fora de ordem, para que o leitor avalie, não tanto a estratégia – até porque ela já foi avaliada e aprovada pela História –, mas a têmpera do homem:
"Os imperialistas japoneses, agarrados pela crise econômica mundial, no momento estão tentando achar uma saída pela aceleração dos preparativos de guerra para invadir o Continente Asiático, e, ao mesmo tempo, intensificando outra vez a repressão colonial e a pilhagem da Coreia.
"Tomando as indústrias-chave da Coreia, os imperialistas japoneses estão pondo um freio no desenvolvimento da indústria nacional e estão roubando sem qualquer limite as nossas riquezas naturais, inclusive o ouro, a prata, o carvão e o ferro. Especialmente, esses agressores estão fazendo esforços desesperados para explorar impiedosamente a mão-de-obra barata na Coreia. Como consequência, os trabalhadores coreanos são levados a uma vida desgraçada, com remuneração de escravos, como escravos coloniais.
"A nação coreana defronta-se hoje com uma questão de vida ou morte – se perece para sempre sob o jugo colonial dos imperialistas japoneses ou se levanta numa luta para sobreviver. Se, simplesmente, se lamenta sobre sua terra arruinada e tolera a inaudita tirania japonesa, nossa nação nunca se levantará outra vez. Mas se ela inteira se levanta e luta, desafiando a morte, saudará a alvorada da libertação."
Isso foi escrito – e pronunciado – por um jovem de 20 anos, muito pobre, que para estudar tinha de fazer um esforço titânico, perseguido, na clandestinidade, obrigado a viver em território chinês sob 45º C negativos no inverno, numa situação em que o Partido Comunista da Coreia, devido aos divisionistas, dissolvera-se dois anos antes - e a única possibilidade de construí-lo outra vez dependia agora, exatamente, da Juventude.
Quando o fundador do HP, Cláudio Campos, fez sua primeira viagem à Coreia, e conheceu pessoalmente Kim Il Sung, nós, aqui, publicamos uma de suas frases como manchete: "Mesmo que o céu desabe, encontraremos a saída" - e, realmente, ele sempre a encontrou, em momentos onde outros teriam desistido, ou, pior ainda, capitulado.
Um amigo de Kim Il Sung e da Coreia Popular, o príncipe Norodom Sihanouk, rei do Cambodja ("príncipe", naquele país, é condição de nascimento, e "rei" é um cargo), descreveu em um de seus livros – ele é um escritor razoavelmente prolífico, e, por sinal, bastante bom – a figura do "grande líder" dos coreanos de forma inesquecível. Sihanouk, exilado após a intervenção da CIA no seu país, viveu algum tempo na Coreia. O que mais o impressionou em Kim Il Sung foi o modo simples de tratar as pessoas, em especial os trabalhadores – talvez por ser um príncipe e um rei, Sihanouk tem um olhar agudo para acontecimentos que nos passariam, normalmente, despercebidos: ele nota, por exemplo, como, ao visitar uma fábrica, ao ver que não tinha mais cigarros, Kim Il Sung pediu um ao operário mais próximo, como se fosse um amigo e um igual – e, da mesma forma natural, sem timidez, agiu o trabalhador, estendendo seu maço ao fundador, governante máximo do país e líder de seu povo. Realmente, enquanto fumantes, trabalhadores e, sobretudo, coreanos, eles eram amigos e iguais.
Longe de nós, evidentemente, negar o papel que os grandes homens têm na História. Sobretudo um que faz parte dos poucos homens (nunca são muitos, mas são suficientes) que condensaram a luta dos povos no século XX: no mesmo patamar, lembramo-nos de Lenin, Gandhi, Stalin, Dimitrov, Mao, Ho e Che - talvez tenhamos esquecido algum gigante, ou alguns, mas não muitos.
A CASA
Em Mankyongdae, ainda com as roupas da cerimônia, recém-casados têm o hábito de visitar a casa natal de Kim Il Sung. É como se fossem pedir a bênção, antes de partir para a nova vida conjunta. Vi algo semelhante na URSS, em outubro ou novembro de 1990, quando visitei Gorky (não a cidade, mas o distrito de Moscou onde Lenin passou seus últimos dias, também chamado Gorky Leníinskie), com noivas e noivos chegando, os carros com dois círculos entrelaçados em cima, representando as alianças, para percorrer o museu - e a casa onde viveu por algum tempo o líder soviético (durante o czarismo, a propriedade, esplendorosamente grande e bela, pertencia a um nobre, chefe da polícia de Moscou; Lenin preferiu morar nas dependências que antes eram reservadas aos criados).
Mas o que nós vimos em Mankyongdae, não sei por quê, talvez pela situação da URSS em 1990, comparada à da Coreia Popular de hoje, parece mais profundo – além disso, os vestidos das noivas são muito mais bonitos. Diante deles, o invariável branco ocidental torna-se muito monótono. São roupas tradicionais coreanas, mas especialmente, e detalhadamente, ataviadas. E nem vou falar da beleza das moças – vou deixar isso, se ela quiser fazê-lo, para a minha mulher...
No Brasil, de uma forma ou de outra, há muita gente que pede a bênção aos pais, antes, durante ou logo depois de casar – é isso, como sabemos, o que representa, por exemplo, a entrada da noiva na igreja acompanhada pelo pai. No casamento católico, a própria presença de um sacerdote denominado "padre", que não tem experiência de casamento mas nem por isso deixa de proferir conselhos a rodo, tem, mais ou menos, o mesmo sentido.
Visitar Mankyongdae após a solenidade de casamento, portanto, parece ser uma forma de obter as bênçãos do pai da nação, assim como muita gente aqui pede a bênção dos pais. Provavelmente, os coreanos (e, sobretudo, as coreanas) que se casam devem fazer as duas coisas. Porém, é comovente como o povo considera Kim Il Sung um dos seus, como um integrante da família – e, portanto, como a própria nação tem para eles um caráter familiar.
A casa, em si, não é impressionante – ou, para ser preciso, o que nos impressiona é que a maior figura da História do país tenha vindo ao mundo em lar tão humilde.
Porque a casa natal de Kim Il Sung é muito modesta, poder-se-ia dizer, uma casa de camponeses – e dos mais pobres -, o que é, rigorosamente, a verdade. Tem-se, às vezes, a mesma sensação que tomou um dos nossos maiores escritores, Graciliano Ramos, ao visitar, em Gori, na Geórgia, a casa natal de Stalin:
"... é apenas uma casa miúda, de tijolos nus, sem reboco. (…) Mas queríamos vê-la na pequenez e na humildade, enquanto alinhávamos à pressa retalhos da sua história. (…) abeiramo-nos da casinha, subimos alguns degraus. São dois quartos apenas e nessas miudezas alojaram-se duas famílias. (…) A cama do casal, a mesa, quatro tamboretes, uma cômoda, uma arca enchiam quase a miserável toca. Havia, além disso, um candeeiro, uma bilha, um espelho, o samovar infalível e um bule. Dois armários embutiam-se nas paredes. Uma pergunta me ocorreu. Onde estava a cama do menino? Talvez houvesse levado sumiço entre 1879 e 1935. O mais certo era não ter existido nunca: seria realmente difícil arrumá-la no espaço atravancado em demasia. Com certeza a criança dormia com os pais. (…) Doze metros quadrados. E neles um garoto viveu os primeiros anos. Isto marca uma pessoa para a vida inteira. Impressões posteriores somem-se, a escola some-se; as probabilidades de existência tranquila desfalecem. Resta a miséria inicial, precisamos livrar-nos dela. Insuportável. Se conseguirmos afastá-la da vida, talvez ela desapareça da nossa lembrança. Urgente acabar com isso. Indispensável que os homens não comecem a viver num meio como este." (Graciliano Ramos, "Viagem", 16ª edição, Record, págs. 149/153).
Embora a análise seja válida também para Kim Il Sung (como ele diz em suas memórias: "Apesar de nosso extenuante trabalho, mal tínhamos o bastante para comer; havia dias em que não podíamos dispor senão de uma magra e famélica tigela de arroz"), por algum motivo a impressão causada por sua casa natal é mais alegre do que a deixada em Graciliano pela casa de Stalin. Pensei que a diferença poderia estar na situação da Coreia de então, na clareza de uma situação em que havia um inimigo externo ocupando o país, mas lembrei que a Geórgia, no século XIX, também estava ocupada - pela Rússia czarista. Portanto, não sei o por quê da diferença. Talvez seja apenas uma diferença de temperamento entre nós e o velho Graciliano.
A MÁQUINA
Kim Ung Woo, bisavô de Kim Il Sung, conseguiu a pequena casa porque empregou-se para cuidar do cemitério de uma família rica. O cemitério não mais existe. Mas a casinha lá está até hoje. Nela, em 1945, ao voltar à cidade após a expulsão dos japoneses, Kim Il Sung passou sua primeira noite em Pyongyang. Poderia ter escolhido um palácio deixado pelos antigos imperadores ou pelos japoneses – mas preferiu dormir na casa pobre onde nascera.
Percorrendo Mankyongdae, deparamo-nos, num dos pouquíssimos cômodos da casa, com um grande instrumento manual. Perguntei para que servia. Ali, naquela máquina doméstica de madeira, nosso tradutor esclareceu, a avó de Kim Il Sung fazia "espaguete" (acostumado com o uso europeu, nosso tradutor usou essa palavra para o que, no Brasil, chamaríamos genericamente de "macarrão" - o que é compreensível, pois o italiano "maccheroni" designa um prato específico).
Kim Hyong Jik, pai de Kim Il Sung, foi um dos líderes da resistência ao invasor. Professor e depois médico tradicional coreano, era um dos patriotas mais avançados do seu país. Como seu filho contaria depois:
"Não foi antes do outono desse ano [1919 – ano do Movimento de 1º de Março contra a ocupação japonesa, em que 2 milhões de coreanos foram às ruas; na repressão imediata, os japoneses assassinaram 7.509 pessoas, feriram 15.849 e prenderam 46.303 coreanos] que meu pai voltou para casa. Esteve fora por um ano. Durante sua ausência, meu pai esteve ocupado com a reconstrução da Associação do Povo Coreano; ele viajou para Yiju, Chang-sung, Byukdong, Chosan, Junggang e outras cidades na província de Pyongahn do Norte e Manchúria. (…) Meu pai falou sobre os acontecimentos na Manchúria e na Rússia. Estava muito entusiasmado com Lenin e a Revolução de Outubro. Disse que, na Rússia, quem mandava eram os operários, camponeses e outros trabalhadores; ele invejava isso. Estava com raiva dos reacionários ‘brancos’ e das 14 nações que enviaram tropas para intervir na Rússia e derrubar o novo governo" (Kim Il Sung, op. cit., 1.3, "Longa vida à Coreia!").
Como Lenin em relação a Alexander, seu irmão, Kim Il Sung seguiria – aliás, desbravaria - um caminho diferente de An Jung Gun e dos patriotas da geração anterior. Mas seu pai já estava bem encaminhado. Infelizmente, faleceu aos 32 anos, uma vida atribulada, difícil - da tortura nas prisões japonesas até o precário exílio na Manchúria -, mas bem sucedida. Basta a lembrança do filho: "Bem cedo, meu pai despertou em mim o amor pela Coreia".

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Uma viagem ao belo país de Kim Il Sung e Kim Jong Il (II)

Na Fábrica Têxtil de Pyongyang trabalham nove mil mulheres. Pela manhã, chegavam trabalhadoras com seus filhos agasalhados, levados, confortavelmente, ao modo oriental – hoje, também aqui, popular: nas costas.

As mulheres levam os filhos pequenos para a fábrica porque eles ficam numa imensa creche, enquanto as mães trabalham. Há intervalos, na jornada, para que as mães, se quiserem - e sempre querem - vejam seus filhos, inclusive, se for o caso, os amamentem.

Curiosamente – para brasileiros que conhecem algumas poucas instituições públicas que existem em nosso país – as atendentes da creche também são mães. Há um motivo óbvio para isso: as mães percebem melhor do que qualquer um as necessidades dos bebês. Um dos poucos psicanalistas que, após Freud, tratou a psicanálise como ciência - inclusive ciência experimental -, o austríaco René Spitz, deteve-se, em um livro fascinante, "O Primeiro Ano de Vida", na relação específica entre mãe e filho (ou filha) nos estágios mais precoces do desenvolvimento. Chamou, a essa relação, "díade", um termo retirado da música, onde significa um acorde formado por duas notas musicais. Sem entrar numa discussão conceitual – aqui não é o lugar – o que ele observa é a comunicação entre a mãe (ou quem faz a função de mãe) e o bebê, o entendimento, sem linguagem verbal, que existe entre os dois, e que, nessa fase da vida da criança, só existe nessa relação. Em suma, o apoio afetivo da mãe, em especial nos primeiros seis meses, é decisivo para o conjunto da vida, inclusive para a próxima relação com o pai.

Não sei se os coreanos conhecem a obra de Spitz. Mas, se não a conhecem, de alguma forma chegaram a conclusões semelhantes: nada melhor do que mães para atenderem crianças numa creche. Pode parecer que isso é óbvio. Infelizmente, não é. Tanto assim que a motivação inicial do trabalho de Spitz foi - após a sua emigração da Europa, refugiado do nazismo – a constatação de casos de depressão por privação afetiva em bebês que estavam em creches e hospitais dos EUA (chamada, por ele, "depressão anaclítica", isto é, depressão por falta de apoio emocional).

A GUERRA

A Fábrica Têxtil de Pyongyang é, também, um dos símbolos da resistência coreana à agressão norte-americana. Construída logo após a libertação do país da ocupação japonesa, por iniciativa de Kim Il Sung, o fundador da Coreia moderna - a quem os coreanos chamam "o grande líder" -, ela foi destruída duas vezes por bombardeios aéreos dos EUA.

Nunca foi um alvo militar – a fábrica, como as daqui, produz tecidos para as roupas da população civil – e os mandantes dos bombardeios sabiam disso. Mas, como hoje é, infelizmente, notório, o alvo das agressões do establishment dos EUA está, principalmente, na população civil, o que inclui a infraestrutura econômica do país agredido. Até elaboraram uma teoria sobre o assunto, a sinistra "guerra total", segundo eles, baseada no que fizeram os generais Sherman e Grant na Guerra de Secessão.

Entretanto, Grant e Sherman estavam combatendo os escravagistas do sul dos EUA, sob a liderança do grande presidente Lincoln. O que a casta financeira norte-americana fez após a guerra hispano-americana, e, sobretudo, depois da II Guerra Mundial – nas Filipinas, na Coreia, no Vietnã, no Iraque, na Líbia - tem mais a ver com Hitler e Goering do que com os generais da guerra civil americana. Em 1933, bem antes da agressão à Coreia, e quando Hitler apenas acabava de tomar o poder, o general Smedley Butler, organizador do atual corpo de fuzileiros navais dos EUA (os, tristemente famosos, "marines"), já havia dito:

"Eu ajudei a fazer o México, especialmente Tampico, seguro para os interesses das empresas de petróleo americanas, em 1914. Eu ajudei a fazer do Haiti e de Cuba lugares decentes para que os rapazes do National City Bank arrecadassem rendimentos. Eu ajudei a estuprar meia dúzia de repúblicas da América Central em prol dos lucros de Wall Street. O registro de extorsões é grande. Eu ajudei a purificar a Nicarágua para a casa bancária internacional dos Brown Brothers (onde eu tinha ouvido esse nome antes?) em 1909-1912. Eu trouxe a luz, na República Dominicana, para os interesses dos usineiros americanos, em 1916. Na China, eu ajudei a Standard Oil a seguir o seu caminho sem ser molestada. Durante aqueles anos, eu participei de uma expansão da extorsão. Olhando para trás, sinto que poderia ter dado a Al Capone umas poucas sugestões. O melhor que ele pôde fazer foi operar suas extorsões em três distritos. Eu operei em três continentes." (ver HP, 12/01/2007 e o livro de Butler, "War Is a Racket", Round Table Press, NY, 1935).

Entretanto, é forçoso reconhecer que nada se compara às agressões norte-americanas após a II Guerra. Os píncaros do crime foram atingidos na agressão à Coreia e nas que seguiram. Só o nazismo e o imperialismo japonês são medida de comparação para o que os EUA fizeram – e continuam fazendo – depois da II Guerra. Aliás, Hitler é mais uma medida de inspiração do que de comparação. Como disse Howard Hunt, chefe de operações da CIA na Guatemala na intervenção que depôs, em 1954, o presidente Jacobo Árbenz: "o que nós queríamos fazer era uma campanha de terror, para aterrorizar Árbenz particularmente, aterrorizar suas tropas, tal como os bombardeiros Stukas alemães aterrorizaram a população da Holanda, Bélgica e Polônia no início da II Guerra" (ver HP, 12/09/2003 - Howard Hunt, entrevista ao National Security Archive).

Se na Guatemala foi assim, o leitor pode, ainda que palidamente, imaginar como foi na Coreia.

LINHA E AGULHA

Os coreanos, naturalmente, reconstruíram a Fábrica Têxtil de Pyongyang duas vezes durante a guerra. Lembrei de um ditado, repetido pelo detetive de ficção Charlie Chan, personagem de seis livros – e não sei quantos filmes e histórias em quadrinhos – do escritor (por sinal, americano) Earl Derr Biggers: "se caíres sete vezes, levanta-te oito".

Porém, depois de vencida a agressão dos EUA, havia um problema na Fábrica Têxtil de Pyongyang: para trabalhar nela, as mulheres ficavam afastadas dos maridos – ou noivos ou namorados - que estavam em outras unidades fabris, ou, frequentemente, no campo. Assim, além de outras necessidades que o leitor pode deduzir, os pais não participavam do cuidado aos filhos.

A solução foi construir, em torno da Fábrica Têxtil de Pyongyang, uma série de outras fábricas – em geral, produtoras de máquinas e equipamentos – e transferir os maridos para elas. Assim, eles poderiam (e podem) ficar perto de suas mulheres, ajudando-as, nos intervalos do trabalho, quanto aos filhos.

As coreanas (e coreanos) também têm um ditado para o que consideram a relação ideal entre maridos e mulheres. Foi uma mulher, na Fábrica Têxtil de Pyongyang, que, após relatar a decisão, tomada por Kim Il Sung, de trazer os maridos para perto das mulheres, nos repetiu, sorrindo, esse ditado: "a mulher deve seguir o marido, assim como a linha segue a agulha".

Olhei, com o canto dos olhos, para minha mulher, só para perceber a reação. Mas Sandra, que não é nada submissa (quase escrevo: "ai de mim...", mas seria muito injusto), entendera imediatamente o significado da frase.

Então, antes que alguma leitora, ciosa de sua independência, nos escreva, furiosa, esclarecemos: que ninguém pense que isso significa a submissão da mulher ao marido. Como vimos pela história da Fábrica Têxtil de Pyongyang, nesse caso quem seguiu a linha foi a agulha... Nem por isso os maridos se tornaram submissos às mulheres.

O ditado, para os coreanos de hoje, significa apenas (mas esse "apenas" é um mundo a ser conquistado) que mulheres e maridos devem ficar juntos, cuidar dos filhos juntos - de preferência, trabalharem juntos ou o mais próximo possível. O que quer dizer conscientemente juntos, pois as mulheres não são obrigadas a casarem, ou a permanecer casadas, com quem não querem.

Portanto, leitora, se você entendeu errado, o que é compreensível, pode deixar a indignação e a fúria de lado – nem tudo que parece às nossas mentes, algo viciadas pela ainda presente submissão da mulher em nosso país, é o que superficialmente parece (e a repetição do "parece", nesta frase, não é um cochilo de estilo do redator).

Um novo conteúdo às vezes se expressa por formas antigas – mas nem por isso ele deixa de ser novo.

Até porque, após seu retorno a Pyongyang - em 1945, quando a Coreia se libertou do Japão - a primeira lei assinada por Kim Il Sung foi a "Lei da Igualdade entre Homens e Mulheres", antes mesmo da lei de reforma agrária.

Para os brasileiros, que assistem aos avanços da condição feminina desde 1934, quando o presidente Getúlio regulamentou o direito de voto das mulheres, é difícil aquilatar o significado revolucionário da primeira lei de Kim Il Sung (se bem que, no Brasil, o ambiente antes de 1930 era tão atrasado que nosso maior poeta do século XX, Carlos Drummond de Andrade, escreveu, em 1928, ironizando o escândalo, quando uma mulher conseguiu uma decisão judicial para votar e ser votada: "Mulher votando?/ Mulher, quem sabe, Chefe da Nação?/ O escândalo abafa a Mantiqueira,/ faz tremerem os trilhos da Central/ e acende no Bairro dos Funcionários,/ melhor: na cidade inteira funcionária,/ a suspeita de que Minas endoidece,/ já endoideceu: o mundo acaba").

Na Coreia, como lembra Kim Il Sung em suas memórias ("No Transcurso do Século"), a situação da mulher era feudal. A vida para elas era tão difícil, tão árdua, diz ele, que algumas aderiam a religiões ocidentais apenas para evadir-se um pouco da vida cotidiana durante o culto.

Isso, no melhor dos casos: aqueles em que não eram tornadas escravas sexuais pelo ocupantes japoneses – em 35 anos, da anexação pelo Japão à libertação, 200 mil coreanas foram forçadas a essa condição, um crime que o Estado japonês ainda resiste a reconhecer plenamente, apesar de, além dos depoimentos de milhares de vítimas, além da condenação pelos tribunais do pós-guerra, montanhas de documentos terem sido descobertos por historiadores do próprio Japão, demonstrando que isso era uma política oficial.

ANEXAÇÃO

Existem poucas ocupações mais infames – se é que existe alguma – do que a da Coreia pelo Japão, iniciada em 1894 e acelerada em 1905, após o aval explícito dos EUA, através do acordo secreto Taft-Katsura (em troca do reconhecimento à anexação das Filipinas, o secretário da Guerra dos EUA, depois presidente, William Howard Taft, comprometeu-se com o primeiro-ministro japonês, Katsura Taro, a reconhecer a suserania do Japão sobre a Coreia – as notas da conversação vieram a público 19 anos depois, em 1924, quando a Coreia já fora anexada pelo Japão).

É impossível compreender razoavelmente a Coreia, e o povo coreano, sem conhecer um pouco da sua História. Por isso, aqui nos estenderemos (não muito) sobre esse tema.

Em 1905, o imperador coreano e seu primeiro-ministro recusaram-se a aceitar a condição de vassalagem da Coreia em relação ao Japão. A aceitação, totalmente ilegal, foi assinada - com o primeiro-ministro preso pelos japoneses - por cinco ministros sem autoridade para tal, conhecidos na História da Coreia como "os cinco ministros traidores".

O imperador, recusando-se a ratificar, apelou para a China e para os chefes de Estado ocidentais, e, depois, para a Conferência de Haia, em 1907 – mas a Coreia foi proibida de participar em Haia e o imperador foi deposto pelos japoneses, o que levantou vários setores nacionalistas contra a ocupação. No exterior, os três emissários coreanos, impedidos de entrar na Conferência, fizeram o possível para denunciar a situação do país.

O imperialismo japonês derrotara a China, então sob a decadente dinastia manchu, em 1895, e a Rússia, sob a decadente dinastia czarista, em 1904-1907. As potências ocidentais tornaram-se cúmplices na destruição do Estado da Coreia. Os coreanos aprendiam, dolorosamente, que sua liberdade dependia, antes de tudo, de suas próprias forças – ou não haveria liberdade.

Não foi a primeira lição, nem foi só isso (!) o que eles aprenderam: a entrada das tropas japonesas na Coreia, em 1894, teve como pretexto o apelo dos feudais coreanos, derrotados no início daquele ano pelo exército guerrilheiro da revolução camponesa "Donghak", aos manchus da China para que esmagassem a revolta.

Donghak era uma religião coreana da segunda metade do século XIX que pregava "a igualdade de todos os seres humanos". O programa de sua revolução assemelha-se, em aspectos fundamentais, mais no conteúdo do que na forma, ao Plano de Ayala, escrito por Zapata para a revolução mexicana.

O Japão aproveitou-se da presença de tropas manchus na Coreia para romper a Convenção de Tientsin, estabelecida com a China em 1885, que proibia a intervenção militar, tanto japonesa quanto chinesa, na Península, exceto se a outra parte fosse notificada antecipadamente (o que a dinastia manchu fez, mas o Império do Japão passou por cima desse detalhe).

Depois da declaração de guerra do Japão à China, o bem armado exército japonês massacrou os camponeses coreanos, que só dispunham de lanças, espadas, arcos-e-flechas e alguns velhos bacamartes.

Daí por diante, há uma coleção inumerável de desmandos, ultrajes e crimes dos imperialistas japoneses na Coreia. No ano seguinte, 1895, a imperatriz coreana, Myeongseong, adversária da ingerência japonesa, foi assassinada a mando do embaixador do Japão – os assassinos, que invadiram o palácio e chacinaram os guardas, eram agentes japoneses.

Evidentemente, o embaixador - um visconde e general nipônico - não cometera o crime sem o sinal verde, ou a ordem, de Tóquio. O escândalo internacional, mesmo naquela época, foi tão grande que o governo japonês resolveu encenar uma farsa: um julgamento do seu embaixador na Coreia, em que este confessou a ideia e a organização do assassinato, mas argumentou que não se tratava de um crime, pois seu objetivo era a "supremacia" do Japão na Coreia. O réu foi absolvido "por insuficiência de provas".

No entanto, a política de Myeongseong – e de seu marido, o imperador Gojong – era colocar-se sob o abrigo da Rússia czarista para se opor ao Japão. Certamente, depender de outros para ser independente é a maneira mais segura de não ser independente. Gojong asilou-se na embaixada russa depois do assassinato da esposa, só voltando ao palácio em 1897, sob proteção de tropas czaristas. Depois da derrota russa na guerra com o Japão – logo no início, 1904, após o desembarque do exército japonês, as tropas czaristas foram expulsas da Coreia - essa política tornou-se insustentável. Em seguida, o Japão impôs sua suserania sobre a Coreia.

No entanto, a resistência coreana não cessou. Além dos levantamentos contra a ocupação, em 1909, o "Residente-Geral da Coreia" (uma espécie de vice-rei japonês) foi executado pelo patriota coreano An Jung Gun, homem notavelmente culto e consciente.

Prisioneiro dos japoneses, An Jung Gun fez estremecer os algozes ao defender o seu ato no tribunal-farsa a que foi submetido – o que talvez explique porque ele foi "julgado" nada menos do que seis vezes. An Jung Gun exigiu que fosse tratado como prisioneiro de guerra e comandante do exército de resistência coreano, e listou os crimes do "Residente-Geral" (um dos principais políticos da casta feudal-monopolista japonesa, quatro vezes primeiro-ministro, inclusive na época do assassinato de Myeongseong), entre eles: o assassinato da imperatriz coreana; a deposição do imperador coreano; o massacre de civis coreanos; a pilhagem de ferrovias, jazidas, florestas e rios coreanos; a imposição ao país da moeda japonesa; o impedimento da educação aos coreanos, com o confisco e queima dos seus livros didáticos.

Pouco antes de seu martírio na forca, An Jung Gun disse uma frase que repercutiria por toda a História coreana posterior: "Eu tenho a felicidade de oferecer a minha vida por meu país, assim é o comportamento de um patriota com espírito nobre". Mas, talvez, nada seja mais significativo do ambiente que a ocupação japonesa provocou na Coreia, e do caráter do povo desse país já naquela época, do que a mensagem da mãe de An Jung Gun, recebida pelo filho momentos antes de passar à eternidade: "Sua morte é por amor ao nosso país, e eu não peço covardemente por sua vida. Sua valente morte lutando pela justiça é para mim o último carinho de um filho por sua mãe".

An Jung Gun era católico – e, como nós chamamos, católico praticante. Apesar disso, por submissão aos japoneses, o então bispo da Coreia proibiu que se lhe administrasse a extrema-unção. Mas os sacerdotes menos graduados recusaram-se a obedecer – e An Jung Gun recebeu o sacramento.

Assim, em 1910, foi debaixo de ferro, fogo, e sangue aos borbotões, que o Japão anexou a Coreia – o imperador Gojong, deposto desde 1907, foi mantido em prisão domiciliar até sua morte, em 1919, por envenenamento. Seu funeral provocou outros levantamentos, em toda a Coreia, contra a opressão japonesa.

Publicado por Carlos Lopes no jornal A Hora do Povo